373 ANOS DE PARANAGUÁ

Atividade pesqueira rende mais de 60 variedades, com predominância do camarão

Por Marinna Prota
28/07/2021 13:29 |
Atualizado em 13:31

Os números não deixam dúvida da importância da pesca para Paranaguá. Um relatório, elaborado pela Portos do Paraná, aponta detalhes da atividade em todo o litoral paranaense, com destaque para o que acontece na maior cidade da região. Os dados reforçam a capacidade e a relevância dessa prática econômica e cultural. Mesmo sendo feita de forma artesanal e em grande parte apenas dentro da baía, o volume é considerado muito bom.

O estudo contabiliza 669 pescadores parnanguaras cadastrados – número referente a 2017, no extinto Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), sendo a segunda maior comunidade pesqueira do litoral.  Ao todo, segundo o relatório, são 2849 pescadores que moram em 14 comunidades localizadas em Antonina, Guaraqueçaba, Morretes, Paranaguá e Pontal do Paraná.

Nativo da Ilha do Mel, Adriano Pereira Rodrigues tem 44 anos e há 22 vive da pesca. Ele sentiu os efeitos provocados pela pandemia. Por quase dois meses, não tinha para quem entregar os pescados e precisou se virar com as economias. “Eu sempre deixo uma reserva para as emergências. É pouco, mas ajuda. Mas muita gente passou por dificuldades”, afirma.     

A produção desses trabalhadores é entregue em sete entrepostos monitorados e espalhados ao longo da orla. É partir desses locais que são coletadas as informações sobre a pesca. Até o número de embarcações que chegam aos entrepostos são contados: foram 662, em 2020.

PRODUÇÃO

Outro dado curioso, que mostra a potencialidade da região nessa atividade econômica, é a quantidade de desembarques realizados nos entrepostos, cerca de 5.300 ao todo. Essa movimentação trouxe à terra firme, aproximadamente, 224 toneladas de pescados, que representou uma renda bruta de R$ 2,5 milhões. O Mercado de Paranaguá foi o entreposto com a maior movimentação de desembarque.

Entre as mais de 60 variedades de pescados, existentes no litoral paranaense, no topo, com a maior quantidade, está o camarão sete barbas. Em 2020, foram 56 toneladas capturadas, ou seja, 26% da produção total, que representa pouco mais de R$ 657 mil em renda bruta. Em seguida, vem a tainha com 25,5 toneladas, que renderam o valor bruto de R$ 213 mil.

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Incentivar a população a aumentar o consumo de pescado é uma forma de estimular ainda mais os pescadores e toda a cadeia envolvida no processo. Recentemente, a Portos do Paraná elaborou uma ação em restaurantes e hotéis no sentido de valorizar cada vez mais a atividade pesqueira. Mas é certo que tal trabalho precisa subir a serra e ser ampliado para o interior do estado, ir além das cidades litorâneas e de Curitiba. Expandir o mercado significa trazer mais recursos para as cerca de 6 mil famílias litorâneas que vivem de forma direta e indireta da pesca artesanal.

POTENCIALIDADE

Apesar dos bons números, Adriano acredita que outras medidas também precisam ser tomadas, principalmente dentro da baía, para garantir a reprodução dos peixes e camarões. Ele afirma que a poluição tem comprometido a quantidade das espécies, que vem diminuindo ano a ano. Essa também é a opinião de Jorge da Silva França, que preside a Associação Caiçara. Ele afirma que apenas 20% de todo o potencial pesqueiro de Paranaguá é devidamente explorado pelos moradores locais.

Segundo o representante da categoria, grande parte do território tem sido ocupada por barcos grandes que vêm de São Paulo ou de Santa Catarina. “Se tivesse mais estrutura para apoiar os pescadores haveria uma produção muito maior”. Ele também reclama sobre o fechamento de escritórios que emitiam licenças ou a documentação dos pescadores e dos barcos. “Querem que a gente faça tudo pela internet, mas a maioria aqui não sabe usar computador, nem estudo a gente tem”, lamenta. Também aponta a dificuldade de ancorar os barcos, por problemas de trapiches e da falta de uma cadeia de suporte. “Quando precisamos de gelo temos que buscar em Guaratuba, porque aqui não tem nenhuma fábrica”, afirma. Dos 62 anos vividos, 28 foram na pesca, que ele espera que seja cada vez mais rentável e abundante.

Por Katia Brembatti e Regis Rieger