Apesar da Recomendação do MPPR, ilhas de Guaraqueçaba continuam com lixão a céu aberto

por Redação JB Litoral
28/02/2019 17:48 (Última atualização: 09/01/2021)

Próximo do depósito, o perigo de garrafas de bebidas espalhadas

Considerada como um dos ecossistemas com maior biodiversidade do mundo, Guaraqueçaba está localizada num dos trechos mais preservados de Mata Atlântica do Brasil. Com 19 paradisíacas ilhas, vistas como verdadeiros santuários ecológicos pelos muitos turistas e ambientalistas internacionais, o município vive o descaso do Poder Público no que diz respeito à coleta e destino final do lixo em praias, margens e manguezais.

A situação tem sido denunciada desde 2017 pelo Presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Alcendino Ferreira Barbosa (PSDB), o Thuca da Saúde. Devido ao problema, o Prefeito Hayssan Colombes Zahoui (MDB) já teve, inclusive, a Recomendação Administrativa 04/2018 emitida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), em março de 2018, quando o órgão deu prazo de 10 dias para que ele realizasse mutirões e fizesse a imediata limpeza em áreas do município que mantinham depósitos com resíduos a céu aberto. Caso houvesse descumprimento, ele poderia ficar sujeito à responsabilização criminal, administrativa e cível. Na época, o MPPR constatou que havia diversas áreas com dejetos entulhados em locais públicos. O gestor deveria dar a correta destinação à coleta e, também, providenciar a eliminação de criadouros de larvas de mosquitos, além de adotar outras medidas para controle do vetor nos locais indicados.

Prefeitura é reincidente

No entanto, apesar de a recomendação do MP no ano passado, o cenário se repete na cidade, nas ilhas das Peças e Superagui, que, mesmo com a proximidade das festividades de Carnaval, quando milhares de turistas visitam os locais, continuam mantendo grandes quantidades de lixo a céu aberto. “Isto é um descaso do Poder Público e a cidade já é reincidente com relação à situação. Se o Promotor não cobrar, o que nós faremos? ”, questionou Thuca da Saúde.

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“Isto é um descaso do Poder Público…Se o Promotor não cobrar, o que nós faremos?”

Vale lembrar que a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis Guará (ACRM), desde 2017, recebe recursos para realizar a limpeza do município, em atendimento à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Apenas no ano passado, a associação recebeu mais de R$ 580 mil para prestar o serviço. Thuca afirma que a ACRM Guará é responsável pela atividade de coleta seletiva, por meio dos coletores nas áreas urbana, rural e insular. Cabe à entidade fazer a triagem dos materiais e destinação final e correta dos resíduos, assim como limpeza pública, varrição das ruas centrais entre outros. Porém, o problema do acúmulo continua existindo nas ilhas da cidade.

Lixo internacional

Em setembro de 2018, a ONG Parceiros do Mar, em uma ação com mais de 30 voluntários, promoveu uma coleta na praia da Unidade de Conservação do Superagui, localizada em Guaraqueçaba. Apesar de a área ser uma das mais importantes reservas ambientais do litoral paranaense, os voluntários ficaram preocupados com a quantidade de lixo recolhido na orla: 47 sacos, com um total de 120 quilos de resíduos tirados da areia e da restinga da localidade. Entre tudo o que foi encontrado havia, inclusive, sujeira internacional.

De julho a setembro de 2018, a ONG realizou quatro limpezas na região e, mesmo assim, a demanda para o recolhimento dos detritos era crescente a cada mês.

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