374 anos de Paranaguá

A força da nossa terra: agricultura familiar e turismo rural movem as colônias de Paranaguá

Por Luiza Rampelotti
29/07/2022 09:46 |
Atualizado em 3 semanas atrás

Paranaguá possui um extenso território formado por áreas urbanas, rurais e comunidades pesqueiras, que vivem nas ilhas ao redor da baía, e abrigam os cerca de 157 mil moradores da cidade mãe do Paraná. Para o aniversário de 374 anos do município, o JB Litoral preparou uma reportagem especial sobre a zona rural, que acolhe comunidades tradicionais que têm na agricultura familiar seu principal meio de subsistência.

São mais de 200 produtores afiliados à Associação de Produtores Rurais do Município de Paranaguá, a APRUMPAR, localizada na Colônia Maria Luiza. Eles moram em uma das tantas colônias que fazem parte do município e abastecem a mesa da população com frutas, verduras e laticínios de qualidade.

Além da Colônia Maria Luiza, temos a Pereira, São Luiz, Santa Cruz, Morro Inglês, Quintilha, Alexandra, Rio das Pedras, Ribeirão, Taunay, e a mais recente, Visconde de Nácar. Todos esses locais contam com agricultura familiar e são auxiliados pela Secretaria Municipal da Agricultura e Pesca (SEMAPA), chefiada pelo secretário Antonio Ricardo dos Santos.

Dos nossos 200 associados, 27 fazem parte do programa da merenda escolar e entregam os alimentos para as escolas do município. Os principais produtos cultivados são banana, ponkan, laranja, limão, alface, couve, abobrinha, tomate, batata doce, panificados, doces etc. São essas as mercadorias que a gente fornece para a merenda escolar”, explica o presidente da APRUMPAR, Darci Pereira Liriano.

Todos os produtos são separados na associação e, de lá, a prefeitura faz a distribuição para as 72 escolas municipais de Paranaguá. Darci destaca que as frutas e verduras produzidas na área rural do município são naturais e saudáveis, sem agrotóxico.

Tudo é cultivado aqui em Paranaguá. Cada colono tem sua cultura, uns mexem com banana, outros com mandioca, outros com a hortaliça, palmito, diversidade de frutas, leite, mel, arroz. Tem muito alimento de qualidade aqui”, diz.

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Darci é o presidente da Associação dos Produtores Rurais de Paranaguá, que possui mais de 200 associados. Foto: Felipe Luiz Alves/ JB Litoral


Turismo rural é novidade


Ao todo, cerca de 3 mil famílias vivem na área rural e trabalham na roça. Mas, agora, parte deles também está encontrando no cicloturismo e no turismo rural uma forma de gerar renda e garantir com que as colônias de Paranaguá sejam conhecidas.

Foi na pandemia que o turismo ciclístico começou a se fortalecer e, com isso, centenas de visitantes buscaram na área rural de Paranaguá passeios, trilhas e paz em meio à agitação urbana.

Débora Dijkstra Los é uma das proprietárias da Fazenda Morro Holandês, na Colônia Maria Luiza (PR 508, KM 7), e conta que foi durante a pandemia que os turistas passaram a ir à propriedade regularmente. “Estamos começando a desenvolver a área do turismo rural justamente por isso, porque o pessoal quis sair de casa e começou a vir para a região de mata, com ar puro. Recebemos aqui, mas ainda sem muita estrutura, e mesmo assim eles vêm e passam a tarde inteira”, diz.

Na Fazenda Morro Holandês, há a produção de leite e laticínios. São 25 vacas leiteiras que abastecem a Feira do Agricultor, mais conhecida como Feira da Catedral, que acontece todo sábado pela manhã no Largo Iria Corrêa, com queijo, iogurte, picolé e sorvete. Além da venda na Feira, os consumidores também vão até a Fazenda buscar os produtos fresquinhos.

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Na Fazenda do Morro Holandês, Débora recebe famílias que querem apreciar queijo, iogurte, picolés e sorvetes naturais


A rota dos ciclistas


Dona Abiusa José da Silva Breda, que vive na Colônia Santa Cruz, também encontrou na pandemia uma forma de renda extra. Na época, não estava acontecendo a Feira do Agricultor e, então, ela criou o cantinho do café em sua propriedade, com o intuito de servir os ciclistas que passavam por lá para fazer trilhas.

Aqui é a rota deles e, por isso, pensei nisso, então criamos o Café do ET. Deu muito certo, já veio turista do Mato Grosso, Minas Gerais, Curitiba e da região litorânea. Sirvo lanches como a coxinha de aipim, torta de palmito, de banana, bolo de fubá, café, sucos naturais”, comenta.

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Dona Abiusa atende os ciclistas na Colônia Santa Cruz, no Café do ET. Foto: Felipe Luiz Alves/JB Litoral

Todos os lanches feitos com palmito utilizam o ingrediente que vem direto da plantação própria de pupunha e juçara. Além disso, a semente do palmito juçara é utilizada para o suco energético dos ciclistas. “O juçaiê, que é o número um em vendas. Durante o verão e finais de semana e feriado, aqui se torna o point dos ciclistas”, diz Abiusa.

