Faltas em consultas médicas e exames mobilizam campanhas em Pontal do Paraná, Paranaguá e Matinhos


Por Gabriela Perecin Publicado 31/05/2026 às 21h33


O número de faltas em consultas, exames e procedimentos na rede pública de saúde tem levado alguns municípios do Litoral a adotar medidas para reduzir o problema. Enquanto Pontal do Paraná aposta em campanhas de conscientização, Paranaguá instalou “faltômetros” nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), e Matinhos discute um projeto de lei para enfrentar as ausências, que impactam diretamente o acesso da população aos atendimentos.

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Em fevereiro deste ano, 133 pessoas faltaram nas consultas em Pontal do Paraná. Foto: Prefeitura de Pontal do Paraná

Faltas são frequentes em Pontal do Paraná

A secretária municipal de Saúde de Pontal do Paraná, Michele Straub, disse que a Prefeitura iniciou uma campanha para tentar reduzir o problema. Nas redes sociais, a Administração tem apostado na conscientização dos moradores para que avisem com antecedência quando não puderem comparecer aos atendimentos.

O JB Litoral teve acesso ao número de consultas realizadas nos dois primeiros meses do ano. Em janeiro, foram 305 pacientes atendidos e 126 faltas. Em fevereiro, foram 358 atendidos e 133 faltas.

Entre os serviços ofertados estão consultas, exames e procedimentos, como tomografia computadorizada, ressonância magnética, endoscopia, ultrassonografia, diagnósticos por especialidade, medicina nuclear, coleta de material, exames microbiológicos, anestesia, exames citológicos e anatomopatológicos, radiografia e diagnóstico em neurologia.

“Quando nós conseguimos chamar a pessoa que está na vez, mandamos mensagem para confirmar. E as pessoas confirmam. Importante também falar que nem todo mundo tem fila de dois, três anos. Para tomografia, a nossa fila é de menos de um mês. É o mesmo tempo de um exame particular”, destacou Michele.

O problema das faltas em Pontal também ocorre quanto ao transporte fora de domicílio. “O paciente marca o ônibus, não vai e tira a vez de alguém”, ressaltou.

“Faltômetros” em Paranaguá

A Prefeitura de Paranaguá também tem adotado medidas para reduzir as ausências, mas de outra forma. Desde 5 de maio de 2026, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) passaram a dar visibilidade ao problema com a instalação de “faltômetros”, que indicam quantos pacientes faltaram às consultas agendadas no mês anterior.

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“Faltômetro” é a estratégia utilizada em Paranaguá para expor as ausências em consultas nas Unidades de Saúde. Foto: Divulgação/Secretaria Municipal de Saúde

Na UBS Sueli Dutra Alves (CAIC), por exemplo, no mês de abril, 198 pacientes faltaram às consultas agendadas, sendo 100 relacionadas a consultas médicas, 74 com enfermeiros e 24 odontológicas. Na UBS Maria Vargas Batista (bairro Porto Seguro), foram 136 atendimentos perdidos, sendo a maior parte (62) para consultas odontológicas. Na UBS Márcio Ubirajara Elias Roque (Branquinho), o número de ausências não justificadas é ainda maior: 231 no total, no mês de abril.

A Administração Municipal afirma que cada consulta não realizada representa uma vaga que poderia ser utilizada por outra pessoa. O resultado é o aumento das filas, o atraso nos atendimentos e o comprometimento do planejamento das equipes.

“Nosso objetivo é conscientizar a população de que cada consulta é uma oportunidade de cuidado que não pode ser desperdiçada. Com a participação de todos, conseguimos reduzir filas e garantir um atendimento mais eficiente”, disse o secretário municipal de Saúde de Paranaguá, Daniel Gustavo Fangueiro.

Os dados são atualizados sempre no início do mês e podem ser consultados facilmente pela população em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Quase 4 mil faltas em Matinhos no ano passado

As faltas em consultas agendadas têm impactado diretamente o acesso da população aos serviços de saúde em Matinhos. Entre maio e dezembro do ano passado (período em que começou a contabilização das ausências), foram registradas 3.953 faltas nas UBSs, de acordo com a Prefeitura.

