Câmara de Paranaguá questiona Governo do Estado sobre possibilidade de transferência do Colégio Bento Rocha


Por Luiza Rampelotti
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Com a expansão da zona portuária na cidade de Paranaguá, muitas empresas optam por comprar as casas localizadas em quadras inteiras, próximas à região de porto, indenizando as famílias para poderem se apossar da área e ampliar os negócios. A situação não é incomum e nem proibida, e um exemplo atual é o bairro do Rocio, que está passando por esse processo.

Com o avanço das empresas portuárias sobre os bairros, a Câmara de Paranaguá aprovou um requerimento da vereadora Vandecy Dutra (PP), pedindo informações ao Governo do Estado sobre uma possível transferência do Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Neto, na Vila Rute, para outra localidade do município. Ela destaca que a região, incluindo a Serraria do Rocha, bairro próximo, está sendo realocada para outras áreas, já que as famílias estão sendo indenizadas.

A quadra em frente à escola já foi toda indenizada, atrás do colégio as famílias também estão sendo procuradas pelas empresas. Quer dizer, vai demandar menos alunos e podemos perder uma escola de qualidade, porque o Bento Rocha é uma das melhores escolas de Paranaguá, tem o maior IDEB do município, é uma escola com os diretores comprometidos com a comunidade. Nós precisamos que ela seja remanejada. Então nossa preocupação é sobre pedir informações ao Governo do Estado para que haja um planejamento para que isso possa ser feito a outro bairro que mais precise de uma escola estadual”, diz a vereadora.

Com a expansão portuária na região, quadras inteiras próximas à escola estão vazias, pois as empresas compraram as residências. Foto: Rafael Pinheiro/JB Litoral

30 dias para a resposta


No requerimento, aprovado no dia 29 de novembro, Vandecy questiona sobre a possibilidade de transferência do Colégio Bento Rocha para outra localidade de Paranaguá, como para o bairro Jardim Iguaçu, Vila Marinho, Jardim Figueira, Vila Garcia ou Rio da Vaca. Ela também pergunta se, em caso positivo, existe prazo para início do remanejamento da escola para outra região.

A vereadora destaca que a transferência do colégio pretende evitar que os estudantes sejam prejudicados. Ela comenta que, uma vez que a população das quadras vizinhas já esteja sendo indenizada, o governo estadual ainda não apresentou o planejamento de transferência da escola para outra localização, não podendo, portanto, acarretar prejuízos com a desapropriação, visto que a instituição de ensino atende um grande número de alunos da Vila Rute e outros bairros.

Agora, a Secretaria Estadual de Educação e Esporte (SEED) tem até 30 dias para responder aos questionamentos.

Não foi unanimidade


O pedido de informações não foi unanimidade na Câmara. Apesar de ter sido aprovado por nove votos, três vereadores foram contrários ao requerimento. Um deles foi Ezequias Rederd que, exaltado, disse que lutaria contra a possível transferência ‘até o último’.

Temos quatro bairros vizinhos após o colégio. Remanejar jamais, iremos lutar contra até o último. Devemos trabalhar aqui para criar, abrir novos colégios, mas jamais seremos favoráveis para a retirada do Bento para outros bairros distantes”, disse.

Em resposta, a vereadora Vandecy explicou que o requerimento apenas se trata de um pedido de informação e que o intuito não é fechar a escola. “Como está diminuindo consideravelmente o número de alunos, já existem turmas querendo fechar, a diretoria está trazendo estudantes do Jardim Iguaçu, Jardim Figueira. Meu pedido é justamente para manter a escola e, se para isso for necessária a transferência, que assim seja. Mas precisamos de um planejamento, saber se o governo está a par desta situação”, comentou.

Diretor diz que colégio permanece no endereço atual


O JB Litoral conversou com o diretor do Colégio Bento Rocha, Everton Vieira Borges. Ele relembra a história da instituição de ensino que já tem quase sete décadas de serviços educacionais prestados à comunidade.

O Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha, em 2023, completará 70 anos de existência. Foi fundado em 1953 como Casa Escolar Porto dos Padres, na rua Arthur Bernardes, e em 1981 foi construída uma nova escola, situada na rua Francisco Machado, na Vila Rute, local onde é a sede atual da escola. São 70 anos voltados ao atendimento educacional da população da Vila Rute e bairros vizinhos”, conta.

Sobre a possibilidade de transferência da sede da escola para outro bairro, o diretor garante que não há necessidade de alarde, pois o colégio permanecerá normalmente no endereço atual. “Não há nenhuma tratativa de indenização do espaço por parte de empresas portuárias e nem da Secretaria de Estado da Educação”, diz.

Atualmente, o Colégio Bento Rocha atende a 610 estudantes, divididos em 20 turmas, nos períodos da manhã, tarde e noite. A instituição oferta do 6º ano do Ensino Fundamental II ao 3º ano do Ensino Médio, além de várias atividades em contraturno escolar.

Everton garante que não houve uma diminuinuição significativa de estudantes matriculados na instituição, inclusive, para 2023 há lista de espera para vagas, principalmente de 6º ano. Contudo, ele afirma que tem observado que os alunos têm se deslocado cada vez mais para chegar até o colégio e atribui a isso à expansão portuária na região.

Diretoria quer nova sede maior para a instituição


Pensando na situação da expansão portuária e também no espaço físico que a instituição possui, que é pequeno para podermos dar mais qualidade à educação ofertada (por exemplo, não temos espaço para quadra esportiva), buscamos um estudo inicial para construção de uma nova sede para a instituição de ensino, pois entendemos que este tipo de processo não ocorre do dia pra noite. Em 2023 estaremos reunindo a comunidade escolar para conversar sobre o assunto, ouvir e respeitar a opinião de todos”, informa.

O diretor também afirma que sobre a localização, o objetivo da diretoria é permanecer na região em que o colégio atende, uma vez que o Bento Rocha é a única instituição estadual de ensino que fica à margem direita da avenida Roque Vernalha, depois do trilho (para quem vai sentido Vila Guarani). 

Porém, também entendemos a necessidade de outras regiões da cidade que não possuem escolas estaduais. E aí dependeria da análise dos órgãos competentes do governo estadual e municipal, assim como estudo do plano diretor da cidade”, diz Everton sobre a possibilidade de transferência do colégio para outra localidade.

O que diz a SEED


Ao JB Litoral, a Secretaria Estadual da Educação e do Esporte informou que está ciente sobre a situação, mas que, no momento, a transferência da escola para outras áreas mais populosas não está planejada. “No momento a escola permanecerá no mesmo local”, afirma.

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