Arrendamento do 09A pode ter atratividade comprometida pela necessidade de mais obras

Comunidade portuária aguarda edital que deverá contemplar pelo menos parte do tão esperado píer em “F”

por Redação
01/02/2021 19:40 (Última atualização: 4 semanas atrás)

A previsão é que a obra do píer seja incluída no projeto de arrendamento do PAR 09A. (Fotos/Portos do Paraná)

Por Magaléa Mazziotti


A comunidade portuária e, principalmente, empresários que atuam na operação sabem da importância da construção do píer em “F”, do lado oeste do Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá. A obra pode se tornar realidade dentro de alguns anos ou, pelo menos, ser viabilizada parte dela com um “L” invertido. Tudo dependerá de como será feito o projeto do PAR 09A, única área de granéis sólidos fora do setor leste do Correx, que integra o cronograma deste ano de arrendamentos capitaneados pela Portos do Paraná. Esta semana será decisiva para a definição das condições e investimentos que irão compor os editais dessa área e das outras duas (PAR 14 e PAR 15), já que a partir de terça-feira (dia 2) a EPL (Empresa de Planejamento e Logística) dará início à visita técnica nos três terminais.

Ao que tudo indica, a obra do píer será incluída no projeto, isso porque a projeção da Portos do Paraná prevê um investimento aproximado da ordem de R$ 336.817.932,99 para a área de 21.577 m². “Talvez não seja todo o ‘F’, mas a primeira perna, um formato de ‘L’ invertido, deve ser viabilizada pelo arrendamento do 09A”, afirma Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná. Isso pode ser um fator que comprometa o interesse no setor oeste, pois tais investimentos já existem na parte leste do Correx, como avaliam especialistas do setor portuário.

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O berço 201 foi modernizado e o cais de atracação foi prolongado em 100 metros para atrair mais investimentos (Foto: Rodrigo Félix Leal)

O setor produtivo entende que a atratividade da área do 09A, hoje operada pela Bunge via contrato de transição, dependerá do que estiver previsto para a expansão de infraestrutura marítima, melhoria de acessos rodoviários e ferroviários e retroárea (espaço adjacente).

As licitações das áreas de granéis serão impactadas pelo que for definido tanto nos novos contratos de pedágios, que interferem em nossos custos, quanto nas obras públicas e privadas a serem feitas para a melhoria dos fluxos de cargas e que também terão que vislumbrar uma retroárea. São esses pontos que vão determinar o sucesso dos leilões”, analisa Gilson Luiz Anizelli, superintendente da Cotriguaçu Cooperativa Central.

Ferrovia também é fundamental

A Cotriguaçu reúne as quatro maiores Cooperativas do Oeste do Paraná (Lar, Copacol, Coopavel e Cvale), foi a primeira a se instalar no Correx e teve seu terminal inaugurado, em 1977, pelo presidente Ernesto Geisel.

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“Não concordamos com o valor do pedágio, articulamos para evoluir o transporte por ferrovia, tanto que acabamos de investir R$ 7 milhões em 2,5 mil metros de ferrovia no desvio ferroviário para dar conta da safra que vamos embarcar no porto. Ainda não tratamos do arrendamento do 9A, mas vejo que Moegão, pedágio e retroárea são os fatores que irão atrair outros investidores. Do contrário, quem já está na área tende a permanecer, pois fica mais vantajoso”, acrescenta. Anizelli reconhece que o porto vive um período positivo e de fácil diálogo o que motiva todos os envolvidos a fazerem a sua parte.

“Tanto o associativismo como o cooperativismo estão muito unidos e aparelhando os governos para a tomada das decisões, ainda mais no que envolve o Porto de Paranaguá, que é de todo o Mercosul. As lideranças do G7 e seus representantes regionais fazem isso de forma voluntária para que as demandas, que há mais de 20 anos buscamos, se tornem realidade, como o melhor escoamento pela ferrovia, pensando no futuro das próximas gerações”, acrescenta Flavio Furlan, presidente da Caciopar (Coordenadoria das 46 Associações Comerciais e Empresariais do Oeste), uma das 12 regionais da FACIAP (Federação da Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná).

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: Flavio Furlan, Presidente da Caciopar (Foto: Divulgação)

Se não tratarmos agora de ferrovia, não avançaremos. Assim como se alguém não tivesse pensado lá atrás no Correx, não teríamos a movimentação de hoje”, compara Anizelli.

Pontapé inicial na remodelação do Correx foi no setor oeste

O diretor-presidente da Portos do Paraná acredita que a atratividade do PAR 09A será tão grande quanto das demais áreas de granéis sólidos (14 e 15). Ele lembra que a empresa pública fez a sua parte, investindo na modernização do berço 201 e o aumento do cais de atracação que foi prolongado em 100 metros. “Entendo que faz mais sentido para as empresas que já estão lá, mas considero que a atratividade pelo 09A será alta, dado os investimentos que fizemos. Inclusive, foi o setor oeste a receber o primeiro aporte, com mais de R$ 200 milhões nas obras para ganho de eficiência do berço 201, algo que puxou o investimento e os planos da Cavalca Administração Portuária (CAP – antiga Moinho do Iguaçu)”, defende Garcia. A EPL esclarece que, sobre o contrato do PAR 09A, após a conclusão dos estudos iniciados no 1º trimestre deste ano, todo o cenário de operação do porto será avaliado para que sejam definidos os investimentos e melhorias necessárias para o terminal a ser arrendado.

EPL assina estudos técnicos das concessões de áreas portuárias e estradas

A EPL é a mesma empresa que desenvolveu os estudos técnicos para a concessão dos 3.327 quilômetros de rodovias estaduais e federais no estado do Paraná aprovados na semana passada pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). No caso dos arrendamentos portuários é a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) que aprova e disponibiliza os editais e contratos para as etapas de consulta e audiência pública, fase em que se encontram o PAR 32, de carga geral, e o PAR 50, de granel líquido. Ainda nesta semana, haverá a audiência pública do PAR 32 (no dia 4) e PAR 50 (no dia 5). Com isso, os editais seguirão para o TCU (Tribunal de Contas da União) e, se tudo for aprovado, em cem dias deve haver os leilões de concessão na Bolsa de Valores do Brasil, a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão). A expectativa da Portos do Paraná é que o mesmo ocorra com o PAR 09A, PAR 14 e PAR 15, ainda em 2021

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