Após um intervalo de cinco anos, o público de Paranaguá voltará a acompanhar a tradicional encenação da Paixão de Cristo. Em 2026, o espetáculo retorna com uma proposta inédita e identidade local: a Paixão de Cristo Caiçara, que une fé, arte e valorização da cultura litorânea.
A apresentação será realizada no dia 3 de abril, Sexta-feira Santa, às 20h, na Praça de Eventos Mário Roque, com entrada gratuita.

A produção é da Fantástica Cia de Teatro, em parceria com a Associação de Cultura Popular Mandicuera e a Prefeitura de Paranaguá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secultur).
Releitura com identidade caiçara
A montagem traz uma abordagem sensível da trajetória de Jesus Cristo, narrada a partir do olhar de duas mulheres caiçaras — avó e neta — que, diante da dor da perda, encontram na fé caminhos para ressignificar o sofrimento.
Com uma proposta inovadora, o espetáculo incorpora elementos da cultura caiçara em sua construção estética e narrativa. Manifestações tradicionais como o Terço Cantado, a Folia do Divino e a Folia de Reis integram a encenação, criando uma atmosfera de espiritualidade e conexão com as raízes do litoral.
Além disso, o uso de máscaras, objetos simbólicos e uma construção visual cuidadosa ampliam ainda mais a experiência do público.
Produção 100% ao vivo
Outro destaque da apresentação é o formato totalmente ao vivo, sem uso de gravações. A proposta resgata a essência do teatro, com atores conduzindo cada cena de forma direta e emocional.
Ao todo, mais de 40 profissionais estão envolvidos na produção, entre elenco e equipe técnica — todos artistas de Paranaguá.
A direção, concepção dramatúrgica e figurinos são assinados por Mariana Zanette. A adaptação do texto e assistência de direção ficam por conta de Ari Rodrigues. Já os bonecos e máscaras foram confeccionados por Lili Sarraf.
Valorização da cultura local
Para o secretário municipal de Cultura e Turismo, José Reis de Freitas Neto, a retomada da encenação representa mais do que um evento religioso.
“Estamos trabalhando para que nossos artistas locais façam esse resgate, não apenas religioso, mas também das apresentações teatrais para que a população possa prestigiar”, destacou.
A diretora Mariana Zanette reforça o caráter identitário do espetáculo. “Estamos trabalhando com o universo caiçara na música, na estética e nas narradoras da história. É um espetáculo que fala de dor, mas também de cura, de fé e de resistência do nosso povo”, afirmou. Segundo ela, o elenco reúne nomes de destaque da cena local, como o ator Alesson Lima, que interpreta Jesus Cristo.