O Litoral é a vitrine política na sucessão de Ratinho Junior
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
Ao longo de seus dois mandatos, Ratinho Junior (PSD) fez questão de marcar presença no Litoral do Paraná. Muitas obras de infraestrutura, investimentos em rodovias e melhorias no Porto, além de programas voltados ao turismo, deram à região uma atenção que governadores anteriores raramente dispensaram. O Litoral deixou de ser apenas lembrado em época de temporada para se tornar peça estratégica na vitrine de resultados do governo estadual.

Não é coincidência, portanto, que os nomes cotados para sucedê-lo tentem fazer parte desse legado. O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Alexandre Curi (PSD) e o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), dois dos principais articuladores dentro da base governista, passaram a intensificar agendas nas sete cidades litorâneas, cada um com seu estilo.
Curi, que tem longa experiência como deputado e construiu trânsito entre prefeitos de diferentes partidos, aposta na proximidade com lideranças locais. Seu discurso é de continuidade e parceria: mostrar que estará ao lado dos municípios independentemente de cor partidária, repetindo a fórmula que lhe garantiu votação expressiva em todo o Estado.
Já Guto Silva adota uma linha mais técnica e administrativa. Ex-chefe da Casa Civil e figura de confiança de Ratinho, ele vende a ideia de modernização da gestão pública, lembrando projetos de tecnologia e inovação que ajudou a tocar no governo. No Litoral, procura vincular essa imagem à necessidade de desenvolvimento sustentável, de forma a transformar a região em polo de turismo inteligente e porta de entrada logística do Paraná. Guto também foi o responsável por liberar R$ 150 milhões para que as cidades do Litoral tivessem um belo upgrade no asfaltamento.
Ambos sabem que o eleitorado do Litoral, apesar de numericamente menor que o da capital ou da Região Metropolitana, tem peso simbólico. Mostrar atenção às sete cidades, mas principalmente a Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba é sinalizar que o futuro governador pretende governar para todo o Estado, não apenas para os grandes centros. Ratinho Junior deixou esse recado claro e agora seus possíveis sucessores repetem a estratégia, tentando se apropriar da imagem de continuidade.
Moro: o líder nas pesquisas
Do outro lado do tabuleiro, Sergio Moro (União Brasil) aparece como líder nas primeiras pesquisas de intenção de voto. Sua trajetória como ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e atualmente ocupando uma das três cadeiras de senador paranaense lhe rendem capital eleitoral, especialmente entre eleitores que rejeitam a política tradicional. Mas o desafio de Moro é justamente transformar esse capital em alianças sólidas no Paraná e furar a bolha da massiva aprovação do governador Ratinho Junior.
O impasse com o Progressistas expõe essa dificuldade. O partido, liderado no Paraná por Ricardo Barros, já declarou apoio ao secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca (PSD), que também é cotado para disputar a sucessão no Palácio Iguaçu ou até mesmo ser um vice dos dois principais concorrentes. Agora, o Progressistas integra uma federação com o União Brasil, ou seja, aliados de ontem podem se tornar adversários dentro da mesma estrutura partidária. Essa contradição fragiliza o discurso de unidade e expõe Moro a um desgaste antes mesmo do início oficial da campanha.
Enquanto isso, o grupo governista joga em duas frentes: mantém seus nomes próximos do eleitorado e, ao mesmo tempo, testa quem consegue se consolidar como herdeiro natural de Ratinho. O cálculo é simples: se a popularidade do atual governador se mantiver alta até 2026, qualquer candidato com sua bênção largará em vantagem.
O Litoral, nesse cenário, serve como espécie de laboratório político. Aqui, onde as obras são visíveis e a presença do governo foi constante, será mais fácil medir quem consegue convencer o eleitor de que é capaz de manter o protagonismo da região dentro do Estado.
A disputa que se desenha, portanto, não é apenas de nomes. É de narrativas. De um lado, Curi e Guto disputam quem encarna melhor a continuidade da gestão Ratinho Junior, cada um à sua maneira. Do outro, Moro tenta se firmar como outsider, mas precisa se equilibrar nas amarras da política tradicional, justamente a que critica. E no meio disso, partidos como o Progressistas, que já provaram seu peso eleitoral, entram como fiéis da balança, capazes de atrapalhar ou turbinar qualquer candidatura.
O tabuleiro ainda está em montagem, mas uma coisa parece clara: quem quiser chegar ao Palácio Iguaçu em 2026 terá que passar pelo Litoral – não apenas de visita, mas mostrando resultados concretos e compromissos de longo prazo com a região.
