Alceuzinho Maron fala do pai, do seu programa e eleições de 2018

por Redação JB Litoral
23/07/2017 20:14 (Última atualização: 23/07/2017)

Foto/Divulgação TVCI

Último deputado estadual representante de Paranaguá e do Litoral, eleito com 31.268 votos, o Advogado Alceu Maron Filho, o Alceuzinho Maron, atualmente sem partido, a partir da próxima segunda-feira (24) inicia nova fase em sua vida ao estrear como comunicador e âncora do Programa Litoral Urgente da TVCI.

Ainda desolado com a recente perda do pai, Dr. Alceu Maron, o qual foi um ícone da política parnanguara, recordista em mandatos eletivos, quer como vereador ou presidente do Poder Legislativo, nesta entrevista ao JB Alceuzinho Maron fala do pai, de seu programa e das eleições de 2018.

 

JB- Dr. Como foi perder seu pai, o seu maior ídolo?

Alceuzinho Maron – Perder o pai é uma coisa muito violenta na vida de qualquer pessoa. Infelizmente meu pai, meu melhor amigo, era minha referência, aquele conselheiro, aquele muro para lamentar nas nossas dificuldades. Mas tenho que olhar pelo outro lado, o de que Deus me deu a oportunidade de por 45 anos pudesse conviver 24 horas por dia com meu pai, que pudesse tirar dele todo aquele conhecimento que me fez uma pessoa melhor, quer no ponto de vista pessoal e também no político. Infelizmente foi o momento mais difícil da minha vida. Estou aprendendo a viver uma nova vida. Espero que Deus o tenha em um melhor lugar.
 

“Não acredito que perdi meu pai, porque de alguma maneira, ainda sinto ele próximo de mim, fisicamente não está, mas tenho certeza de que espiritualmente está cada vez mais forte a nossa ligação”.

 

JB – Se fosse para fazer uma avaliação como político e como filho, do que foi o político Dr. Alceu Maron, o que diria?
 

Alceuzinho Maron – Avaliar a vida política do meu pai é uma coisa um pouca complexa, pois ele transcendeu gerações. Inicia em 1959 exercendo seu primeiro mandato de vereador e tem contato com figuras como Roque Vernalha, Joaquim Tramujas, Dr. Ferraz, vereadores de meados do século passado. Depois atravessa gerações e, na sua segunda fase como vereador, pega Paranaguá mais sindicalista e com muitos representantes na Câmara Municipal. Viveu uma Câmara que expressava Paranaguá mais tradicionalista, quem sabe mais aristocrática, quanto nesta Paranaguá um pouco mais popularizada e até sindicalizada do início dos anos 90 em diante. Nas duas ele protagonizou e foi Presidente da Câmara, se não o maior, um dos grandes líderes daqueles momentos, o que prova sua capacidade política.

Esta foi a grande arte política do meu pai, a de dialogar com todos os setores, não havia com quem ele não dialogasse. Lembro-me de uma coisa que sempre me disse, “Alceuzinho demore para dar sua palavra na política, porque depois que a der, não tem mais como voltar atrás”. É algo que hoje em dia a gente sente falta, mas isto ficou muito forte dentro de mim.
 

JB – O motivo desta entrevista é a estreia do programa Litoral Urgente, como é que foi esta história levando em conta que você nunca teve intimidade com a TVCI?

Alceuzinho Maron – Não é que nunca tive intimidade, na verdade nós tivemos embates, a TVCI e a figura política de Alceuzinho Maron. Embates tanto nas eleições de 2012, quanto nas eleições de 2016. Mas houve um convite da direção da TV, convite este que me honrou muito e que me traz um novo desafio.

Isto me surpreendeu no sentido de que estávamos distantes, me surpreendeu de eles verem em mim uma figura que pode assumir um papel importante na TV, porque há um investimento grande neste programa. Trata-se de algo diferente que até hoje não teve na televisão do litoral do Paraná e que tem tudo para dar certo, tendo em vista das boas condições que a TV está dando para mim como apresentador e ancora do programa para conseguir o resultado esperado. Mas também chegamos à conclusão do seguinte, porque muitos vão dizer, “brigaram e depois se acertaram”. Primeiro que isto é bom, quando dois lados que estão em guerra e declaram a paz. Sou cristão e sempre fico feliz quando tenho a notícia de que dois lados que estavam brigando acabam se entendendo. É o entendimento que constrói as coisas.

O desentendimento não constrói, como desconstruiu, afinal foi um grupo político que ganhou com a briga entre Alceuzinho e a TVCI em 2012. O mesmo grupo ganhou em 2016 e, desta forma, fiquei pensando comigo: e a cidade será que ganhou? Será que o cidadão e a cidade ganharam? Estou vendo que não. Estou vendo Paranaguá, nos últimos anos, perder boas oportunidades de alcançar novamente um passo de desenvolvimento e acho que isto vem muito destas brigas nas eleições. A gente vai vivendo e amadurecendo. Houve erro meu em brigar com a TV? Houve. Houve erro da TV ao brigar comigo? Houve também. Mas quem é que ganhou com esta situação? O mesmo grupo político que, aliás, há décadas está governando Paranaguá. Acho que quem perde é a cidade que pode ter a união de um grande veículo de comunicação e um dos seus políticos, que protagonizou as eleições municipais.
 

