O Litoral é a vitrine política na sucessão de Ratinho Junior


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 16/09/2025 às 18h54

Ao longo de seus dois mandatos, Ratinho Junior (PSD) fez questão de marcar presença no Litoral do Paraná. Muitas obras de infraestrutura, investimentos em rodovias e melhorias no Porto, além de programas voltados ao turismo, deram à região uma atenção que governadores anteriores raramente dispensaram. O Litoral deixou de ser apenas lembrado em época de temporada para se tornar peça estratégica na vitrine de resultados do governo estadual.

Alexandre Curi e Guto Silva disputam a sucessão de Ratinho Junior, Já Sergio Moro surge como possível adversário do atual grupo governista. Fotos: Diogo Monteiro/ JB Litoral e Divulgação

Não é coincidência, portanto, que os nomes cotados para sucedê-lo tentem fazer parte desse legado. O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Alexandre Curi (PSD) e o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), dois dos principais articuladores dentro da base governista, passaram a intensificar agendas nas sete cidades litorâneas, cada um com seu estilo.

Curi, que tem longa experiência como deputado e construiu trânsito entre prefeitos de diferentes partidos, aposta na proximidade com lideranças locais. Seu discurso é de continuidade e parceria: mostrar que estará ao lado dos municípios independentemente de cor partidária, repetindo a fórmula que lhe garantiu votação expressiva em todo o Estado.

Já Guto Silva adota uma linha mais técnica e administrativa. Ex-chefe da Casa Civil e figura de confiança de Ratinho, ele vende a ideia de modernização da gestão pública, lembrando projetos de tecnologia e inovação que ajudou a tocar no governo. No Litoral, procura vincular essa imagem à necessidade de desenvolvimento sustentável, de forma a transformar a região em polo de turismo inteligente e porta de entrada logística do Paraná. Guto também foi o responsável por liberar R$ 150 milhões para que as cidades do Litoral tivessem um belo upgrade no asfaltamento.

Ambos sabem que o eleitorado do Litoral, apesar de numericamente menor que o da capital ou da Região Metropolitana, tem peso simbólico. Mostrar atenção às sete cidades, mas principalmente a Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba é sinalizar que o futuro governador pretende governar para todo o Estado, não apenas para os grandes centros. Ratinho Junior deixou esse recado claro e agora seus possíveis sucessores repetem a estratégia, tentando se apropriar da imagem de continuidade.

Moro: o líder nas pesquisas

Do outro lado do tabuleiro, Sergio Moro (União Brasil) aparece como líder nas primeiras pesquisas de intenção de voto. Sua trajetória como ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e atualmente ocupando uma das três cadeiras de senador paranaense lhe rendem capital eleitoral, especialmente entre eleitores que rejeitam a política tradicional. Mas o desafio de Moro é justamente transformar esse capital em alianças sólidas no Paraná e furar a bolha da massiva aprovação do governador Ratinho Junior.

O impasse com o Progressistas expõe essa dificuldade. O partido, liderado no Paraná por Ricardo Barros, já declarou apoio ao secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca (PSD), que também é cotado para disputar a sucessão no Palácio Iguaçu ou até mesmo ser um vice dos dois principais concorrentes. Agora, o Progressistas integra uma federação com o União Brasil, ou seja, aliados de ontem podem se tornar adversários dentro da mesma estrutura partidária. Essa contradição fragiliza o discurso de unidade e expõe Moro a um desgaste antes mesmo do início oficial da campanha.

Enquanto isso, o grupo governista joga em duas frentes: mantém seus nomes próximos do eleitorado e, ao mesmo tempo, testa quem consegue se consolidar como herdeiro natural de Ratinho. O cálculo é simples: se a popularidade do atual governador se mantiver alta até 2026, qualquer candidato com sua bênção largará em vantagem.

O Litoral, nesse cenário, serve como espécie de laboratório político. Aqui, onde as obras são visíveis e a presença do governo foi constante, será mais fácil medir quem consegue convencer o eleitor de que é capaz de manter o protagonismo da região dentro do Estado.

A disputa que se desenha, portanto, não é apenas de nomes. É de narrativas. De um lado, Curi e Guto disputam quem encarna melhor a continuidade da gestão Ratinho Junior, cada um à sua maneira. Do outro, Moro tenta se firmar como outsider, mas precisa se equilibrar nas amarras da política tradicional, justamente a que critica. E no meio disso, partidos como o Progressistas, que já provaram seu peso eleitoral, entram como fiéis da balança, capazes de atrapalhar ou turbinar qualquer candidatura.

O tabuleiro ainda está em montagem, mas uma coisa parece clara: quem quiser chegar ao Palácio Iguaçu em 2026 terá que passar pelo Litoral – não apenas de visita, mas mostrando resultados concretos e compromissos de longo prazo com a região.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.