Balanço do ano e prospecções da Portos: medidas contra pandemia, recorde e projetos para 2021

por Redação JB Litoral
30/12/2020 17:19 (Última atualização: 30/12/2020)

Foto/ José Fernando Ogura/ANPr

Por Amanda Yargas

Logo no começo do ano, quando chegaram as primeiras informações sobre o novo vírus que estava se espalhando pela China, um dos principais destinos da carga embarcada no Estado, a empresa pública Portos do Paraná começou a preparar um protocolo de segurança sanitária. No final de janeiro, cartazes com orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde já estavam sendo distribuídos na zona portuária em três idiomas: português, inglês e mandarim, a língua falada no país asiático. O plano de contingência foi acionado, embarcações e tripulantes vindos de áreas epidêmicas seguiam protocolos diferenciados.

Quando a pandemia chegou oficialmente ao litoral, no último dia de março, os portos contavam com estrutura extra de higienização das mãos, equipes médicas atendendo 24 horas e um site informativo para combater fake news. “O que a gente sempre colocou é que só pararíamos se fosse uma consequência da paralisação da cadeia logística, os caminhões deixassem de circular, os trens deixassem de trafegar e as embarcações deixassem de aportar ao porto. Fora isso, nós continuaríamos o nosso trabalho”, enfatizou o diretor-presidente da Portos, Luiz Fernando Garcia da Silva.  O fechamento do porto, além de impactar profundamente a economia do Estado, também cerraria uma porta de entrada de equipamentos e medicamentos para combater o coronavírus.

Para preparar as medidas de proteção sanitária, o diretor-empresarial André Pioli conta que foram gastos cerca de R$ 6,5 milhões: “foi um investimento em proteção para os trabalhadores portuários e caminhoneiros que passam por aqui, todos os dias”.

Os portos do Paraná foram os primeiros a ter equipes médicas atuando especificamente na prevenção contra o coronavírus. Desde que começaram a atuar, os profissionais dos dois postos médicos e dos dois postos de enfermagem fizeram em torno de 1 milhão e 300 mil aferições de temperatura. Casos suspeitos são encaminhados de acordo com os protocolos das autoridades de saúde pública.

O diretor-presidente conta que a população local temia que o porto se transformasse em um foco disseminação do vírus, “mas todas essas medidas deram conforto para a comunidade, para o trabalhador, para que todo mundo se engajasse de fato e tivesse a condição primeiro psicológica e depois física de proceder com seus afazeres para a gente atender essa demanda tão importante”, considerou Luiz Fernando.

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Diretor-presidente da APPA, Luiz Fernando Garcia da Silva ressaltou a importância estratégica e econômica do porto, inclusive para chegada de insumos contra a pandemia (Foto/Luiz Felipe Alves/JB Litoral)

Ano recorde

Apesar da crise econômica que veio na esteira da pandemia, as atividades portuárias foram pouco impactadas. Um decreto estadual permitia o funcionamento de restaurantes e lanchonetes nas rodovias, considerados serviços essenciais, mas muitos caminhoneiros chegavam ao porto depois de mais de oito horas sem uma refeição. Naquela época, não se sabia exatamente como o vírus se disseminava e muitos estabelecimentos fecharam mesmo com a autorização de funcionamento, e os que estavam atendendo ficavam cheios.  Por iniciativa do Governo Estadual, a Portos do Paraná organizou a entrega de 100 mil kits de alimentos básicos para os caminhoneiros.

As empresas de transporte ligavam para o porto perguntando se estávamos fazendo tudo o que estava sendo divulgado, porque queriam dar segurança ao trabalhador. Os reflexos foram sentidos já em março”, contou Luiz Fernando Silva. Apenas uma única vez antes de 2020, o pátio de triagem tinha chegado a marca de 50 mil caminhões em um único mês. Em março, a movimentação mensal chegou a quase 56 mil e em abril a marca foi superada novamente, com 58,5 mil. Em maio, o movimento chegou a quase 60 mil caminhões.

O resultado disso foi a superação da marca histórica de movimentação de produtos, que era de 53,3 milhões de toneladas, já no dia 30 de novembro. A expectativa é que o ano feche em cerca de 57 milhões de toneladas.  “O porto não depende de si só para ter um movimento espetacular, a logística de chegada tem que ajudar, o preço do produto no mercado internacional, a cotação cambial, e tudo isso ajudou”, explicou o diretor-presidente.

