“Aliviado por chegar vivo”, diz paciente após transporte com motorista denunciado do HRL
Freadas bruscas, uso de sirene em situações em que não há risco de vida ao paciente — quando a regra dispensa o aviso sonoro —, velocidade excessiva e ultrapassagens pelo acostamento. Tudo isso ignorando pedidos de colegas de trabalho por uma conduta mais adequada e desconsiderando o estado de saúde dos pacientes, sejam idosos ou crianças. Essas são algumas das queixas de servidores do Hospital Regional do Litoral, direcionadas a um servidor da unidade que atua como motorista de ambulância.

De acordo com um funcionário, que prefere não ter a identidade revelada, após vivenciar algumas situações desagradáveis com o servidor (que também não terá o nome exposto), a experiência ocorrida no final do mês de outubro motivou o registro de uma queixa formal na Ouvidoria da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Segundo o relato, tratava-se do transporte de um paciente idoso do HRL até um hospital da região da capital, ocasião em que “o motorista dirigiu de forma agressiva, ligou a sirene sem necessidade, dava luz alta nos carros que estavam à frente, fazia freadas bruscas e realizou ultrapassagens pelo acostamento”, conforme descreve relato ao qual o JB Litoral teve acesso.
“Por várias vezes pedi para que ele dirigisse devagar. Em um momento que ele freou bruscamente, o paciente se desestabilizou, referindo muita dor. Tirei o cinto de segurança para atende-lo e, neste momento, quase cai dentro da ambulância”, diz o profissional da saúde.
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Momentos de pavor
Ainda de acordo com o servidor que denunciou o motorista, há outros processos administrativos abertos contra o profissional que integra quadro efetivo desde 2010, mas não há providências por parte da direção do hospital.
“Na chegada ao hospital de destino, o paciente me disse que estava aliviado por ter chegado vivo. Eu só queria que a chefia do hospital tomasse uma atitude, pois o que vivenciei junto com o paciente na viagem foram momentos de pavor e pânico”, declara.
No passado, segundo informações oficiais do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR), o motorista esteve com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa, de fevereiro a agosto. Mas isso não impediu que ele continuasse dirigindo a ambulância do Hospital, afirmam os colegas que falaram ao JB.
As infrações que levaram à suspensão são diversas, como estacionar em desacordo com a regulamentação especificada pela sinalização; transitar com velocidade superior à máxima permitida em até 20%; e dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança.
Outros relatos
Além das situações envolvendo o transporte de pacientes, o JB Litoral conversou com outros servidores que relatam ocasiões em que foram instaurados procedimentos administrativos contra o motorista, por condutas provocativas e desrespeitosas com colegas de trabalho. Em uma das situações, o motorista teria, inclusive, ameaçado outro servidor diante de membros da direção do hospital.
“Ele já tinha alterado nosso ambiente de trabalho por algumas vezes, no primeiro semestre e, agora, há cerca de 20 dias, ele fez de novo, desrespeitando até o diretor do hospital. Alguns colegas até se recusam a trabalhar com ele, pelo seu modo agressivo e sem paciência de dirigir”, informa outro funcionário.
De acordo com os servidores, o motorista, que tem a remuneração em R$ 7,5 mil, estaria de atestado médico psiquiátrico até o dia 9 de janeiro.
O que diz a Sesa
Procurada pela reportagem, a Sesa se manifestou por meio de nota, em que informa que foi comunicada pela Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas) sobre denúncias envolvendo o servidor lotado no HRL.
“O servidor apresentou atestado médico à direção do Hospital Regional do Litoral. Expirado o prazo do atestado, o servidor receberá a notificação de afastamento das funções até que procedimentos internos, em andamento, para apuração dos fatos sejam concluídos”, informa a pasta.