– Atendimento na UPA Praia Grande, em Matinhos.
Os faltantes tiram a oportunidade de atendimento de outras pessoas que estão na fila. Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

A UBS com mais faltas foi a do Mangue Seco, com 1.029 ausências. Os dados foram postados nas redes sociais da Prefeitura, alertando para a dificuldade. A secretária de Saúde de Matinhos, Eduarda Cristina Poletto Gonçalves, destacou a importância da ação para informar a população sobre os impactos das ausências.

“Comparecer às consultas e exames é um ato de cuidado consigo mesmo e também de respeito com toda a população que aguarda atendimento. Quando cada paciente faz a sua parte, conseguimos uma saúde mais organizada, eficiente e acessível para todos”, declarou Eduarda.

Projeto de Lei visa combater ausências em Matinhos

A Câmara de Matinhos analisa o Projeto de Lei nº 106/2026, apresentado no dia 22 de maio, que institui a Política Municipal de Redução do Absenteísmo em consultas, exames e procedimentos na rede pública de saúde. A proposta é de autoria dos vereadores Roque Sozo (PRTB), Lucas Pesco (PRTB) e Juliano Leite (Republicanos).

O objetivo do projeto é reduzir o número de pacientes que faltam a atendimentos agendados sem aviso prévio, situação que, segundo o texto, gera desperdício de recursos públicos, aumento das filas e ociosidade de profissionais e estruturas da saúde.

Entre as medidas previstas está a possibilidade de implantação de sistemas de confirmação e cancelamento de consultas por telefone, SMS, aplicativos de mensagens, e-mail e plataformas digitais. O projeto também prevê a criação de uma fila dinâmica para preenchimento imediato de vagas abertas por cancelamentos ou ausências.

O texto determina ainda a realização de levantamentos periódicos sobre índices de absenteísmo, tempo de espera, número de pacientes em fila e impacto financeiro das faltas, com possibilidade de divulgação pública dos dados.

Segundo os autores, a proposta possui caráter programático e orientador, sem criação obrigatória de despesas imediatas, cargos ou estruturas administrativas, permitindo implementação gradual, conforme a disponibilidade orçamentária do município.

Guaratuba tem reduzido filas de espera

A Prefeitura de Guaratuba iniciou uma força-tarefa para reduzir as filas de espera e agilizar procedimentos de alta complexidade, com a adoção de um novo modelo de regulação e a promoção de mutirões.

Desde o início do ano até o mês de maio, foi alcançada a marca de 6.133 pacientes encaminhados para exames e consultas especializadas. “A Central de Regulação otimizou o fluxo oriundo das Unidades Básicas de Saúde (UBS)”, divulgou a Prefeitura.

Na oftalmologia, 670 pacientes foram encaminhados para clínicas em Curitiba, Colombo e Campo Largo, reduzindo a fila inicial de 786 para 116 pessoas. Em fevereiro, o destaque foi o mutirão no Hospital de Olhos de Curitiba, que realizou 35 cirurgias de catarata, zerando demandas urgentes da especialidade.

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Hospital Municipal passou a realizar exames de colonoscopia e endoscopia duas vezes por mês em Guaratuba. Foto: Prefeitura de Guaratuba

Pacientes que aguardavam pela realização de mamografias também foram beneficiadas. Das 507 mulheres que estavam na fila desde o início do ano, 314 já foram atendidas. Em maio, 150 mulheres saíram de Guaratuba com destino a Paranaguá para participar do mutirão da Carreta da Saúde da Mulher, do programa nacional “Agora Tem Especialistas”.

A atenção também tem sido voltada aos exames. As ressonâncias magnéticas, por exemplo, ocorrem todos os sábados, com transporte de pacientes para Curitiba. No setor de densitometria óssea, a fila de espera caiu de 75 para apenas 15 pacientes. Além disso, o Hospital Municipal passou a oferecer exames de colonoscopia e endoscopia duas vezes por mês.

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