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A gestão dos portos do Paraná foi reconhecida como a melhor na área pública do país
pelo prêmio Portos + Brasil. (da esq. para dir. Luiz Fernando Garcia da Silva diretor
presidente da APPA, governador Ratinho Jr, secretario estadual de Infraestrutura Logística,
Sandro Alex)

Segundo Pioli, a empresa conseguiu alcançar o máximo de produtividade no escoamento das safras, em especial de soja e açúcar. “Isso representa ganho para toda a cadeia logística, do porto ao campo, já que significa redução dos custos e maior lucratividade. Para 2021, nossas expectativas são ainda maiores e melhores”.

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Por todas estas medidas, a gestão dos portos do Paraná foi reconhecida como a melhor na área pública do país. A APPA foi vencedora de duas das quatro categorias do prêmio “Portos + Brasil”, entregue pelo Ministério da Infraestrutura. O Paraná alcançou a maior nota no Índice de Gestão das Autoridades Portuárias (IGAP): 90 pontos. O Estado foi o primeiro e o único a receber autonomia total na administração dos contratos de exploração dos portos organizados.

pioli portos
André Pioli, diretor empresarial da Portos do Paraná, diz que obras tornam a empresa mais competitiva e o resultado foi sentido nos recordes deste ano. Foto/Claudio Neves

Novos projetos

Na última sexta-feira (18), uma área de 74 mil metros quadrados, destinada à movimentação de veículos, foi arrendada por R$ 25 milhões em leilão na B3, a bolsa de valores.  A empresa vencedora, Ascensus Gestão e Participações, representada pela corretora do Itaú, tem a obrigação de fazer investimentos de R$ 22 milhões ao longo de 25 anos, além de pagamentos ordinários mensais pela ocupação.  “Trocamos mato por dinheiro, por investimento, por emprego e todo seu reflexo multiplicador na cadeia, seja laboral ou operacional”, avaliou Silva. A administração separou 6 áreas que podem ser arrendadas e outras 5 licitações estão previstas para 2021. Duas delas foram autorizadas também na sexta-feira pela agência reguladora e a consulta pública que é parte do processo licitatório deve ser aberta nesta segunda-feira (21).

O diretor-presidente defendeu ainda que é necessário investir no modal ferroviário, estruturando melhor a recepção dos trens. “Este projeto do Moegão talvez seja um grande marco para que isso aconteça e a gente consiga saltar dos 14% para até 50% na participação da ferrovia no trânsito das cargas em Paranaguá”.

Neste ano, o berço 201 foi modernizado e o cais de atracação foi ampliado em 100 metros, investimentos que somam R$ 201,7 milhões. A expectativa é que a obra aumente em 140% a capacidade atual de movimentação de cargas no Corredor Oeste de Exportação, modelo que pode ser replicado no Leste.  “Certamente, no próximo ano já sentiremos os bons resultados da recente expansão do berço 201, da dragagem de manutenção, garantida para os próximos quatro anos, e a tão aguardada obra de derrocagem”, ponderou Pioli.

“Sem dragagem nós paramos”

Segundo o diretor-presidente, como o porto se encontra em uma baía, é menos afetado por condições meteorológicas e marítimas adversas, mas tem uma condição hidrodinâmica de maior assoreamento, por isso a dragagem é indispensável. “Sem dragagem nós paramos, a dragagem é nosso ar”, enfatizou.  Silva disse que a obra visa a segurança e a competitividade do porto. Segundo ele, cada metro a mais no calado operacional representa um aumento médio de capacidade de transporte de 7 mil toneladas por navio, ou seja, de 10% no volume transportado. “Isso gera um aumento de escala e o produto brasileiro consegue, com isso, agregar um valor maior e apresentar um custo menor comparado a concorrentes internacionais”, afirmou.

Desde o início de 2019 o porto tem trabalhado junto aos armadores de navios de passageiros para fazer do Litoral do Paraná um ponto de parada de cruzeiros. Pioli explica que a ideia não é atracar no porto, mas sim, fundear na Ilha do Mel. Por isso, uma obra que prevê a construção de 14 trapiches nas comunidades, sendo 2 na Ilha do Mel, está sendo acelerada.

Existe um estudo que diz que cada turista que desembarca de um navio deixa R$ 500. E são muitos turistas. Isso vai gerar trabalho na gastronomia, na hotelaria, no artesanato”, contou o diretor empresarial.

Andre Pioli, Diretor Empresarial

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