88% das mortes por Covid no HRL, em 2022, foram de pessoas sem vacina ou com imunização incompleta


Por Luiza Rampelotti

Apesar de não existir nenhum levantamento do Ministério da Saúde sobre o impacto da vacinação na prevenção dos casos graves e mortes por coronavírus, os especialistas em saúde alertam: o Brasil vive, hoje, a epidemia dos não vacinados ou que não têm a vacinação completa. Eles são a maioria das vítimas pela doença nesta atual fase da pandemia.  

No Paraná não é diferente. Segundo a secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o número de pacientes entre 12 e 59 anos que morreram vítimas da Covid-19 é 23 vezes maior entre os não vacinados do que entre aqueles que se imunizaram contra a doença.

Já entre os idosos, a taxa é 27,6 vezes maior. Isso significa que as pessoas não vacinadas têm mais chances de desenvolver a forma grave do coronavírus. Os dados levam em consideração os casos registrados entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, e apontam que vacinados têm uma chance 22 vezes menor de morrer pela doença.

Quando a vacina finalmente chegou ao Brasil, trazida pelo Governo Federal, em janeiro de 2021, as pessoas acreditavam que logo a pandemia acabaria e que poderiam retornar à vida normal, com menos luto e tristeza, como vinha acontecendo há tantos meses. Apesar de, em certo momento, os casos de coronavírus realmente terem diminuído, bem como as mortes, não demorou muito para que voltasse a se registrar novos picos altíssimos.

O rápido aumento de casos, que já bateu o recorde de infecções registradas em 24 horas, em janeiro deste ano, está relacionado à propagação da variante ômicron, do novo coronavírus. No Litoral do Paraná, as festas de final de ano também influenciaram na elevação dos números, segundo o diretor da 1ª Regional de Saúde, Leovaldo Bonfim Pinto.

Aumento dos casos no Litoral

“A partir do dia 9 de janeiro deste ano, tivemos uma elevação significativa nas notificações de casos na região litorânea, muito influenciada pelas festas de final de ano e fortemente ligada à variante ômicron, de maior transmissibilidade”, diz Leovaldo.

Diretor da 1ª Regional de Saúde alerta para a importância de se completar o ciclo vacinal.

De acordo com ele, os últimos três meses de 2021 vinham sendo de declínio nos casos confirmados. Dezembro, por exemplo, foi o mês com o menor número de pacientes internados por coronavírus no Hospital Regional do Litoral (HRL), com 48 pacientes para o litoral todo. 

Atualmente, o HRL, unidade referência no atendimento a pacientes em estado grave das sete cidades da região, possui 32 pessoas internadas devido à Covid-19 – este número é três vezes maior se comparado à primeira quinzena do mês passado, quando havia 10 internados.

Além disso, até a conclusão desta reportagem, 30 pessoas já haviam falecido por conta da doença em 2022.  A maioria desses indivíduos não tinha completado o esquema vacinal.

Maioria dos mortos não tinha completado o esquema vacinal

“88% dos óbitos estavam com esquema vacinal incompleto, ou seja, não haviam tomado a dose de reforço. Desses, 35% tomaram apenas uma ou nenhuma dose”, explica Leovaldo.

Ele conta que a maioria dos internados também não completaram o ciclo vacinal. Cerca de 86% dos internados na UTI Covid não tomaram todas as doses das vacinas disponíveis, e 29% sequer chegaram a primeira etapa.

O diretor da 1ª Regional de Saúde destaca a importância da vacinação contra o coronavírus: “É muito importante que seja completado o esquema vacinal com a aplicação do reforço, levando-se em consideração o elevado número de óbitos e internamentos em UTI de pessoas que não tomaram a dose de reforço. Além disso, após decorridos aproximadamente 6 meses da 2ª dose recebida, acontece uma diminuição gradual da resposta imunológica no combate ao vírus pelo organismo, deixando a pessoa mais suscetível a adquirir a doença na forma mais grave”, reforça.

Vale destacar que os especialistas enfatizam que a vacina não é capaz de barrar completamente a infecção, mas, em seu esquema completo, previne os casos mais graves e mortes. Por isso, a recomendação é de que as pessoas procurem a dose de reforço.

Estudos já mostraram que os imunizantes da Pfizer e da AstraZeneca, por exemplo, têm perda de eficácia contra a nova variante, mas mantêm significativo grau de proteção quando tomadas as três doses. Já a vacina de dose única, Janssen, também precisa de um reforço após dois meses da primeira aplicação.

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