Com balanças desativadas, aumentam os riscos de acidentes com caminhões na BR-277, alerta especialista


Por Redação
Balanças estão desativadas há 3 anos e meio, desde que o contrato com a antiga concessionária foi rescindido. Foto: JB Litoral
Balanças estão desativadas há 3 anos e meio, desde que o contrato com a antiga concessionária foi rescindido. Foto: JB Litoral

Na semana passada, mais sinistros de trânsito causaram transtornos e prejudicaram a mobilidade entre o Litoral e Curitiba, na BR-277. Na terça-feira (20), uma colisão entre um caminhão graneleiro carregado com soja, que teria apresentado pane no sistema de freios enquanto descia a serra e atingiu a traseira de um caminhão-tanque que transportava etanol, interditou a rodovia durante 10 horas. O choque ocorreu no fim da madrugada, na altura do quilômetro 39 e, ao ser liberada, a rodovia já tinha mais de 23 km de congestionamento nos dois sentidos. Poucas horas depois, na noite da terça, mais uma colisão envolvendo carretas, no mesmo local.

Uma colisão entre um graneleiro e um caminhão-tanque interditou a rodovia por 10 horas, na terça-feira (20). Foto: PRF

Já na sexta-feira (23), mais um susto. Uma falha mecânica também é apontada como possibilidade, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), para o caminhão que teve a cabine destruída pelo fogo, interditando a rodovia no sentido Paranaguá, no km 8.

Esses são só alguns exemplos das muitas ocorrências que acontecem no trecho da BR-277, entre o Litoral e a capital do Estado, Curitiba. Sob concessão da EPR Litoral Pioneiro desde fevereiro do ano passado, a rodovia ficou durante dois anos sob a responsabilidade do Governo do Paraná. Nesse período, tanto a praça de pedágio, como as duas balanças que serviam para aferir se os caminhões estavam respeitando os limites de peso, foram desativadas.

SEM FISCALIZAÇÃO, CARRETAS VIRAM UM PERIGO CONSTANTE

Enquanto a praça de pedágio foi reativada e as tarifas voltaram a ser cobradas em 23 de março de 2024, as balanças, que ficam às margens da rodovia, seguem abandonadas. As estruturas ficam nos quilômetros 62,300, em São José dos Pinhais, pouco antes da praça de pedágio, em direção ao Litoral; e no km 30, em Morretes, ao lado das pistas que seguem sentido Curitiba.

Os dispositivos são fundamentais para constatar possíveis excessos de peso transportados por milhares de caminhões que chegam a trafegar em um único dia pelo local, em direção ao Porto de Paranaguá, segundo o especialista em trânsito, Bruno Abner.

Se não tem fiscalização, é um facilitador para quem quer fazer a coisa errada. Pois não é o excesso de velocidade que faz com que os caminhões percam os freios: quanto maior é o peso do veículo, mais velocidade ele imprime em uma descida. E o sistema de freios de um veículo é dimensionado justamente para capacidade de carga que ele foi projetado para suportar. Então, se há excesso de peso, por mais que ele tenha um ótimo freio, não vai ser suficiente para detê-lo”, explica Abner, em conversa com o JB Litoral.

O especialista também detalha qual a relação do excesso de peso e os “defeitos” dos freios.

Quanto maior o peso da carga, maior o tempo e a distância de parada. Então, o excesso de peso é determinante para colisões em serra. Quando o motorista está com muito peso e não tem a devida experiência, aciona demais o chamado freio de serviço, as lonas esquentam e muitos veículos ficam sem freio. Se há excesso de peso, o motorista fica querendo deter o veículo com o freio de serviço sem usar o freio motor, não consegue e, se está perto da área de escape, ótimo, caso contrário, pode sim provocar uma tragédia. Por isso, as balanças estarem desativadas é um grande problema”, defende Bruno.

A área de escape no km 36, em Morretes, foi reativada pela concessionária que administra a via. A construção de outra, no km 46, também está prevista.

PENALIDADES

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), trafegar com excesso de peso é uma infração média, que, além de gerar multa acrescida de valores proporcionalmente a faixas de quilogramas acima do permitido, também acarreta em medida administrativa, com retenção do veículo e transbordo da carga excedente.

Quando um veículo de carga é flagrado com excesso de peso, além de ser autuado, ele fica retido e só sai de lá quando fizer o devido transbordo da carga. Às vezes, para outro veículo, ou remanejando para eixos que não estejam com sobrepeso. Mas, independente do transbordo, ele é multado”, completa Bruno Abner.

POR QUE SINISTRO?

Cada vez mais se usa a expressão “sinistro de trânsito”, em vez de “acidente de trânsito”. Não é apenas um modo de falar, e sim uma alteração trazida com a Lei 14.599/23, que promoveu algumas alterações no Código de Trânsito Brasileiro.

A mudança da nomenclatura tem o objetivo de enfatizar a responsabilidade e a necessidade de prevenção nos eventos de trânsito, destacando que, na maioria das vezes, as situações não são imprevistas, mas sim evitáveis.

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