Para quem vai a bênção de Ratinho?
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
O governador Ratinho Júnior (PSD) já avisou que não falta gente no seu banco de reservas. Ao falar em “bons nomes” e “um time que tem quadros técnicos capacitados”, ele não estava só fazendo média: estava reconhecendo publicamente que a sucessão de 2026 virou o principal jogo político do Paraná.

E, dentro desse jogo, dois nomes já colocaram o bloco na rua. Guto Silva (PSD) e Alexandre Curi (PSD) confirmaram ao JB Litoral que são pré-candidatos ao governo do Estado. Cada um representa um tipo de força dentro do grupo que hoje controla o Palácio Iguaçu.
Guto é o homem do núcleo duro. Curi é o homem da capilaridade política. No final, só um vai de fato aparecer na urna como candidato ao governo. E Ratinho, até agora, mantém o suspense.
O candidato do método
Secretário das Cidades, Guto Silva se coloca como o herdeiro natural do que o próprio governador chama de “método Paraná”. Não por acaso, sua fala é toda construída em torno de continuidade, time e governo.
“Eu vou me descompatibilizar em abril para poder colocar o meu nome à disposição, que é um projeto de continuidade desse governo. A gente acompanha o governador desde o primeiro dia, dos momentos mais difíceis, dos momentos de vitória, como será a Ponte de Guaratuba. E o que a gente sente, conversando com a população, com os prefeitos, com as lideranças, é que o Paraná não pode perder ritmo.Não é um projeto do Guto. É um projeto de um time”.
Guto fala como quem está dentro do vestiário desde o apito inicial. Ele já foi chefe da Casa Civil, secretário de Planejamento, de Indústria, de Cidades. Quando diz que já foi “zagueiro, meio-campo e agora atacante”, está dizendo, em código, que conhece o governo por dentro como poucos. No xadrez do Ratismo, Guto é o movimento de continuidade técnica e política do atual ciclo.
O candidato dos prefeitos
Alexandre Curi, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, vem de outro lugar. Menos Palácio Iguaçu, mais interior. Menos núcleo duro, mais base política.
Ele também fala em continuidade, mas o tom é outro: “A pré-candidatura representa a continuidade dessa paz política, desse crescimento econômico em um governo com uma atenção especial ao Litoral do Paraná. Pode ter certeza que nós vamos sentar na mesma mesa, vamos colocar como prioridade os interesses do Paraná e dos paranaenses. Uma candidatura a governador não pode ser um projeto individual, não pode ser uma vaidade pessoal”.
Curi é conhecido por algo que pesa muito em eleição majoritária: tem prefeitos. Tem deputados. Tem estrutura. É o político que passa o dia em gabinete e a noite em evento no interior.
Enquanto Guto fala como quem governa, Curi fala como quem articula. E é aí que o jogo fica mais interessante.
O partido fala alto
Mas no Paraná de hoje, administração não se faz só com secretários. Se faz com partido. E o PSD, sigla de Ratinho Júnior, quer ser protagonista na escolha.
O recado foi dado pelo presidente estadual da legenda, Sandro Alex: “O candidato do governador é o candidato do PSD, o partido dele. A escolha dele é a escolha do partido, é a escolha do maior partido do Paraná, maior bancada federal, estadual e prefeitos. O governador conta com uma aliança sólida de partidos que caminham com ele, então não tenho dúvida, será o candidato do PSD que vai ser linha de frente”.
Traduzindo: o PSD não aceita ser figurante na sucessão. Quem quiser a bênção de Ratinho precisa, antes, estar dentro do guarda-chuva partidário que hoje dá sustentação ao governo.
E o dono da caneta?
Ratinho Júnior, por enquanto, faz o papel do maestro que ainda não escolheu o solista.
“Nós temos bons nomes, isso é um bom problema, porque é uma demonstração que a gente tem um time que tem quadros técnicos capacitados e que tem o respeito da população acima de tudo. Nós estamos construindo essa candidatura nos próximos meses e vai ser uma candidatura que possa dar sequência a esse trabalho que nós estamos fazendo”.
O governador não fecha a porta para ninguém, mas deixa claro o critério: continuidade do projeto e respeito popular. O problema é que, no mundo real da política, continuidade não é só discurso. É também partido, base aliada, prefeitos, tempo de TV, dinheiro, alianças.
Guto tem o método e a confiança do núcleo do governo. Curi tem o mapa do Paraná e os contatos certos em cada cidade.
A pergunta que fica é simples: Ratinho vai ungir o sucessor que melhor representa o governo que ele fez… ou o político que melhor garante que esse grupo continue mandando no Estado?
Nos próximos meses, essa resposta começa a aparecer. E quando aparecer, vai mudar tudo.
