Acompanhado do pai e advogado, autor de feminicídio se apresenta na delegacia e sai pela porta da frente


Por Luiza Rampelotti

Geovane Godoi Bahia, de 29 anos, autor do feminicídio de Izabel Cristina da Silva Cardoso, de 26 anos, se apresentou, acompanhado do pai e advogado, na Delegacia de Polícia de Paranaguá na manhã desta terça-feira (4). Ele cometeu o crime no domingo (2) e não foi encontrado desde então. Durante o depoimento, permaneceu em silêncio e na sequência foi liberado.

De acordo com o delegado Rogério Martin de Castro, o homem foi ouvido e liberado. “Não há flagrante, pois o crime ocorreu no domingo e ainda não é possível efetuar prisões por conta da lei eleitoral”, informou ao JB Litoral.

A Polícia Civil afirmou que instaurou um inquérito policial para investigar o caso e realiza diligências a fim de esclarecer o fato. Aguarda-se a conclusão do procedimento que deve culminar na representação em mandado de prisão preventiva pela autoridade policial.

O assassinato foi descoberto depois que o advogado ligou para a Polícia Militar, informando que seu cliente havia telefonado e relatado que o filho tinha matado a esposa durante a noite, e que o corpo estaria na residência da vítima, na rua Ayro Carvalho Cruz, Vale do Sol.

Quando as equipes da PM chegaram ao local, confirmaram a informação e encontraram a mulher em óbito na cama. A possível causa da morte foram agressões, principalmente no rosto.

Segundo o que foi investigado pelos policiais, após cometer o crime, Geovane foi até a casa do seu pai, onde contou o que tinha acontecido, e saiu, sem retornar à residência. Depois disso, ele não foi mais localizado.

Izabel tinha dois filhos pequenos.

Pena de feminicídio

O feminicídio é uma qualificadora do crime de homicídio doloso, praticado contra a mulher por “razões da condição de sexo feminino”. Atualmente, a pena estabelecida é de 12 a 30 anos de prisão.

Entretanto, desde o ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1568/2019, que aumenta a pena mínima nos casos de feminicídio, bem como aumenta a rigidez quanto à progressão de regime do mesmo crime.  

Desse modo, o feminicídio passaria a figurar como um tipo penal específico no Código Penal, tendo o projeto estabelecido como pena o total de 15 a 30 anos de reclusão. Porém, o PL está aguardando apreciação pelo Senado Federal.

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