Com nova empresa atuando emergencialmente na travessia da baía de Guaratuba, governo terá até seis meses para finalizar nova licitação


Por Flávia Barros

Depois de um contrato desastroso, que deveria durar 10 anos e acabou em 10 meses e mais de 140 autuações por parte do governo estadual, desde quinta-feira (10) uma nova empresa – contratada emergencialmente – opera a travessia por meio de três ferry-boats e uma balsa extra, na baía de Guaratuba. O novo “capítulo” do que se transformou essa novela nada agradável para os moradores, turistas e comerciantes, que fazem uso do serviço, começou quando, no começo da semana passada, o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) anunciou que contrataria a nova empresa e encerraria o contrato com a BR Travessias, que colecionava incidentes à frente da operação.

A empresa contratada emergencialmente é a INC Internacional Marítima, que opera há décadas a travessia de Salvador à Ilha de Itaparica, na Bahia, pela baía de Todos os Santos. O contrato foi firmado ao ser constatada a caducidade com a BR Travessias, que é a extinção dos contratos de concessão pelo poder público, através de ato unilateral, durante sua vigência, por descumprimento de obrigações contratuais pelo concessionário, recurso jurídico que isenta o governo do estado de pagamento de multas, o que ocorreria se o contrato fosse simplesmente rescindido.  Conforme o JB Litoral informou, a BR Travessias receberia R$ 134 milhões pela prestação do serviço, no período de 10 anos.  

Alternativas de traçado em estudo da ponte está na fase de EIA-Rima, para ser concluído em setembro deste ano . Foto: DER

PREÇOS E DEPUTADOS DE OLHO

Com o início da “era BR Travessias”, o valor cobrado pela travessia da baía de Guaratuba sofreu reajuste de 20%, passando a custar R$ 8,90, em abril do ano passado. O valor permanecerá o mesmo, pelo menos enquanto durar o contrato emergencial com a atual empresa, que vigorará por até seis meses, prazo anunciado pelo governo do Paraná como sendo o necessário para fazer uma nova licitação para contratação de nova empresa por, novamente, um período de 10 anos.

O anúncio da caducidade veio quando havia um movimento na Assembleia Legislativa para interferir na questão e exigir a extinção do contrato, como explicou, em conversa com o JB Litoral, o deputado Michele Caputo Neto (PSDB).

EMERGENCIAL X NOVA LICITAÇÃO

De acordo com Michele Caputo, ele havia protocolado, no início da semana passada, um pedido de informações à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (SEIL) sobre como funcionará o novo processo de contratação emergencial da empresa que vai operar o ferry-boat. “O foco da comissão temporária era a retirada da empresa incompetente que fazia a travessia, quando consegui as assinaturas necessárias, o governo mudou sua atitude e encerrou a concessão, então, a comissão temporária de investigação perdeu o objetivo. Fica resolvida a questão dos riscos da empresa incompetente e agora vou continuar monitorando”, disse ao JB Litoral. Ainda segundo o parlamentar, uma reunião aconteceu na terça-feira (15). “Eu fiz parte, em 2020, de uma comissão especial que mudou a constituição estadual e autorizou o estado a conduzir todo processo para a construção da ponte, e em 18 de dezembro de 2020 saiu a publicação da mudança em diário oficial, portanto, a Alep fez sua parte”, afirmou Michele Caputo, sobre o projeto de construção da ponte, que, segundo o governo do estado, está na fase de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), previsto para ser concluído em setembro deste ano. 

PARTICIPAÇÃO DO MUNICÍPIO

Mesmo a concessão para a realização da travessia sendo de âmbito estadual, o prefeito de Guaratuba, Roberto Justus (União), vinha se manifestando sobre o assunto e cobrando providências em uma de suas manifestações públicas, uma semana antes do anúncio da caducidade do contrato com a BR Travessias, Justus postou em suas redes sociais que: “a pedido do governador Ratinho Junior, tomei à frente da solução para os problemas enfrentados com a empresa concessionária da travessia da nossa baía. Sendo assim, busquei orçamentos com diversas empresas que prestam esse tipo de serviço e fizemos visita técnica de avaliação do local, demonstrando a urgência e necessidade na resolução”. Já na última sexta-feira (10), Justus falou sobre o início da operação da empresa contratada emergencialmente e os direitos trabalhistas no período de transição. “Ontem foi um dia muito difícil, mas muito produtivo. Finalmente o DER rescindiu o contrato com a BR Travessias. A nova empresa assumiu a operação desde o início dessa madrugada. Ajudamos na transição, especialmente para assegurar aos funcionários o compromisso assumido pelo governo do estado de que ninguém vai ficar sem receber seus salários e demais verbas trabalhistas. É uma satisfação participar dessas tratativas, justamente por saber que isso atinge diretamente a nossa população”, disse o prefeito.

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