Porto de Paranaguá terá leilão de canal em outubro com investimento de R$ 1 bilhão
O Governo Federal marcou para o dia 22 de outubro de 2025 o leilão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá. Trata-se da primeira concessão desse tipo no Brasil, que prevê a entrega à iniciativa privada das obras de dragagem, manutenção e operação da principal via de entrada dos navios. O edital foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em junho e encaminhado para análise e condução da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A disputa será realizada na B3, em São Paulo.

O pacote prevê cerca de R$ 1 bilhão em investimentos, destinados à ampliação e manutenção do canal. A expectativa é aumentar a profundidade média dos atuais 13 metros para 15,5 metros, condição necessária para a atracação de navios de maior porte. Segundo cálculos técnicos, cada centímetro adicional no calado representa cerca de 60 toneladas a mais de carga por embarcação. Essa mudança pode transformar a capacidade de movimentação do porto, considerado um dos maiores corredores de exportação de grãos e cargas do país.
A iniciativa é tratada pelo governo do presidente Lula (PT) como estratégica para o setor portuário. Além de ampliar a eficiência logística, o modelo deve servir de referência para outros portos públicos que estudam adotar concessões semelhantes. Estão na fila projetos em Santos (SP), Itajaí (SC), Bahia e Rio Grande (RS), todos de grande peso para a economia nacional. Com isso, Paranaguá se torna um “laboratório” de modernização para o sistema portuário brasileiro.
O movimento tem forte impacto político. No Paraná, a dragagem do canal é uma demanda antiga, alvo de pressões de produtores rurais, cooperativas e operadores logísticos. A disputa em torno da concessão também atrai grandes players internacionais do setor de infraestrutura, que veem no porto paranaense uma porta de entrada privilegiada para as exportações do agronegócio. Para o governo federal, o projeto é uma forma de destravar gargalos históricos sem depender exclusivamente do orçamento público.
Autoridades locais comemoram data do leilão
O diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando, afirma que o aumento das medidas no Canal de Acesso fará com que Paranaguá seja o porto mais acessível para grandes embarcações no Brasil.
“O porto de Santos e os portos catarinenses têm, em média, 14,5 metros de profundidade, então a Portos do Paraná se prepara para receber as maiores embarcações que navegam pela costa brasileira. Além do aprofundamento do canal nos próximos quatro anos, este investimento de mais de R$ 1 bilhão vai garantir a manutenção permanente dele pelos próximos 25 anos. Novamente o Paraná é pioneiro no desenvolvimento de novas modelagens e propostas trazendo mais eficiência e economia aos cofres públicos”, disse Luiz Fernando.
Na prática, a concessão promete reposicionar o Porto de Paranaguá em relação a seus concorrentes diretos. A dragagem mais profunda permitirá operar embarcações de maior capacidade, reduzindo custos de transporte e ampliando a competitividade frente a portos estrangeiros. O reflexo esperado é o aumento na participação brasileira no comércio internacional, especialmente em produtos agrícolas e commodities minerais.
De acordo com o secretário estadual da Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, o alargamento e aprofundamento do canal representa um custo logístico menor para quem opera no canal. “Nós estamos falando de ir de 13 metros para 15,5 metros, com o pagamento da tarifa cheia somente após as obras serem realizadas. Na batida do martelo, vamos garantir menor custo e mostrar ao País o caminho da infraestrutura que os demais portos também vão poder fazer”, comentou.
O Porto de Paranaguá movimenta hoje mais de 50 milhões de toneladas por ano e é considerado um dos mais importantes do Hemisfério Sul. Com a ampliação do canal, a expectativa é elevar essa capacidade e reduzir filas de navios na barra, um problema recorrente em períodos de alta exportação. O governo aposta que a modernização também vai atrair novas rotas comerciais, reforçando a posição do Brasil no mercado global.
