
No último dia 9, o prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos (Republicanos), foi a Curitiba, onde se reuniu com o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca. Segundo a Prefeitura, um dos principais assuntos do encontro foi a revitalização da Orla da Rua da Praia, seguido por planejamento urbano e infraestrutura ligada ao porto. Também participaram da reunião secretários municipais e o arquiteto responsável pelo projeto da Rua da Praia, Ricardo Amaral.
“Foi uma reunião muito produtiva. O secretário Greca deixou claro que pretende acelerar o processo, inclusive já em julho irá iniciar a licitação das obras da Orla, do Mercado do Peixe e da passarela. As fases seguintes, que dependem de autorização ambiental, também devem ser licitadas em breve”, afirmou Adriano Ramos, à época.
Ainda segundo Ramos, a Prefeitura já realizou as contrapartidas necessárias, como estudos de solo, e agora aguarda os próximos passos do Governo do Estado.
O secretário estadual e ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, enalteceu a relevância histórica e cultural da Rua da Praia, destacando a importância do projeto para o futuro do município.
“É ali onde o Paraná começou, com o rio Itiberê e os primeiros povoadores em 1478. Mas Paranaguá não é só passado, é também futuro. E quanto mais para trás puxamos, mais para frente queremos ir”, disse Greca.
ANDAMENTO DO PROJETO
Anunciada em fevereiro deste ano, a revitalização da Orla da Rua da Praia faz parte de uma ampla obra que irá englobar uma área de 55 mil metros quadrados do Centro Histórico de Paranaguá, às margens do rio Itiberê. Conforme o Executivo Estadual, o objetivo é promover a requalificação urbana da região, o que deverá garantir mais conforto e acessibilidade aos moradores e visitantes, assim como reforçar o potencial turístico da cidade.
Entre as obras previstas estão melhorias na pavimentação, calçamento, iluminação pública, paisagismo, além da construção de novos trapiches, ciclovia, estacionamento, centro gastronômico e a ampliação do Mercado Municipal, com a anexação do Mercado do Peixe em sua estrutura.
Os estudos estão sendo coordenados pela Paraná Projetos, órgão vinculado à Secretaria do Planejamento, que contratou a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) para prestação de serviços técnicos visando a elaboração do anteprojeto.
Ao final do encontro, há duas semanas, a página do escritório responsável pelo projeto arquitetônico de revitalização da orla afirmou, em seu perfil no Instagram, que a reunião “marca um passo importante para o alinhamento entre o governo estadual e o município, visando o desenvolvimento sustentável de Paranaguá e a preservação do patrimônio histórico”, diz o texto da publicação.
“A Ricardo Amaral Arquitetos tem a honra de ser a autora do projeto arquitetônico da nova orla, uma iniciativa que vai transformar a paisagem e a vida na cidade. Ver os trâmites avançando e a transformação começando a tomar forma é a maior recompensa para nossa equipe”, completa.
Embora o paisagismo faça parte do projeto, percebe-se, pelas imagens divulgadas, que o novo “rosto” da Rua da Praia virá com poucas áreas verdes, restritas a algumas floreiras ao longo da orla. Para trazer mais detalhes sobre o projeto, o JB Litoral procurou o escritório, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
PLANEJAMENTO X IPHAN
Já a Secretaria do Planejamento informou que o projeto está finalizado e que não é mais possível fazer alterações. Ainda segundo a pasta, o projeto não tem como avançar sem o retorno do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), algo solicitado desde o anúncio do conjunto de obras, em fevereiro.
“Estamos aguardando manifestação do Iphan quanto às ações necessárias e orientativas para a preservação do patrimônio histórico na área de intervenção, o que não atinge os prédios históricos. O projeto já está finalizado, não sendo possíveis mudanças nesta fase. Após a contratação no desenvolvimento do projeto executivo e obra serão executados os serviços conforme o anteprojeto e os parâmetros estabelecidos pelos órgãos ambientais IAT (Instituto Água e Terra) e do patrimônio Iphan”, detalhou ao JB Litoral, por meio da assessoria de imprensa.
Questionada sobre a realização de audiências públicas antes ou durante o desenvolvimento do projeto — com o objetivo de ouvir os diversos setores da sociedade sobre as intervenções —, a Secretaria do Planejamento informou que elas não foram realizadas.
“Por enquanto não. Se houver necessidade será realizada sim. Quem define isso são os órgãos de fiscalização em seus termos de referência. Até o presente momento estamos em nível institucional – Prefeitura/Estado/IAT/Iphan. Então, no momento oportuno, sendo o caso de se fazer audiência pública, será feita sim”, concluiu.
A reportagem também procurou o Iphan, que não se manifestou até o momento. O espaço segue aberto para esclarecimentos.