Escolas municipais de Antonina estão sem aulas de educação física

No último ano da gestão do prefeito Carlos Augusto Machado (PSD), o Canduca, um concurso público abriu as portas da administração municipal para novos servidores. Dentre as oportunidades, foram oferecidas vagas para professor de educação física para exercer a função junto ao ensino fundamental, séries iniciais e educação infantil nas escolas municipais de Antonina.
Na época, foram aprovados nas quatro primeiras colocações Tatiana Bonfim Garcia, Maria Eloiza Bazanela Lins, Tiago Nascimento Ramos e Rúllyans Diego Martins, que receberiam por uma carga horária de 40 horas semanais um salário de R$ 1.605,00. Entre as necessidades do cargo, os professores teriam que planejar e operacionalizar o processo ensino-aprendizagem de acordo com os pressupostos epistemológicos da disciplina ou área de estudo em que atuar, manter-se informado das diretrizes e determinações da escola e dos órgãos superiores e cumprir e fazer cumprir o horário e o calendário escolar.
Entretanto, a cobrança de Roberto Carlos Posio, pai de um aluno de apenas cinco anos do 1º ano do ensino fundamental,da oferta desta disciplina em outubro do ano passado ao seu filho na escola municipal Gil Feres, trouxe à tona uma grave realidade, confirmada pela Secretária de Educação e Esportes, Lucicleia Ramos, de que não há aula de educação física nas escolas municipais. De acordo com o pai do aluno, a informação foi repassada numa reunião na escola Gil Feres no início deste ano letivo.
Em sua denúncia feita ao Ministério Público do Paraná, Posio informou ainda que um homem faz a monitoração das crianças no acesso a escola, porém, ele defende que o mesmo não tem condições para exercer a função devido a sua limitação física. Trata-se de Rolnei da Gama Pereira, que também faz a função recreativa na escola. Segundo o pai do aluno, Rolnei não é servidor municipal e nem funcionário da escola, pois são os professores que se reúnem para fazer o seu pagamento. Além do Ministério Público, Posio levou esta situação ao Conselho Tutelar da cidade e a Secretaria de Educação sem obter nenhum sucesso.
Prefeito, vice-prefeito e secretária de Educação não respondem
Vale ressaltar que a Lei Federal 9.696/98 que regulamentou a profissão de educação física e criou o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Educação Física, determina em seu artigo 1º que “o exercício das atividades de educação física e a designação de profissional de educação física é prerrogativa dos profissionais regularmente registrados nos Conselhos Regionais de Educação Física”. Com isso, situações como esta que ocorrem na escola Gil Feres com Rolnei são vistos como irregulares pela legislação federal.
A reportagem do JB procurou a confirmação oficial sobre a ausência de aulas de educação física na rede municipal de ensino e enviou cinco questionamentos ao prefeito João Ubirajara Lopes (PSC), a Secretaria de Educação, Lucicleia Ramos, ao vice-prefeito Wilson Clio de Almeida Filho (PSC), em razão de comentários – não confirmados – que o prefeito João Domero estaria se afastando do cargo para tratamento de saúde e também para Secretária de Comunicação, Cibele Fontanela. Foram eles: Quantos e quais (nomes) professores de educação física foram chamados desde 2012 no concurso que ofertou duas vagas? Desde que foram chamados onde eles atuaram e continuam exercendo sua função prevista no concurso? Desde o início desta gestão houve aulas da disciplina de educação física nas escolas da rede municipal de ensino? Em recente reunião a secretária de Educação foi enfática ao afirmar que não haverá aula de educação física na rede municipal de ensino. Qual embasamento legal com que esta decisão foi tomada? Existe possibilidade de retorno das aulas de educação física na rede municipal de ensino? Porém, até o fechamento desta edição nenhum deles respondeu.
