
Com o clima ameno do inverno e paisagens deslumbrantes, as trilhas ganham cada vez mais adeptos no Paraná. De montanhas a cachoeiras, os percursos oferecem contato direto com a natureza, superação de limites e momentos únicos de contemplação. No entanto, por trás de toda a beleza, há também riscos, e garantir a segurança começa com uma decisão fundamental: estar acompanhado de um guia de turismo ou condutor de aventura qualificado.
É o que defende Maria Carolina Gonçalves, guia de turismo desde 2015, com foco em ecoturismo e turismo cultural de base comunitária. Ela atua principalmente no litoral paranaense, conduzindo grupos a destinos como o Salto do Tigre, em Matinhos, e o Salto Parati, em Guaratuba. “Trabalhamos sempre com equipe de apoio. Um guia jamais deve estar sozinho com um grupo em ambientes de natureza. A segurança vem antes de tudo”, afirma.
Planejamento e responsabilidade
Antes de cada saída, o grupo liderado por Maria realiza uma preparação rigorosa. A análise do clima, o reconhecimento do perfil físico dos participantes e o aviso prévio aos órgãos responsáveis, como Corpo de Bombeiros, IAT e ICMBio, fazem parte da rotina. Além disso, os turistas recebem orientações específicas e assinam um termo de ciência de risco. “Alguns itens são indispensáveis: medicamentos pessoais, kit básico de primeiros socorros, água potável, alimentos leves e energéticos, protetor solar, capa de chuva, lanterna e documentos pessoais”, reforçou.
A formação do guia ou condutor é outra etapa essencial. Além do conhecimento técnico sobre os ambientes naturais, esses profissionais são treinados em primeiros socorros e precisam estar preparados para tomar decisões rápidas diante de imprevistos. Situações como fadiga extrema, crise de pânico e até risco de cabeça d’água, como conta Maria, fazem parte da vivência prática. “Já cancelamos trilha antes mesmo do amanhecer por risco de tromba d’água. Foi a decisão certa, mesmo com toda a logística montada“, relata.
O risco de seguir sozinho
Casos em que turistas seguem trilhas por conta própria ou com guias sem qualificação ainda são comuns e perigosos. Um dos erros mais graves, segundo Maria, é conduzir grupos sem apoio ou oferecer serviços em locais onde o profissional não tem experiência. “Mesmo trilhas aparentemente simples, como as do Litoral, escondem riscos que só quem conhece bem o local consegue identificar.”
No interior do estado, o Parque Estadual Pico do Marumbi, em Morretes, é exemplo de trilha desafiadora e procurada. O local conta com o apoio do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo), além de um grupo de voluntários com experiência em escalada e resgate. É mais uma prova de que trilha segura é trilha acompanhada e planejada.
Trilhas não são brincadeira
Para ampliar a segurança, Maria defende campanhas educativas sobre a contratação de profissionais habilitados e maior incentivo à formação e fiscalização no setor. “Natureza é vida, mas também é imprevisível. Trilhas e montanhismo não são atividades para serem feitas sem preparo. Um bom guia vai além da condução: ele cuida da segurança, dá suporte emocional e promove uma experiência significativa”, explica a guia.
“Cidades como Bonito, no Mato Grosso do Sul, já exigem por lei que atrativos só sejam acessados com guia local cadastrado. O Litoral do Paraná, que abriga a maior faixa contínua de Mata Atlântica do país, também deveria adotar isso ”.
O que não pode faltar na mochila de quem vai trilhar
- Água potável e alimentos leves
- Capa de chuva e lanterna
- Medicamentos pessoais e kit básico de primeiros socorros
- Protetor solar e documentos pessoais