Polícia Civil nega relação entre morte de servidor e caso de câmera escondida em Matinhos


Por Brayan Valêncio Publicado 21/08/2025 às 12h41 Atualizado 22/08/2025 às 13h46

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou ao JB Litoral que não há qualquer ligação formal entre a morte do servidor da Câmara Municipal de Matinhos, Andrei Felipe da Silva Lopes, de 43 anos, e a investigação sobre uma câmera clandestina instalada no banheiro feminino do Legislativo. O posicionamento foi dado dois dia após o corpo do servidor ter sido encontrado em uma área de mata no Morro do Escalvado, em Matinhos.

Prédio onde funciona o setor administrativo da Câmara continua isolado. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Andrei estava desaparecido desde 4 de agosto, data em que deveria retornar ao trabalho após as férias. As buscas mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e familiares ao longo de duas semanas. O corpo foi localizado na manhã de segunda-feira (19), pendurado em uma árvore, com auxílio de cães farejadores. A Polícia Científica deve confirmar a causa da morte.

Em nota enviada ao JB Litoral, a PCPR destacou: “O homem era servidor, mas não há ligação formal dele com o caso em investigação. Sobre o caso das câmeras: a PCPR segue em investigação e aguarda o resultado de laudos periciais que devem contribuir com a elucidação“.

Presidente da Câmara reage

O caso do servidor ganhou repercussão porque ocorreu logo após a descoberta de uma câmera oculta no banheiro feminino da Câmara, encontrada em 31 de julho. Desde então, o plenário e a área administrativa da Casa seguem isolados, e a investigação sobre a instalação do equipamento continua em andamento.

O presidente do Legislativo, vereador Jair Pescador (PL), voltou a cobrar transparência nas apurações. Em contato com a reportagem, ele afirmou que a fala da Polícia Civil causa preocupação, já que pode passar a impressão de que determinadas pessoas estão sendo excluídas das investigações sem que haja conclusão definitiva. “Até que se prove quem foi, todos são suspeitos. Qualquer pessoa que passou por lá é suspeito, inclusive nós vereadores”.

Ainda segundo o parlamentar, o jurídico da Câmara vai questionar formalmente a Polícia Civil sobre esse posicionamento, porque não é possível afirmar que alguém não está envolvido sem que exista um resultado conclusivo das investigações, declarou Jair Pescador.

Investigações em andamento

A Polícia Civil informou que segue aguardando resultados de perícias que devem ajudar a esclarecer tanto o caso da câmera quanto a morte do servidor. Até o momento, não há prazo definido para a conclusão das apurações.

Enquanto isso, servidoras da Câmara e a própria população aguardam os resultados oficiais e cobram respostas para os dois episódios, que se tornaram o centro de uma crise política e institucional em Matinhos.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.

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