Com mais de 100 pontos críticos, Paranaguá inicia força-tarefa contra descarte irregular de resíduos


Por Diogo Monteiro e Thais Skodowski

A Prefeitura de Paranaguá está realizando um amplo trabalho para acabar com espécies de lixões a céu aberto nos bairros, com atenção especial a terrenos baldios e espaços públicos abandonados. Desde o início do ano, mais de 100 pontos críticos de descarte irregular foram identificados. A maioria já passou por mutirões de limpeza e pequenas intervenções urbanas. A ação é coordenada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), com apoio da Secretaria de Obras.

Segundo a pasta, um dos focos principais da operação é impedir que os espaços públicos continuem sendo usados como depósitos de lixo e entulhos. Para isso, a Prefeitura está recuperando calçadas, instalando floreiras feitas com pneus reciclados e reforçando a fiscalização.

Esquina das ruas Nicolau Mader e Domingos Peneda antes da ação de limpeza da Prefeitura. Foto: Prefeitura de Paranaguá/Divulgação
1/3 Esquina das ruas Nicolau Mader e Domingos Peneda antes da ação de limpeza da Prefeitura. Foto: Prefeitura de Paranaguá/Divulgação
2/3 Esquina das ruas Nicolau Mader e Domingos Peneda após a retirada dos entulhos e instalação de floreiras. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral
3/3 Moradores descartavam móveis velhos e até animais mortos. Foto: Prefeitura de Paranaguá/Divulgação

Ação nos bairros

Recentemente, um ponto crítico que passou por revitalização foi a esquina das ruas Nicolau Mader e Domingos Peneda, na Vila Itiberê. O local acumulava entulhos, lixo doméstico e até animais mortos.

“Diversas pessoas, até outras regiões, vinham com o carro, abriam o porta-malas e descartavam o lixo aqui. Tinha lixo de tudo que é tipo. Até animais mortos a gente passava e encontrava”, lembra o morador Camilo Guilherme Alves Ferreira, que vive no bairro há mais de cinco anos.

O impacto para a saúde pública também era preocupante.

 “Chegou até a dar uma enchente na rua. O lixo ia para o bueiro e tampava. Aí não tinha escoamento da água. Muitos moradores até saíram da rua por dificuldade. Perderam os bens materiais”, conta Camilo.

Desde o início da reforma, ele afirma que o cenário mudou.

“Nenhum entulho foi jogado até o momento. Vai ficar muito bonito. Eu espero a conscientização da população, que respeitem o dia da coleta do lixo, porque ela está sendo efetiva”, comenta.

Recuperando o espaço, a Prefeitura espera que acabem os descartes irregulares. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Mudança de cultura

Segundo o superintendente da Sema, Elcio Nagel, o objetivo da fiscalização é educativo.

“A intenção não é punir, não é penalizar ninguém. Mas nós sabemos que temos uma cultura de descarte irregular de resíduos sólidos”, comenta.

Entre os resíduos mais comuns estão móveis velhos, restos de obra e podas de árvore.

“Cada morador deve dar a destinação correta. Contratando uma caçamba ou, se for um pequeno volume, pode até levar à sede da Sema”, complementa.

Secretário de Meio Ambiente Dahir Elias Fadel Júnior reúne equipe da Prefeitura de Paranaguá para coordenar a força-tarefa contra o descarte irregular de resíduos. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Como denunciar o descarte irregular

Nos últimos cinco meses, cerca de 130 notificações foram emitidas.

“Fiscalizamos moradores, residências e pontos comerciais. Quando conseguimos identificar, a gente vai, conscientiza, notifica. A última hipótese é a penalização”, reforça.

A Sema ainda pretende instalar câmeras em locais reincidentes e incentivar o uso dos canais de denúncia.

“É muito importante registrar os vídeos, as fotos. Às vezes, a pessoa encosta um caminhão, vem um carro que você pode anotar a placa. Isso pode se caracterizar também um crime ambiental”, ressalta Nagel.

O descarte irregular pode ser denunciado por qualquer cidadão pelo telefone (41) 3721-1780, ramal 1, destinado à fiscalização. Equipes da Prefeitura são acionadas para tomar as medidas cabíveis e, quando possível, responsabilizar o infrator.

A meta da Prefeitura é eliminar os lixões improvisados e impedir que esses espaços voltem a ser usados como depósitos ilegais.

“Não adianta limpar todo dia e no dia seguinte estar tudo sujo de novo. Precisamos mudar a cultura do descarte. E isso só acontece com envolvimento da população”, defende o secretário de Meio Ambiente, Dahir Elias Fadel Júnior.

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