O marido, Eliseu Roberto Breda, é quem cuida do cultivo de palmito. Ele explica que quando a pupunha está pronta, é colhida e transformada em palmito in natura de vários tipos, por exemplo, espaguete de palmito, lâmina para lasanha, tolete nobre para diversos pratos, com casca para assar etc.

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Seu Breda cultiva pupunha e juçara em sua propriedade, na Colônia Santa Cruz; os produtos são vendidos na Feira da Catedral. Foto: Felipe Luiz Alves/JB Litoral


Estou aguardando concluir minha agroindústria para fazer a conserva do palmito e pôr no mercado para venda. Boa parte dos produtos vai para Paranaguá, na Feira da Catedral e da Praça Fernando Amaro, e vários restaurantes de Curitiba”, revela.

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Além disso, em sua propriedade também é produzido o mel. “É um trabalho de observação e técnica para melhor produção. Teve ano que cheguei à colher quase mil quilos de mel. Nesse momento não estamos colhendo, mas dentro de um mês e meio começamos, e tudo depende da florada da região”, explica.

Variedade de frutas e verduras


O que muitos não sabem é que, além de ser uma ótima opção turística, as colônias ainda fornecem alimentação de qualidade para a mesa do parnanguara e, especialmente, para os parnanguarinhas. Como já citado, parte dos produtores têm parcerias com o Poder Público e garantem as frutas, verduras e laticínios para as escolas da rede pública de educação.

Tudo é produzido com muito amor e carinho, sem agrotóxicos ou com a menor quantidade possível. A variedade de frutas e verduras é surpreendente. “Aqui na propriedade temos uma variedade de cerca de 50 pés de frutas. Também temos os tubérculos, como aipim, verduras, salsinha, cebolinha, que são enviados para a merenda escolar, feitos com carinho e sem agrotóxico”, conta Inês Isawa, da Colônia Maria Luiza.

Conhecida como a “japonesa dos sucos naturais”, ela participa das feiras de Paranaguá: da Catedral, da Praça Fernando Amaro, e Feira da Lua, com sua variedade de sabores de sucos naturais. “Temos muitas frutas as quais transformo em suco, por exemplo, acerola, araça-pera, jabuticaba, carambola, abacate, banana e muitas outras. Já estou há 30 anos na Feira da Catedral oferecendo meu suco feito com carinho, com amor, que vai direto para o consumidor”, diz.

Ainda pouco conhecida, a área rural de Paranaguá merece destaque. A agricultura familiar é reconhecida pela diversidade da produção; por usar práticas mais sustentáveis e interferir menos no meio ambiente; pela produção orgânica mais saudável e fresquinha; pela preservação da tradição; por gerar emprego e renda; e muitos outros benefícios.

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A famosa japonesa dos sucos naturais tem mais de 50 pés de diferentes frutas em sua propriedade; os sucos vêm direto da fruta. Foto: Felipe Luiz Alves/ JB Litoral

Respeito pela terra


O agricultor João Luiz dos Santos, também da Colônia Maria Luiza, conta que possui imenso respeito pelo solo, por isso, planta, cultiva e produz com muito amor. Ele comenta que planta “de tudo um pouco”, mas o principal é o aipim, usado na sua famosa coxinha de aipim, comercializada nas feirinhas.

O aipim eu planto, cuido, depois colho e vai para agroindústria, onde transformamos e vira a coxinha que vendemos na feira. O palmito pupunha também plantamos, extraímos e transformamos em recheio para os pastéis e lanches”, informa.

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João faz sucesso com a coxinha de aipim, produzida inteiramente com o aipim plantado em sua lavoura


Ele revela que faz a chamada rotação de cultura, com o objetivo de manter o solo sempre fértil. “Sai o aipim, entra com feijão, hortaliça, milho. A hortaliça entregamos para a merenda escolar e assim vamos cuidando do solo”, diz.

Mas ele garante que a coxinha de aipim tem o ano inteiro. “Ela é puro aipim, sem mistura nenhuma, somente a mandioca cozida, sovada, modelada, colocada o recheio e fritinha. É uma delícia”, finaliza.

Passar um dia nas colônias é descobrir que as novas experiências estão mais perto do que se imagina. É ter a certeza de que o alimento que vem da nossa terra é saudável e que ele é cultivado com todo amor. É ser recebido, com muito carinho, humildade e receptividade pelos colonos, que têm por essa terra o mais profundo respeito.

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Os produtos cultivados na zona rural de Paranaguá são comercializados na Feira da Catedral, todo sábado pela manhã. Foto: Felipe Luiz Alves/ JB Litoral

Confira o vídeo sobre – Agricultura familiar e turismo rural movem as colônias de Paranaguá