Com barcos cheios e pescadores animados, safra da tainha surpreende no Litoral do Paraná


Por Gabriela Perecin

Seja assada, frita, cozida, defumada ou recheada, chegou a hora de apreciar uma das iguarias mais tradicionais do Litoral do Paraná: a tainha. Mas, para ela chegar no prato da população, o trabalho começa no mar. Entre maio e julho, a chegada da safra transforma a região. Além de movimentar a economia da pesca e impulsionar festas que celebram a gastronomia caiçara, o período é aguardado com expectativa por pescadores e moradores.

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Pescado movimenta a economia no Litoral e fortalece a tradição caiçara. Foto: Clóvis Santos/Prefeitura de Pontal do Paraná

Neste ano, porém, a temporada tem sido especialmente farta, com embarcações retornando às praias carregadas do pescado, reforçando o entusiasmo de quem vive da atividade.

As características do outono e do inverno, marcadas pela queda da temperatura da água e pelas mudanças nas correntes marítimas, favorecem a aproximação dos cardumes. Neste período, eles migram do sul do continente em direção ao norte da costa brasileira.

Ilha do Mel já registra 56 toneladas do pescado

O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Rural e Pesca de Paranaguá, Márcio Vega, afirmou que no ano passado a pesca da tainha não gerou resultados positivos, mas que desta vez superou as expectativas. Na Praia do Farol e do Miguel, na Ilha do Mel, foram contabilizadas 56 toneladas de tainha, desde o dia 18 de maio até 24 de junho.

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Ele acompanhou o trabalho na Praia do Miguel e registrou o momento da chegada das embarcações junto com a comunidade. “Mais do que uma atividade econômica, a pesca representa cultura, história e o sustento de muitas famílias que fazem das comunidades pesqueiras um verdadeiro patrimônio do nosso Litoral. Valorizar quem vive do mar é reconhecer a força, a dedicação e o legado daqueles que mantêm viva essa tradição passada de geração em geração”, destacou.

Segundo ele, a Ilha do Mel tem sido referência com os acampamentos, abrigos temporários montados por pescadores artesanais à beira-mar para avistar os cardumes. Para localizá-los, os vigias observam a coloração da água desde o nascer do sol. Assim que percebem uma mancha preta, partem para o mar em busca do pescado.

Operação na areia mobiliza pescadores e máquinas em Matinhos

Em Matinhos, somente na manhã do último dia 17, os barcos que pesam cerca de mil quilos, retornaram à costa pesando de duas a três toneladas cada um. A operação exige trabalho coletivo: os trabalhadores arrastam as embarcações pela areia até a região do Mercado do Peixe. Em seguida, os peixes são retirados das redes, um a um, para preservar a qualidade.

Pescadores de Matinhos retornam do mar com as tainhas para serem comercializadas no Mercado do Peixe. Foto: Divulgação/Prefeitura de Matinhos

De acordo com a Administração Municipal, a colônia de pescadores conta com o apoio da Secretaria Municipal de Pesca e Agricultura e Secretaria de Obras, que disponibiliza uma pá-carregadeira para ajudar no deslocamento dos barcos. O equipamento atua em conjunto com um trator da Secretaria de Pesca, facilitando o transporte.

“A determinação do município é dar todo o suporte necessário para o trabalhador do mar. Garantindo essa estrutura, nós apoiamos o pescador artesanal e, ao mesmo tempo, asseguramos que o Mercado do Peixe receba um produto fresquíssimo e com preço justo para o consumidor”, disse o secretário municipal de Pesca e Agricultura, Josué da Silva, conhecido como Zico Pescador.

Safra impulsiona renda nas comunidades pesqueiras

Em Pontal do Paraná, o cenário se repete. Os pescadores artesanais dos balneários Shangri-lá e Barrancos comemoraram a chegada dos cardumes. De acordo com o presidente da Colônia de Pescadores Z5, Rubens Marcelino da Veiga, até agora já foram pescadas cerca de 50 toneladas.

Além da importância econômica para dezenas de famílias, a pesca da tainha faz parte da identidade cultural de Pontal do Paraná. Foto: Clóvis Santos/Prefeitura de Pontal do Paraná

“Esse período representa para os pescadores uma renda muito boa, dá para pagar as contas atrasadas e sobra para o sustento da família”, avaliou.

Segundo o pescador Elonai de Oliveira, somente entre a terça-feira (16) e a manhã de quarta-feira (17), aproximadamente 25 toneladas do pescado foram retiradas das praias da região.

O pescador Leonardo Tavares lembrou uma das grandes capturas registradas nesta temporada. Segundo ele, a equipe seguia em direção ao Balneário de Barrancos quando avistou um cardume próximo à costa. Após o cerco montado, a rede trouxe, aproximadamente, 10 toneladas, em uma das pescarias mais expressivas do período.

“Estávamos indo para Barrancos quando avistamos um peixe. Paramos devagar para observar e, de repente, começou a saltar muitos. Aí todo pescador fica feliz. Cercamos o cardume, com muitos peixes pulando. A expectativa é de que a safra continue melhorando nos próximos dias. Quem quiser comprar tainha fresca pode procurar a banca de Shangri-lá”, relataram.

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