Podemos rachado: Alvaro e Denian pulam do barco


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 25/10/2025 às 12h58

O Podemos vive uma crise aberta no Paraná. O deputado estadual Denian Couto anunciou sua saída do partido após acusar interferência externa na escolha da nova direção estadual. Segundo ele, pessoas de fora começaram a decidir os rumos da legenda. Em entrevista ao Grupo Ric, Denian afirmou não aceitar “um arranjo político feito de fora para dentro” e criticou a possível chegada da mãe do deputado federal Felipe Francischini ao comando do partido no estado.

Denian Couto e Alvaro Dias anunciaram que não fazem mais parte do Podemos do Paraná. Foto: Divulgação

A crise se aprofundou com a saída do ex-senador Alvaro Dias, que deixou o Podemos após oito anos de filiação. Em nota, ele declarou que “meus sonhos foram sepultados, engolidos pela força de um sistema nefasto”, frase que simboliza o descontentamento com o rumo da legenda e com a falta de autonomia regional. A saída de Dias representa o fim de uma era dentro do Podemos paranaense, já que o ex-senador foi um dos principais responsáveis por dar relevância nacional ao partido desde 2017.

Com as duas baixas, o Podemos do Paraná perde suas figuras mais conhecidas e entra em um momento de reestruturação. A legenda deve ser agora encabeçada pelo grupo político ligado a Felipe Francischini, que recentemente perdeu o controle do União Brasil para o senador Sergio Moro. A movimentação indica uma redistribuição de forças no campo conservador do Paraná e projeta um novo equilíbrio partidário para as eleições de 2026.

Agora, Alvaro Dias, que deseja voltar à Casa Alta, terá que encontrar um novo abrigo para disputar a eleição e o principal interessado nessa possível filiação é o MDB de Baleia Rossi.

Clã Barros e o plano para melar a candidatura de Moro

A tentativa de Sérgio Moro de se viabilizar como candidato ao governo do Paraná pode esbarrar na própria casa. Desde que o União Brasil anunciou uma federação com o Progressistas, formando a chamada União Progressista, a tensão entre as duas siglas só cresce. E o motivo é simples: enquanto Moro trabalha nos bastidores para se lançar ao Palácio Iguaçu, o partido sob comando do clã Barros tem outro nome em mente para encabeçar a chapa majoritária: Cida Borghetti.

Clã Barros é hoje o maior impeditivo para que a pré-candidatura de Sergio Moro ao Governo do Paraná avance. Foto: Divulgação

A ex-governadora, que mantém boa relação com o governador Ratinho Junior (PSD), é vista como representante legítima da política maringaense e, ao mesmo tempo, busca manter o prestígio político que Ricardo, Silvio, Maria Victoria e ela própria sempre almejam em cada eleição, seja estadual ou municipal.

Do outro lado, Moro vem comemorando boa visibilidade e pesquisas favoráveis, mas deve enfrentar resistências dentro dessa federação, além de um isolamento crescente entre prefeitos e lideranças locais.

O racha ficou evidente nas últimas semanas, com a debandada de prefeitos do Progressistas. Dos 61 eleitos, 18 deixaram a sigla, e outros ameaçam seguir o mesmo caminho. O grupo dos Barros alega que a pré-candidatura de Moro foi imposta sem representar o projeto político do partido no Paraná.

Nos bastidores, a leitura é que, se o impasse continuar, o Progressistas do Paraná pode influenciar até a executiva nacional para melar a federação. Com o controle da estrutura partidária no Estado, o clã Barros tem as cartas na mão para impactar diretamente no acordo da federação, tudo isso na tentativa de devolver Cida Borghetti à cena principal da política paranaense.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.