O Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá — maior unidade hospitalar da região e referência para os casos de maior complexidade dos sete municípios do Litoral — está sem realizar cirurgias eletivas (aquelas que não envolvem urgência ou emergência) desde o dia 13 de dezembro. A informação, apurada com exclusividade pelo JB Litoral, é um desdobramento de denúncias já publicadas em reportagens nos meses de novembro e início de dezembro. À época, médicos relataram o cancelamento de procedimentos cirúrgicos devido a problemas no processo de esterilização de instrumentos.

No último dia 13, a situação se agravou e todas as cirurgias que estavam marcadas tiveram que ser canceladas. Segundo os médicos que conversaram com a reportagem, os instrumentos usados para operar os pacientes de emergência foram enviados para outros locais, a exemplo da Clínica São Paulo, para passarem pela esterilização.
No dia seguinte, 14 de dezembro, médicos ainda não sabiam se deviam manter seus pacientes em jejum, conduta de praxe para que os procedimentos fossem realizados, ou comunica-los de que não havia mais data prevista para que fossem operados. A dúvida foi esclarecida ao receberem um comunicado assinado por Hélio Avelar, diretor técnico do HRL.
“Considerando que nossa central de esterilização encontra-se com dificuldades pela parada de funcionamento das autoclaves e nosso material cirúrgico, emergencialmente, está sendo esterilizado em unidades externas ao HRL, somente as cirurgias consideradas de emergência serão realizadas neste dia, até que o material estéril retorne ao hospital”, dizia a mensagem.
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Problema continua
Mas o “neste dia” se arrastou durante toda a semana e nenhuma cirurgia eletiva foi realizada até domingo (21). Procurada pelo JB Litoral, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) enviou uma nota, na sexta-feira (19), em que admitiu o problema e estimou um prazo para o retorno dos procedimentos.
“No último fim de semana, as cirurgias eletivas do Hospital Regional do Litoral precisaram ser adiadas devido a problemas nas autoclaves da unidade. Uma empresa de manutenção foi acionada para o conserto. Paralelo a isso, a Funeas tem contrato com uma empresa terceirizada que está realizando o serviço de esterilização dos equipamentos. A previsão é que na segunda-feira (22) as cirurgias eletivas voltem a ser realizadas”, diz a nota.
Em entrevista ao JB Litoral, durante agenda de compromissos da cúpula do Governo no Litoral, o secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, afirmou que as denúncias estão sendo apuradas pela pasta.
“Todas elas serão respondidas, vamos abrir sindicância de tudo, mas existe uma onda de denuncismo e eu quero aqui dizer também que, no termo de hoje, chama-se ‘hater’. Então, é uma onda de ódio contra o hospital e eu sei qual é o fundamento disso. É uma disputa de contratos, mas estamos tomando as decisões corretas, dentro da legalidade. Por isso que eu coloquei o interventor, Dr. Hélio Avelar, há dois meses. Nós estamos acompanhando diariamente as questões do Hospital Regional”, defende o secretário.
Quanto custa o equipamento?
A Sesa não informou se está previsto um mutirão para realizar as cirurgias que ficaram represadas ao longo desta semana, nem quantos foram os procedimentos cancelados. A quantidade de máquinas de autoclave que fazem a esterilização dos instrumentos no Regional também não foi revelada, mas o JB pesquisou quanto custa um equipamento de porte hospitalar.
Segundo busca em empresas de materiais médicos, máquinas de autoclave hospitalar, com capacidade de 100 litros, custam a partir de R$ 130 mil, em média.
A autoclave é um equipamento essencial utilizado para a esterilização completa de instrumentos e materiais médicos, cirúrgicos e laboratoriais. Ela garante que os objetos estejam livres de qualquer forma de vida microbiana, incluindo bactérias, vírus e esporos resistentes ao calor, prevenindo infecções cruzadas entre pacientes.