Baleia-jubarte é flagrada no Litoral do Paraná e reforça sinais de recuperação da espécie


Por Redação, com informações da Sedest

Uma baleia-jubarte foi vista nadando calmamente nas águas do Litoral do Paraná, no fim de maio, próximo à área onde está sendo construída a Ponte de Guaratuba. O flagrante, até pouco tempo considerado raro, rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e nos noticiários.

Baleia Guaratuba Imagem Gustavo Tauchen
Imagem: Gustavo Tauchen

Mas o que explicaria a presença desse mamífero de grande porte na costa paranaense? Segundo especialistas, a resposta está no ciclo migratório natural da espécie — e traz boas perspectivas para o meio ambiente. A jubarte avistada faz parte de uma população que vive na Antártica e, nesta época do ano, migra para águas mais quentes, entre o Espírito Santo e a Bahia, com o objetivo de se reproduzir. O Litoral está, portanto, dentro dessa rota de passagem, e tudo indica que avistamentos como esse devem se tornar mais frequentes.

Para entender melhor o comportamento desses animais, o Instituto Água e Terra (IAT), ligado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), realizou uma operação em parceria com o Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR). Entre os dias 26 de maio e 1º de junho, técnicos ambientais sobrevoaram todo o litoral paranaense com o apoio do Centro de Operações Aéreas (COA) do IAT.

Além de golfinhos e toninhas, a equipe avistou outra baleia-jubarte — um jovem-adulto com cerca de 12 metros de comprimento — nadando nas proximidades da Baía das Laranjeiras, em Guaraqueçaba. O material coletado vai subsidiar pesquisas de monitoramento, além de orientar políticas de educação ambiental e o processo de emissão de licenças ambientais na região.

1/2 Uma baleia-jubarte, jovem-adulto com aproximadamente 12 metros de comprimento, nada da região de Guaraqueçaba. Foto: Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR.
2/2 Golfinhos e toninhas nadam nas águas do Litoral do Paraná: indicador de qualidade ambiental. Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST-PR.

“Estamos aprendendo com essas visitas para preservar os animais e garantir que o impacto humano seja o menor possível”, afirma Rafael Galvão, técnico do IAT. “A presença das jubartes tende a ser cada vez mais constante no nosso litoral, e é fundamental que a população compreenda a importância de respeitar o espaço delas.”

Galvão também destaca a importância de considerar as rotas migratórias das baleias ao planejar novos empreendimentos costeiros. “Precisamos de um mar compartilhado, com múltiplos usos, mas que contemple a vida marinha”, diz.

Sinal de recuperação

A presença das jubartes no Paraná também é um indicativo do processo de recuperação da espécie. De acordo com a bióloga Camila Domit, pesquisadora do LEC-UFPR, a população foi considerada ameaçada até 2014, quando ainda apresentava números críticos. “Elas costumavam permanecer em rotas mais oceânicas. Esse novo comportamento de se aproximar da costa mostra que a população está se restabelecendo, o que é um excelente sinal de saúde ambiental”, afirma.

Segundo o Projeto Baleia Jubarte, organização baiana especializada no monitoramento da espécie, a população desses animais era estimada em apenas mil indivíduos em 1988. Hoje, esse número já passa de 30 mil, resultado direto da proibição da caça comercial.

Apesar da recuperação, a espécie ainda enfrenta ameaças, principalmente relacionadas à sobreposição com atividades humanas, como navegação, pesca e exploração mineral. “A educação ambiental é essencial para garantir que essas interações não coloquem a espécie novamente em risco”, reforça Camila.

Gigantes do mar

As baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) podem atingir até 16 metros de comprimento e pesar cerca de 40 toneladas. São reconhecidas pelas grandes nadadeiras peitorais brancas, que podem ter até um terço do tamanho do corpo, além da cauda com padrões únicos em branco e preto.

A população que se reproduz no Brasil migra anualmente para os mares antárticos, onde se alimenta durante o verão, retornando à costa brasileira nos meses de inverno e primavera para a reprodução. Durante essas viagens, formam pequenos grupos sociais e podem ser vistas em diversas regiões do litoral, inclusive no Paraná.

Sair da versão mobile