Após mais de 40 anos, cerca de 1.500 pessoas impactadas por construção de hidrelétrica podem estar mais perto de receber indenização, em Antonina


Por Flávia Barros
Usina Hidrelétrica Governador Pedro Viriato Parigot de Souza, localizada na divisa entre Antonina e Campina Grande do Sul, opera desde 1971 com captação no Rio Capivari e deságue no Rio Cachoeira. Foto: Copel
A usina Hidrelétrica Governador Pedro Viriato Parigot de Souza, localizada na divisa entre Antonina e Campina Grande do Sul, opera desde 1971 com captação no Rio Capivari e deságue no Rio Cachoeira. Foto: Copel

A Associação de Pequenos Produtores Rurais e Artesanais de Antonina (ASPRAN) e a Colônia de Pescadores de Antonina divulgaram, neste mês de dezembro, que houve avanços na Ação Civil Pública ajuizada em 2010 contra a Copel Geração e Transmissão S.A., operadora da Usina Hidrelétrica Governador Pedro Viriato Parigot de Souza (antiga UHE Capivari-Cachoeira). A ação tem o objetivo de responsabilizar a empresa pelos danos ambientais, sociais e econômicos causados pela operação da usina, em atividade desde 1971.

FASE DE INSTRUÇÃO

Ambas as entidades, que representam comunidades diretamente impactadas pela transposição hídrica entre as bacias do Capivari e Cachoeira, reforçam a urgência de reparação. De acordo com a assessoria jurídica da ASPRAN, após 14 anos de tramitação na Vara de Fazenda Pública de Antonina, o processo ainda não tem uma sentença, mas está em fase de instrução, e uma perícia multidisciplinar constatou os seguintes impactos negativos:

Laudo de perícia atesta as mudanças e impactos provocados no meio ambiente, em decorrência da instalação da usina. Foto: Reprodução

A operação da usina mudou drasticamente as condições ambientais e econômicas da região, afetando as atividades tradicionais de pesca e cultivo. É indispensável que os responsáveis sejam obrigados a reparar esses danos”, afirmou a assessoria da ASPRAN, ao JB Litoral.

MENOS PEIXES

Já a Colônia de Pescadores de Antonina destaca que o assoreamento da Baía de Antonina comprometeu os habitats de várias espécies, dificultando a reprodução dos peixes e reduzindo significativamente a captura de pescado. “Nossa cultura e modo de vida estão em risco. As famílias que dependem exclusivamente da pesca artesanal enfrentam enormes dificuldades,” declarou a entidade.

EM BUSCA DE INDENIZAÇÕES

As entidades que representam as comunidades da região reforçam que cerca de 1.500 pessoas foram e são diretamente afetadas pelas consequências da instalação da usina hidrelétrica. E que, pelo menos, duas gerações já foram impactadas pelas alterações no meio ambiente.

Embora a Copel tenha renovado sua concessão em 2015 e arrecadado R$ 3,1 bilhões com sua privatização em 2023, nenhuma previsão foi feita para indenizar as comunidades afetadas”, completou a assessoria jurídica da ASPRAN.

Com o respaldo técnico do laudo pericial, a ASPRAN e a Colônia de Pescadores de Antonina reforçam o apelo por justiça, destacando a responsabilidade da Copel em reparar os danos e garantir a adoção de medidas para mitigar futuros impactos ambientais e sociais”, finalizaram.

O JB Litoral procurou a Copel e aguarda retorno. O espaço segue aberto para a manifestação da empresa.

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