A tradição está de volta: Paranaguá retoma desfile das escolas de samba com show de cores, música e cultura


Por Gabriela Perecin

Com show de cores, música e cultura realizado pelas comunidades, Paranaguá retomou o desfile das escolas de samba no domingo, 15, na Praça de Eventos no Centro Histórico. A tradição tomou conta da avenida com enredos e fantasias elaborados pelas agremiações.

Amigos do Samba reabriu o desfile em Paranaguá. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral
Amigos do Samba reabriu o desfile em Paranaguá. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

O bloco Amigos do Samba deu o pontapé na avenida, seguido das escolas: Leão da Estradinha, Filhos da Gaviões, Unidos da Ponta do Caju e União da Ilha do Valadares, com apresentações únicas após cinco anos sem poder desfilar.

Bloco Amigos do Samba abriu o desfile. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

O prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos (Republicanos), garantiu que este é o primeiro de muitos desfiles que acontecerão para valorizar a manifestação cultural no município.

“Tivemos um pré- Carnaval que marcou a história carnavalesca da cidade e hoje finalizando com o desfile das escolas de samba. Duas coisas me chamam muito a atenção: a motivação e alegria dos componentes das escolas de poder voltar para a avenida depois de cinco anos. Paranaguá retorna com nota 10 a todas as escolas e para toda a organização”, disse o prefeito.

Para o presidente da Associação das Escolas de Samba de Paranaguá (AESP), Márcio Costa, a retomada do desfile representa a celebração da alegria dos paranguaras. “Há um esforço conjunto de todas as escolas de samba. Meu sentimento é de missão cumprida de conseguir trazer todo mundo para a avenida, eles merecem e fizeram um bom trabalho”, destacou Márcio.

A vice-prefeita de Paranaguá, Fabiana Parro, relatou que sentiu a emoção dos membros das escolas de samba. “Eu entendi o quanto é importante para essas comunidades fazerem esse resgate. Esse é um dia muito especial, poder estar aqui com essa estrutura e todos podendo curtir com segurança. O Carnaval para Toda Gente é isso, poder vir com toda a família”, disse Fabiana.

O secretário municipal de Cultura e Turismo, José Reis de Freitas Neto, o Juca, falou sobre o processo de organização e planejamento para poder voltar com o evento para a cidade. “Foi um processo longo, de muita conversa e respeito. As escolas se esforçaram muito. Vamos fazer história. É o Carnaval que volta com força total”, declarou Juca.

Público prestigiou as agremiações na avenida. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

Agremiações levaram alegria para a avenida

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Leão da Estradinha trabalhou o tema “Com que roupa eu vou”. A escola foi fundada em 24 de abril de 1994 pelo carnavalesco Dicesar Tramujas, personalidade conhecida em Paranaguá que faleceu em 2021.

A rainha de bateria da Leão da Estradinha comemorou a volta do desfile em Paranaguá. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

Gislaine Cristine da Silva desfilou pela primeira vez no Leão da Estradinha como rainha de bateria. “Bateu um nervosismo, mas é muito gratificante participar e enxergar a luta da escola depois de tantos anos sem Carnaval. É lindo ver o envolvimento das pessoas, a nossa cidade precisa cada vez mais de eventos como esse para chamar o turismo e a diversão”, declarou.

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O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Filhos da Gaviões traz como enredo para este ano a Santa Josefina Bakhita – Fé na adversidade. A escola foi fundada em 2003 e a composição do samba enredo é de Toninho Penteado.

O presidente da Filhos da Gaviões, Claudio Apiacas, destacou a motivação da comunidade para marcar a retomada do desfile. “Sempre tivemos essa tradição na nossa cidade e sentimos por essa pausa grande, porque o retorno é difícil, agregar outras pessoas para nos ajudar também é muito difícil, mas fizemos um Carnaval bonito para em 2027 estar novamente na passarela do samba e fazer um Carnaval ainda melhor”, afirmou Claudio.

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A rainha de bateria da Filhões da Gaviões, Suria Vieira dos Santos, participar há 17 anos do Carnaval de Paranaguá. “Estamos de volta, estava tranquila, só aguardando a retomada do Carnaval. Já participei como rainha de bateria em outra agremiação e também como passista, sempre prestigiando”, disse.

Rainha de bateria da Filhos da Gaviões falou da alegria em participar do Carnaval. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

A Unidos da Ponta do Caju levou para a avenida “A magia do número 7 – do misticismo ao mundano”. Fundada em fevereiro de 1985, a escola trouxe a composição da carnavalesca Ana Kienteka para o samba enredo.

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Campeã por sete anos consecutivos (de 2014 a 2020) de Paranaguá, a escola de samba União da Ilha trouxe como tema do samba enredo deste ano “Axé a esse povo guerreiro, de reis e rainhas. A ilha é África”.

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A professora de dança e rainha de bateria da União da Ilha, Gisele Regina Pereira Simões, realizou o sonho de sair na avenida como representante do coração da escola. “É um sonho que estou realizando, sempre quis e esse dia chegou e ficará marcado na minha história. Faz três anos que participo, fui rainha do Carnaval em 2011, engravidei, já desfile grávida e para mim é maravilhoso”, afirmou Gisele.

A rainha de bateria da União da Ilha, Gisele Regina, falou da emoção de voltar para a avenida. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

Público prestigiou a festa

O garçom Marcos Antonio de Souza acompanha o Carnaval em Paranaguá e tem carinho especial pela agremiação União da Ilha, campeã por sete anos consecutivos. “Eu adorei a volta do desfile e a minha expectativa ficou para a União da Ilha, minha torcida vai para eles, foi a escola que me acolheu, que mais me identifiquei e que neste ano acho que vai levar o título novamente”, contou Marcos.

Marcos não deixa de acompanhar o desfile e destaca sua torcida pela União da Ilha. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

A assistente administrativa, Rita Alves, mora em Curitiba e acompanhou pela primeira vez o evento em Paranaguá na arquibancada. “Estou adorando, o clima é diferente do Carnaval de Curitiba. Gostei de tudo, da energia das pessoas”, enfatizou a curitibana.

Valdir Lopes escolhe Paranaguá para ser sua casa no Carnaval há 30 anos. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

Há 30 anos no Carnaval de Paranaguá, o porteiro industrial em Curitiba, Valdir Lopes, disse que recarrega as baterias na cidade mãe do Paraná. “Paranaguá me adotou e a forma que posso retribuir é vindo dar esse show porque eu acho que o Carnaval de Paranaguá é maravilhoso, as pessoas daqui são incríveis, são cartinhosas, te recebem bem, não consigo me adaptar a outra cidade que não seja aqui para o meu Carnaval”, relatou Valdir.

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