Álcool e sensação de “dar conta” estão entre os principais erros que levam a afogamentos no Litoral


Por Gabriela Perecin

Os principais erros cometidos por banhistas no Litoral do Paraná que causam afogamentos são o uso de bebida alcoólica e a utilização de pranchas que podem dar a sensação de segurança, como informou o Corpo de Bombeiros do Paraná (CBMPR). Desde o início da Operação Verão (19 de dezembro de 2025) até o dia 5 de janeiro de 2026, foram contabilizados 444 salvamentos aquáticos.

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Em áreas protegidas por guarda-vidas, o número de afogamentos é menor, pois os banhistas podem ser atendidos de forma mais rápida. Foto: Sesp

Deste total, 397 foram resgates (quando as pessoas não entraram em grau de afogamento). Isso é possível porque as pessoas estão em áreas protegidas e podem receber atendimento dos guarda-vidas com mais velocidade, evitando casos mais graves, de acordo com a capitã do Corpo de Bombeiros do Paraná, Tamires Pereira.

Ela também explicou que a ingestão de álcool diminui os reflexos e a capacidade motora, expondo o banhista a um risco maior. Assim como banhar-se em local não protegido ou fora do horário supervisionado pelos guarda-vidas. “A utilização de boias e pranchinhas na praia também gera uma falsa sensação de segurança e, normalmente, facilita que as vítimas sejam puxadas pela corrente de retorno”, disse Tamires.

Segundo ela, boias e pranchas podem levar as pessoas ainda mais para o fundo e, com isso, cometem o erro de largar os equipamentos e entram em processo de afogamento. Por isso, quem não tem habilidade de natação, não deve confiar nesses itens para ter segurança no mar.

Características do Litoral e atenção dos banhistas

A capitã destaca que o Litoral do Paraná se caracteriza pela presença de buracos e correntes de retorno. As pessoas, às vezes, estão em uma área rasa, mas caem em um buraco e entram em uma condição de desespero e pré-afogamento.

“Se você está em área protegida, o Corpo de Bombeiros consegue sinalizar os locais mais perigosos, sinalizando as correntes de retorno com placas de perigo. E caso você caia em um buraco, a gente consegue visualizar pelo comportamento do banhista e retirá-lo antes que casos mais graves aconteçam”, alertou Tamires.

No período indicado, cinco óbitos foram registrados pelo Corpo de Bombeiros no Litoral. Os afogamentos são classificados de 1 a 6, sendo 1 e 2 “afogamento leve”, 3 e 4 “afogamento moderado” e 5 e 6 “afogamento grave”.

Para a capitã, não há um padrão que possa especificar qual município ou local ocorre mais afogamento. “O que nós podemos confirmar é que todos os afogamentos registrados de graus 5 e 6, que são os riscos elevados de afogamento, ocorreram fora de horário de atuação do Corpo de Bombeiros ou em área não protegida, assim como os óbitos”, afirmou Tamires.

A dica é procurar sempre por locais protegidos e dentro do horário de funcionamento dos postos de guarda-vidas, que é das 8h às 19h.

Atenção redobrada com as crianças

Nas praias, a orientação é para que as crianças fiquem sempre próximas dos pais e responsáveis, no máximo a um braço de distância sobre vigilância atenta de um adulto responsável.

Pulseirinhas de identificação de crianças ajudam na localização rápida dos responsáveis nas praias. Foto: PMPR

Os guarda-vidas já distribuíram mais de seis mil pulseirinhas de identificação, iniciativa que já auxiliou na localização de 485 crianças nesta temporada, que se desencontraram momentaneamente de seus responsáveis.

Além do mar, as piscinas também de casas, condomínios e clubes também são bastante procuradas pela população durante o verão e, da mesma forma, exigem medidas de segurança com as crianças.

A capitã Luisiana Guimarães Cavalca, do CBMPR, disse que a supervisão constante de um adulto é o fator mais determinante para evitar tragédias. “A maioria dos casos em piscinas envolve crianças muito pequenas, que ainda não sabem nadar e que estão próximas da água para pegar um brinquedo ou simplesmente brincando. Elas podem se aproximar sem perceber o risco, cair e, se não houver um adulto por perto, acabam se afogando”, explicou Luisiana.

O responsável deve estar, preferencialmente, dentro da piscina com a criança, para que o resgate seja imediato. As piscinas também devem ter cerca, grade, portão com trava ou lona resistente quando não estiver em uso.

Postos de guarda-vidas

Para essa temporada, o CBMPR conta com 669 bombeiros militares e 362 guarda-vidas civis distribuídos entre a Costa Leste, Costa Oeste e Costa Noroeste. Somente no Litoral, são 607 bombeiros militares e 292 guarda-vidas civis atuando diariamente em ações de prevenção e salvamento, como informado pelo Governo do Estado.

Durante toda a temporada, os banhistas no Litoral têm à disposição 110 postos de guarda-vidas ativos distribuídos entre Pontal do Paraná, Matinhos, Guaratuba, Morretes, Antonina, Guaraqueçaba e Paranaguá. Os postos funcionaram diariamente, das 8h às 19h, com exceção da Ilha do Mel, onde o atendimento ocorre das 9h às 19h.

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