Seja assada, frita, cozida, defumada ou recheada, chegou a hora de apreciar uma das iguarias mais tradicionais do Litoral do Paraná: a tainha. Mas, para ela chegar no prato da população, o trabalho começa no mar. Entre maio e julho, a chegada da safra transforma a região. Além de movimentar a economia da pesca e impulsionar festas que celebram a gastronomia caiçara, o período é aguardado com expectativa por pescadores e moradores.

Neste ano, porém, a temporada tem sido especialmente farta, com embarcações retornando às praias carregadas do pescado, reforçando o entusiasmo de quem vive da atividade.
As características do outono e do inverno, marcadas pela queda da temperatura da água e pelas mudanças nas correntes marítimas, favorecem a aproximação dos cardumes. Neste período, eles migram do sul do continente em direção ao norte da costa brasileira.
Ilha do Mel já registra 56 toneladas do pescado
O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Rural e Pesca de Paranaguá, Márcio Vega, afirmou que no ano passado a pesca da tainha não gerou resultados positivos, mas que desta vez superou as expectativas. Na Praia do Farol e do Miguel, na Ilha do Mel, foram contabilizadas 56 toneladas de tainha, desde o dia 18 de maio até 24 de junho.
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Ele acompanhou o trabalho na Praia do Miguel e registrou o momento da chegada das embarcações junto com a comunidade. “Mais do que uma atividade econômica, a pesca representa cultura, história e o sustento de muitas famílias que fazem das comunidades pesqueiras um verdadeiro patrimônio do nosso Litoral. Valorizar quem vive do mar é reconhecer a força, a dedicação e o legado daqueles que mantêm viva essa tradição passada de geração em geração”, destacou.
Segundo ele, a Ilha do Mel tem sido referência com os acampamentos, abrigos temporários montados por pescadores artesanais à beira-mar para avistar os cardumes. Para localizá-los, os vigias observam a coloração da água desde o nascer do sol. Assim que percebem uma mancha preta, partem para o mar em busca do pescado.
Operação na areia mobiliza pescadores e máquinas em Matinhos
Em Matinhos, somente na manhã do último dia 17, os barcos que pesam cerca de mil quilos, retornaram à costa pesando de duas a três toneladas cada um. A operação exige trabalho coletivo: os trabalhadores arrastam as embarcações pela areia até a região do Mercado do Peixe. Em seguida, os peixes são retirados das redes, um a um, para preservar a qualidade.
De acordo com a Administração Municipal, a colônia de pescadores conta com o apoio da Secretaria Municipal de Pesca e Agricultura e Secretaria de Obras, que disponibiliza uma pá-carregadeira para ajudar no deslocamento dos barcos. O equipamento atua em conjunto com um trator da Secretaria de Pesca, facilitando o transporte.
“A determinação do município é dar todo o suporte necessário para o trabalhador do mar. Garantindo essa estrutura, nós apoiamos o pescador artesanal e, ao mesmo tempo, asseguramos que o Mercado do Peixe receba um produto fresquíssimo e com preço justo para o consumidor”, disse o secretário municipal de Pesca e Agricultura, Josué da Silva, conhecido como Zico Pescador.
Safra impulsiona renda nas comunidades pesqueiras
Em Pontal do Paraná, o cenário se repete. Os pescadores artesanais dos balneários Shangri-lá e Barrancos comemoraram a chegada dos cardumes. De acordo com o presidente da Colônia de Pescadores Z5, Rubens Marcelino da Veiga, até agora já foram pescadas cerca de 50 toneladas.
“Esse período representa para os pescadores uma renda muito boa, dá para pagar as contas atrasadas e sobra para o sustento da família”, avaliou.
Segundo o pescador Elonai de Oliveira, somente entre a terça-feira (16) e a manhã de quarta-feira (17), aproximadamente 25 toneladas do pescado foram retiradas das praias da região.
O pescador Leonardo Tavares lembrou uma das grandes capturas registradas nesta temporada. Segundo ele, a equipe seguia em direção ao Balneário de Barrancos quando avistou um cardume próximo à costa. Após o cerco montado, a rede trouxe, aproximadamente, 10 toneladas, em uma das pescarias mais expressivas do período.
“Estávamos indo para Barrancos quando avistamos um peixe. Paramos devagar para observar e, de repente, começou a saltar muitos. Aí todo pescador fica feliz. Cercamos o cardume, com muitos peixes pulando. A expectativa é de que a safra continue melhorando nos próximos dias. Quem quiser comprar tainha fresca pode procurar a banca de Shangri-lá”, relataram.