Olodum encerra Carnaval histórico de Matinhos com Ressacão, leva batida do Pelourinho ao Litoral e contagia público
O som dos tambores do Olodum tomou conta da Avenida Atlântica, em Caiobá, na noite da última sexta-feira (20), transformando o tradicional Ressacão no encerramento mais emblemático do Carnaval de Matinhos. Pela primeira vez no Litoral do Paraná, o grupo baiano levou a batida do samba-reggae, a ancestralidade negra e a energia do Pelourinho para milhares de foliões que acompanharam o show gratuito à beira-mar.

O Ressacão marcou o fim de uma temporada histórica para o município, que registrou recordes de público ao longo do verão e do Carnaval de 2026. A abertura da noite ficou por conta da Banda da Polícia Militar do Paraná, que subiu ao palco antes do Olodum e deu o tom institucional e cultural da festa.
Bastidores e expectativa antes do show
Antes da apresentação principal, a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico destacou o esforço conjunto para viabilizar o evento. Segundo a secretária Kassia Novochadlo, o Carnaval foi resultado de um trabalho integrado entre diferentes áreas do município e as forças de segurança.
“Olha, eu não a organizei sozinha. Eu tive a parceria das demais secretarias, tive o apoio do prefeito Eduardo Dalmora (PL) e, assim, nós conseguimos fazer uma grande festa. Tivemos o apoio da Polícia Militar, da Polícia Civil, das Forças de Segurança e isso fez com que nós tivéssemos um Carnaval seguro para famílias, mas também para os foliões. Foi um trabalho inteiramente conjunto”, disse.
Ao comentar a escolha do Olodum para o encerramento, Kassia ressaltou o caráter simbólico do Ressacão. “Essa atração foi pensada para agradar o turista, mas é feita principalmente para o matinhense, porque nós resgatamos a cultura do Ressacão, que é uma cultura dos matinhenses. E nada melhor do que trazer a ancestralidade do Olodum para comemorarmos esse evento”.

Quem também falou antes do show foi o tenente Edmilson Flautim, representante da Banda da Polícia Militar, responsável pela abertura da noite. Ele destacou o papel cultural da corporação no Litoral. “A gente está representando a Polícia Militar, a gente está com a modalidade de segurança pública, mas também com a arte cultural e, para nós, é um orgulho muito grande”, destacou.


Edmilson explicou que a atuação vai além do policiamento ostensivo. “A Polícia Militar faz o trabalho preventivo, tem a parte social, e a questão de se aproximar das pessoas, mostrar que a polícia está aqui para proteger. E a banda entra com essa parte cultural, que tem 170 anos de existência, para servir a comunidade”.
A expectativa do público também era alta antes do início do show. O curitibano Sidney Alexandrino destacou o peso internacional do grupo. “Eles vieram da Bahia, tocaram com Michael Jackson, são muito famosos e agora estão aqui no nosso Litoral. É um sonho, né?”.

Já Rosângela Oliveira, que também saiu de Curitiba para acompanhar a apresentação, destacou que nem a chuva iria atrapalhar a folia. “Eu sou fã do Olodum e nada vai impedir da gente acompanhar o Olodum. Estou muito feliz e ansiosa”, destacou.
Olodum sobe ao palco e anima multidão
Depois do show, a sensação entre o público foi de que o Ressacão entrou para a história. Gustavo Leite, morador de Matinhos, resumiu o impacto da apresentação. “O Olodum pela primeira vez no Litoral do Paraná, fazendo um pós-Carnaval. Trouxeram o Pelourinho aqui para o calçadão da Avenida Atlântica. Foi show de bola”, disse.
Vado Babilac, percussionista soteropolitano que já tocou no Olodum e na Timbalada, relatou a emoção de reviver Salvador no Paraná. “Eu me senti em Salvador, me senti no Pelourinho. Eu fechei os olhos e me senti lá em Salvador”, disse emocionado.
Para quem veio de longe, a experiência também foi marcante. Caroline Martins, de Ponta Grossa, destacou o legado cultural do grupo. “O Olodum tem uma importância gigantesca para a cultura negra. O Neguinho do Samba é fundador do samba-reggae, e a gente estava ouvindo o legado dele aqui na terra do Paraná. Não tem gosto melhor”, celebrou.

Liz Ângela Gonçalves, também de Ponta Grossa, classificou a apresentação como histórica. “Nós viemos de longe e foi uma loucura para chegar aqui. Conseguimos e assistimos o melhor show que Matinhos já teve”.
Olodum destaca retomada pós-pandemia e celebra 46 anos
O JB Litoral entrevistou três integrantes do Olodum com exclusividade. O vocalista Lucas Di Fiori falou sobre o significado de encerrar o Carnaval no Paraná após os impactos da pandemia. “Quem trabalha com entretenimento sabe o que a gente passou. Nós não imaginávamos que iriamos conseguir voltar a fazer show dessa forma, mas tudo se resolveu e voltamos com alegria total”.
Bira Jackson ressaltou o ineditismo da apresentação. “Matinhos merece. Pela primeira vez o Olodum vai fazer um show de grande porte para vocês que vão estar aqui presentes”,

Já Narcizinho lembrou o momento histórico vivido pelo grupo. “O Olodum está fazendo 46 anos. Estamos trazendo a batida do samba-reggae aqui para Matinhos para fazermos essa festa maravilhosa”, concluiu.
Com o Ressacão, Matinhos encerrou oficialmente o Carnaval de 2026 consolidando o município como um dos principais polos da folia no Sul do Brasil e marcando, com o som dos tambores do Olodum, um capítulo histórico para o Litoral do Paraná.
