Apesar do aumento no pedágio, obras da BR-277 começam só em 2027


Por Gabriela Perecin

Os motoristas que utilizam a BR-277, que liga Curitiba às praias do Paraná, foram surpreendidos recentemente com o aumento da tarifa anunciado pela concessionária do pedágio, a EPR Litoral Pioneiro. A partir da próxima quinta-feira (28), o valor para automóveis, caminhonetes e furgões, por exemplo, passa de R$ 22,60 para R$ 24,00. No entanto, apesar do aumento, as obras na região do Litoral só começarão a sair do papel em 2027, conforme cronograma da empresa.

Morretes, 29 de agosto de 2023 – BR 277 em Morretes.
Obras precisam ser entregues até o sétimo ano do contrato. Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

A concessionária afirma que o prazo não é atraso, mas cumprimento de etapas contratuais. Segundo o diretor de Engenharia da EPR, Juarez Cordeiro, o programa de obras é dividido em fases definidas pelo Poder Concedente e validadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). “Desde o início da concessão, em fevereiro de 2024, seguimos de acordo com os prazos estabelecidos, inclusive com aprovação da ANTT das entregas realizadas no primeiro ano de operação”, disse.

Para o ano de 2027 (referido como ano quatro da concessão), em Paranaguá, está prevista uma ciclovia com 17 km de extensão; quatro diamantes, que são cruzamentos de estradas que permitem conexões diretas entre as vias, nos km 1,5, 3,50, 4,30 e 6,70; e faixas adicionais com 3,6 km de extensão. Ainda em 2027, de acordo com o cronograma da EPR, o Litoral deve começar a receber obras de passagem de desnível (viaduto) no km 7,68, em Paranaguá, assim como vias marginais.

No primeiro ano de contrato, a empresa afirma ter executado os chamados trabalhos iniciais, com mais de R$ 440 milhões em investimentos em serviços de pavimentação, sinalização, drenagem, terraplenagem e recuperação de trechos. De acordo com a EPR, essa etapa retomou padrões de trafegabilidade e segurança da rodovia.

Para o trecho da PR-407, que liga Paranaguá a Pontal do Paraná, o cronograma indica, para início em 2027, obras de ciclovia, duplicação entre os dois municípios (por 12,40 km de extensão) e vias marginais. Já para 2028 (ano cinco da concessão), os contratos preveem, para Paranaguá, ciclovia, duplicação e faixas adicionais, além de faixa adicional entre Paranaguá e Morretes. Uma passagem em desnível (viaduto) no km 1 (Paranaguá), retorno em desnível no km 15 (Paranaguá) e retorno em desnível (viaduto) no km 20 (Morretes).

Na PR-508, o plano de obras inclui somente uma intervenção: uma ciclovia no início no km 28,30 em pouco mais de 2 km de extensão. Para 2029 (ano seis da concessão), na região de Morretes, estão previstas obras de áreas de escape, dois diamantes (km 23,8 e 35,8), faixas adicionais e retorno em desnível (viaduto). Daqui cinco anos, em 2030 (ano sete da concessão), a concessionária deve iniciar, de acordo com o cronograma, as obras para faixas adicionais em Morretes.

Em Paranaguá, as avenidas Ayrton Senna e Bento Rocha também fazem parte da concessão. O atendimento operacional começou em agosto de 2024, mas as marginais não estão incluídas no contrato, segundo a EPR Litoral Pioneiro. Cordeiro explicou que as obras de ampliação nessas avenidas estão previstas apenas para o quarto e quinto ano. Segundo ele, projetos ainda serão desenvolvidos e eventuais impactos a moradias serão amplamente discutidos com a ANTT, a Prefeitura e a comunidade local.

Obras devem ser entregues até 2030

O Governo do Estado do Paraná divulgou que as obras devem iniciar até o terceiro ano de concessão e precisam ser entregues até o sétimo ano do contrato, ou seja, em 2030. Neste período, os trechos devem receber cerca de R$ 8 bilhões em investimentos, com recursos, em parte, financiados pelo BNDES.

“Na BR-277, o contrato garante uma ampliação importante no trecho entre Curitiba e Paranaguá, com novas pistas em praticamente todo o percurso que já é duplicado. A rodovia também vai ganhar sete novos viadutos e duas correções de traçado, que vão melhorar a segurança da estrada”, informou o Governo do Estado.

A expectativa é de que as obras, considerando aquelas previstas em todos os trechos operados pela concessionária, vão aumentar em 66% a capacidade no transporte de cargas e reduzir em cerca de 20% o tempo de viagem nas estradas ampliadas.

Enquanto isso, a concessionária afirma que segue garantindo a manutenção periódica dos trechos, com roçada, sinalização, drenagem e reparos constantes. Para os motoristas, a promessa é de reforço nas operações, especialmente durante a temporada de verão. O diretor de Engenharia da EPR, Juarez Cordeiro destacou que a primeira operação sob gestão da EPR foi considerada um “sucesso” e que a empresa mantém estrutura 24h de atendimento, com guincho, equipes de inspeção e suporte pré-hospitalar.

O diretor de Engenharia também respondeu às críticas sobre a dificuldade de contato em Paranaguá. Segundo ele, a concessionária mantém diálogo com autoridades locais e está aberta às demandas da população.


Novo pedágio promete modernidades e diferenças com Anel de Integração

Com o fim do Anel de Integração, as rodovias foram divididas em lotes e concedidas a diferentes empresas. Desde março de 2024, a EPR Litoral Pioneiro administra o Lote 2, que abrange três rodovias federais e nove estaduais, cruzando 27 cidades da Grande Curitiba, Litoral, Campos Gerais e Norte Pioneiro, com um contrato de 30 anos.

O novo modelo, segundo o Governo Estadual e a concessionária, traz diferenciais em relação ao antigo sistema. Em contrato, estão previstas inovações tecnológicas e socioambientais, como rede Wi-Fi disponível para usuários, câmeras de monitoramento, iluminação em LED nos trechos críticos e urbanos, além de defensas, tachas refletivas e correções de desnível.

Especialistas e autoridades avaliam que tais medidas podem elevar o padrão de segurança viária, embora entidades da sociedade civil e representantes de usuários cobrem mais clareza sobre prazos e custos.

No campo ambiental, há a previsão de neutralizar emissões de gases do efeito estufa dentro do Programa Carbono Zero. Já no bolso dos usuários, a isenção para motociclistas é vista como um benefício, em cumprimento à lei estadual de 2007.

Em nota, a EPR também divulgou que os usuários podem acionar a Ouvidoria para reportar problemas ou irregularidades. O prazo de resposta é de até cinco dias úteis. O registro pode ser feito pelo site (eprlpioneiro.com.br/ouvidoria), pelo e-mail ouvidoria@eprlpioneiro.com.br ou pelo telefone 0800 277 0153, que também funciona via WhatsApp e atende 24 horas.

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