JB – Está definido como será o formato deste programa?

Alceuzinho Maron – Ainda estamos definindo. Mas posso adiantar que teremos um programa divido em quatro blocos, com três blocos de propagandas intercalados. Haverá três equipes de reportagens, com capacidade de entrar ao vivo, a qualquer momento, durante o programa.

A ideia é unir as coisas do litoral, algo que nossa região precisa. Haverá repórteres e cinegrafistas de boa qualidade, que estarão junto com a gente. O editor chefe é o Rafael Passos e, provavelmente, voltando das férias, a Diana Tulio também vai ajudar na chefia da editoria.

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A televisão está me dando um novo estúdio, uma equipe de qualidade e todas as condições para a gente levar um bom serviço de informação à população. O programa pretende fazer uma boa interação com outros veículos de comunicação de nossa cidade, aqueles que se propuserem serão sempre bem-vindos, como, por exemplo, o JB que a gente vê uma independência em relação a governos, porque isto é interessante ter como informação.

Eu lá no programa e vocês no Jornal tratamos com o mesmo elemento, que é a informação. Muito certamente estaremos juntos, levando informações, completando-as daqui ou dali. Acho que é o principal e o que está precisando na imprensa de Paranaguá. A união dos órgãos de imprensa em favorecer a nossa região e a nossa cidade. Claro que vamos abordar aquilo que não está sendo bem feito na cidade, mas queremos mesmo é dar as boas notícias da cidade. O litorâneo está cansado das más notícias. Temos que levantar a nossa região, mesmo porque, a imagem da TVCI vai além do litoral do Paraná.

 

JB – Existe a possibilidade de você estar com o nome nas urnas em 2018?

Alceuzinho Maron – Existe sim. Fui Deputado Estadual e me senti muito a vontade naquele mandato para representar a população do litoral, me senti muito honrado pela população do litoral ter me dado aquela oportunidade e persigo isto, em voltar a ser deputado estadual. Pode ser que não seja na próxima eleição, mas guardo no coração que ficou um gostinho de quero mais. Agora eleição e candidatura não depende só da gente. Depende de a gente mostrar que tem condições de mandatário, mas, sobretudo, do quanto a população quer eleger, de fato, um representante da região.

Acho que a questão de todo mundo querer ser candidato vai atrapalhar muito. Em 2014 tinha deixado de ser deputado estadual e vi que o quadro estava muito turbulento, muitas candidaturas, vi que minha candidatura não ia ajudar Paranaguá e o Litoral, por isto não saí candidato.
 

“Acho que o político também tem que saber sua hora. Todo político tem vontade de ser candidato toda hora, mas não pode ser candidato de si mesmo. Tem que ser candidato em benefício da população que o elegerá, se pensar apenas na sua carreira política, não vai dar certo”. 
 

Existe esta possiblidade. Tem sido conversado, mas não é uma definição de minha parte sair candidato, posso apoiar outro nome que seja um bom concorrente a Deputado Estadual. Mas temos que mandar para a Assembleia Legislativa e Câmara Federal pessoas com preparo.

Esta coisa de dizer que quero eleger fulano, beltrano, temos que evitar isto. Paranaguá e o Litoral têm pessoas preparadas para ser Deputado Estadual e Federal, só que precisamos realmente fazer estas pessoas serem candidatas. Não pode ser porque o poder vai eleger este ou aquele. Depois nomeia uma pessoa que não tem condições de representar é a mesma coisa que não eleger. É um crime alguém chegar direto em uma Presidência da República, tem que ter cargo que o prepare porque a vida é uma experiência.
 

“Figuras queridinhas, sorridentes e até joviais têm de monte por aí, mas temos que saber quem tem preparo para ser deputado”.

 

JB – O que podemos esperar do futuro comunicador na TVCI a partir de amanhã, dia 24?

Alceuzinho Maron – Sempre fui muito curioso, acompanho programa jornalístico, pois sempre gostei de me informar, faço isto diariamente, fora de qualquer interesse profissional, mas agora estou fazendo já com interesse profissional e procurando aprender. Assistindo somos muitos críticos dos programas, agora quem tem que fazer serei eu e a nossa equipe do programa.

Então é com espírito de bastante humildade e aprendizado que me encontro. Neste momento tenho que aprender com quem já fez e com quem está fazendo e só tenho a ganhar, se eu aprender. Estou com muita vontade de acertar, vamos procurar oferecer a melhor qualidade.

Vamos ouvir bastante a população, estaremos abertos no Facebook, Whatsapp e Twitter, em uma interação direta com a população. Até para ela dizer o que está dando certo ou o errado no programa. Hoje tem uma maneira gratuita de saber isto e nem precisa fazer pesquisa, que são as redes sociais. Para a gente ouvir do povo se está bom ou não e o que precisa melhorar. É com este espírito que estamos, para que o programa não seja uma obra do Alceuzinho e sim uma obra conjunta, minha, da TVCI, da equipe que deposito muita fé e da população. Esta, por sinal, é quem dará o veredito, se estamos indo no caminho certo ou não.

 

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