
O Governo do Estado do Paraná anunciou, no último dia 20, a construção de 30 novas Casas da Mulher Paranaense com o investimento de R$ 64,5 milhões para ampliar os serviços de fomento ao protagonismo feminino. Antonina foi o único município do Litoral do Paraná escolhido para ter o espaço, alcançado após preencher todos os requisitos exigidos em edital. A expectativa, de acordo com o Governo do Estado, é entregar as 30 casas até 2026.
A Casa da Mulher Paranaense tem como objetivo oferecer atendimento multidisciplinar, qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo e ações de prevenção à violência. Diferente da Casa da Mulher Brasileira, que é construída com recursos do Governo Federal com foco no acolhimento a mulheres vítimas de violência.
A prefeita de Antonina, Rozane Osaki, enfatizou o compromisso com políticas públicas voltadas às mulheres, destacando a importância de um espaço para “fortalecer a participação feminina, promover o diálogo e dar voz às necessidades e sonhos das mulheres de Antonina”.
A secretária municipal especial da Mulher de Antonina, Thaiz Batista Cordeiro, explicou que a seleção ocorreu após o município participar de edital e ter entregue uma série de documentos, entre eles o projeto arquitetônico da Casa. Para participar do edital, os municípios precisavam ter acima de 10 mil habitantes.
Com cerca de 18 mil moradores, Antonina preencheu esse e os demais requisitos. “A Casa da Mulher Paranaense vem pronta, a arquitetura é a mesma em todos os municípios. Para conseguir, tínhamos que ter um terreno que comportasse a obra, pouco mais de 500 mil metros quadrados. Tinha que ter também a sondagem de solo desse terreno para ver se era compatível. Fizemos uma proposta de investimento, com objetivo, dados do município e dados de mulheres vítimas de violência”, disse Thaiz.
Entre as justificativas apontadas pela secretária está a de que a Secretaria da Mulher de Antonina funciona em uma casa alugada. Além disso, a necessidade de construção da Casa também foi atribuída ao alto índice de violência comparado com ao número de habitantes. “Tivemos que comprovar que há uma Secretaria da Mulher no município e um conselho da mulher ativo”, declarou Thaiz.
A secretária de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Leandre Dal Ponte, disse que as novas construções vão fortalecer e consolidar a política da mulher como uma política de Estado. “Essas primeiras 30 casas, que serão construídas em diversas cidades, vêm para consolidar as oportunidades que as mulheres terão de vencer a violência, fortalecer sua autonomia e, principalmente, conquistar independência financeira”, destacou Leandre.
Além de ações de prevenção a violência e oportunidades de qualificação, o Banco da Mulher Paranaense deve ser implantado nas Casas, com linhas de financiamento para apoiar pequenos negócios que tenham mulheres como proprietárias ou sócias.
A supervisão e acompanhamento da obra será realizado pelo Paranacidade, Serviço Social Autônomo vinculado à Secretaria das Cidades (Secid).
Casos de violência justificam a seleção
A secretária da Mulher de Antonina afirmou que o número de casos de violência registrados tem aumentado de forma preocupante. O IPARDES (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) aponta que, em 2022, foram registrados 386 casos; em 2023 foram 485; e, no ano de 2024, foram registrados 530 casos de violência contra a mulher no município.
“Segundo o IBGE, Antonina possui 9.809 mulheres e os casos registrados em 2024 representam aproximadamente 5,4% da população feminina do município como vítimas de violência, número extremamente alarmante”, enfatizou Thaiz.
Um ofício da Delegacia de Polícia de Antonina menciona que, de janeiro a junho de 2025, houve o registro de 47 medidas protetivas vigentes, além de 47 registros de lesão corporal e 102 registros por ameaça.
Sobre o projeto
O modelo da Casa da Mulher Paranaense inclui os projetos arquitetônicos, estrutural, hidrossanitário e elétrico, sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), cabeamento estruturado e prevenção de incêndio. O Governo do Estado prevê fachada personalizada e padrão a todas as casas.
Os municípios selecionados foram classificados conforme critérios técnicos estabelecidos pelo programa, para garantir que todas as regiões estejam cobertas, conforme divulgou o Governo do Estado.