O início da gestão de Eduardo Dalmora (PL) tem sido considerado uma das mais duras para os trabalhadores da cidade de Matinhos. Além de ter causado polêmica ao proibir os funcionários públicos de usarem celulares durante o horário de expediente, o prefeito vem recebendo uma chuva de críticas por parte de outra categoria de trabalhadores: os ambulantes.

O desacordo com a gestão municipal ocorreu justamente durante as negociações para o trabalho no Verão Maior — período em que o município recebe centenas de milhares de visitantes e que é considerado o principal momento para os trabalhadores de rua venderem seus produtos.
O que os ambulantes reclamam é que eles estão proibidos de vender na área dos shows e ficaram obrigados a atuar fora da areia. “A maior reclamação é termos sido jogados para fora dos shows. Estamos impedidos de trabalhar. Até onde eu sei a areia é um local público”, reclamou Estela, uma das ambulantes que trabalha em Matinhos.
Além de estarem longe, eles afirmam que falta respeito com os trabalhadores, isso porque eles não podem nem se proteger da chuva. “Além de ficar em uma área externa totalmente desfavorável, que é do outro lado da rua, os ambulantes ainda foram proibidos de colocar tendas para se proteger da chuva. Eu mesmo fiquei doente por causa dessa proibição ridícula”, diz Almir, outro ambulante da cidade.
Os trabalhadores também reclamam que, além de toda a ação da Prefeitura para dificultar as vendas, também houve a tentativa de colocar uma cerca em volta dos carrinhos para que o comércio fosse ainda mais asfixiado. “Alguns dos meus colegas tiveram que brigar com integrantes da Prefeitura porque queriam colocar grade na frente dos carrinhos para impedir que as pessoas que estavam no evento comprassem com os ambulantes locais. Isso é inimaginável. Por que estão fazendo isso conosco?”, questiona Estela.
Outra parte das críticas é pela falta de interesse em beneficiar vendedores locais. Segundo os ambulantes, a administração municipal tem colocado vendedores de bebida – como o popular capeta – em frente aos carrinhos de moradores da cidade, que, igualmente, vendem bebidas. Ou seja, a concorrência fica ainda mais complicada, pois são pessoas de fora vendendo os mesmos produtos. “Parece que essas pessoas que não são daqui querem tudo para elas. Vão levar todo esse dinheiro para fora da cidade e ninguém faz nada para nos ajudar e impedir essa injustiça”, lamenta Almir.
Segundo os ambulantes, procurar a imprensa foi a única alternativa frente ao descaso da Prefeitura. Isso porque além de terem sido jogados para longe, a concorrência está desleal. Para os trabalhadores, o momento que deveria ser de fazer a economia do município girar, tem mais prejudicado do que beneficiado os próprios munícipes.
Pontal do Paraná resolveu dilema
Também sendo palco dos shows nacionais do Verão Maior, a cidade de Pontal do Paraná foi na contramão de Matinhos e decidiu apoiar os vendedores locais. Por lá, apesar de os ambulantes só terem autorização para venderem durante o dia, houve o entendimento de que seria importante dar oportunidade para que os moradores da região ganhassem dinheiro.
Para que todos se beneficiassem, a Prefeitura autorizou a venda no espaço dos shows em conjunto com a Associação do Comércio Ambulante de Pontal do Paraná (ACAPP), ou seja, no município, as demandas dos trabalhadores de rua foram ouvidas e por lá nenhuma reclamação foi identificada.
Os ambulantes de Matinhos cobram agora que a gestão tenha o mesmo entendimento da administração de Pontal para os próximos shows e autorize a venda na areia.
Outro lado
A Prefeitura de Matinhos foi procurada ao longo da última semana, mas não retornou nossos pedidos de resposta apesar da insistência por parte dos jornalistas e da chefia do JB Litoral.
*A reportagem decidiu preservar a identidade dos reclamantes devido ao receio, entre eles, de possíveis retaliações por parte da administração municipal. Como forma de proteger as fontes, os ambulantes foram citados com nomes fictícios.