Companheiro de Sandra Mara vira réu por feminicídio e ocultação de cadáver, quatro meses após desaparecimento da diarista


Por Flávia Barros

Nesta segunda-feira (14), o Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Pontal do Paraná, ofereceu denúncia criminal contra Aleandro Lourenço de Barros, 33 anos. O pedido foi acatado pela Justiça horas depois e o companheiro da diarista Sandra Mara da Silva Camargo, de 49 anos, vai ficar preso. De acordo com o Ministério Público, Aleandro cometeu os crimes de feminicídio majorado (pelo uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver.

Onde está Sandra Mara?

A decisão converteu a prisão temporária em preventiva e veio no dia seguinte ao desaparecimento de Sandra Mara completar quatro meses. Ela foi vista pela última vez em 13 de dezembro de 2024, após sair da panificadora onde trabalhava três vezes por semana, em Matinhos, e ir para casa, em Pontal do Paraná. A diarista utilizava a bicicleta para ir e voltar do trabalho. Sandra Mara e Aleandro moravam em Pontal do Paraná havia menos de um ano. O casal se mudou de Santa Tereza do Oeste (PR), em dezembro de 2023, de onde foram para Florianópolis (SC), passaram dois meses e, então, estabeleceram moradia em Pontal, no bairro Jacarandá.

Mesmo sem corpo, inquérito também foi concluído

Em conversa com o JB Litoral, nesta terça-feira (15), o delegado Jader Ferreira, explicou que, embora o corpo da diarista não tenha sido localizado e as perícias do Instituto de Criminalística ainda estejam em vias de ser concluídas, já há elementos suficientes para o indiciamento de Aleandro por feminicídio e ocultação de cadáver.

Eles possuíam relacionamento amoroso desde 2021 e o fato é: ela chegou em casa na qual residia com ele e não saiu mais. A prisão dele foi temporária, por 30 dias, prorrogada por mais 30 dias e agora foi convertida em preventiva“, disse.

Delegado Jader Ferreira foi o responsável pelo final das investigações do caso. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Ainda segundo o delegado, Aleandro é uma pessoa muito fria.

Ele é muito frio e calculista e tem sustentado a versão de que não foi ele, que não sabe do paradeiro dela. Como o corpo ainda não foi localizado, ele foi indiciado pela Polícia Civil e denunciado pelo MP, além do feminicídio, por ocultação de cadáver“, destacou Freitas.

Sobre o possível envolvimento de uma terceira pessoa no crime, o delegado descarta.

Por ter se tratado de um caso com bastante repercussão, houve muitos boatos, todos checados pela Polícia Civil, mas nenhum deles que levasse a uma terceira pessoa

Sobre a motivação do crime, a informação de uma fonte ligada ao JB Litoral dá conta de que Aleandro tinha ciúmes de Sandra Mara. Mas, com o caso em segredo de justiça, o delegado não confirmou.

Sandra Mara e Aleandro Barros tinham um relacionamento desde 2021. Foto: Arquivo pessoal

Era um relacionamento duradouro e contínuo, embora não fosse algo assumido publicamente por ambos. Mas a motivação ainda está obscura, está misteriosa”, ressaltou Jader, que concluiu o inquérito policial.

Expectativa da família

O JB Litoral voltou a falar com a filha mais nova de Sandra Mara, Any Karoline Camargo, que mora em Cascavel. Para a família, o desejo agora é de que Aleandro seja julgado e condenado.

A família vai até o fim para que a justiça seja feita, para que ele pague pelo que fez. Uma pessoa tão boa como ela não ter uma despedida é desumano, é cruel. Ele ser condenado não vai trazê-la de volta, mas a gente precisa que ele pague pelo que fez”, disse Any.

E o advogado que representa a família, Leonardo Mestre, reforça que tanto a polícia como a Justiça reconhecem que há provas suficientes para que o processo seja levado adiante.

O fato de que, até o momento, as autoridades não localizaram o corpo da senhora Sandra. Mas isso não impede que o autor do crime seja indiciado, processado e até mesmo condenado. Em alguns casos, as circunstâncias do crime nos permitem concluir, sem a menor sombra de dúvida, que o crime existiu, que foi praticado, quem foi o autor e qual foi a consequência”, explicou ao JB Litoral.

Advogado Leonardo Mestre representa a família de Sandra Mara. Foto: Arquivo

O assistente de acusação também ressalta a importância da localização do corpo de Sandra Mara, para que a família possa se despedir.

Não podemos normalizar o fato de não encontrarem o corpo. As autoridades precisam dar uma resposta a essa família que está enlutada e que aguarda o corpo dessa mãe para que possa ser velado e sepultado. No entanto, isso não pode ser benéfico ao criminoso, porque todas as circunstâncias, tudo aquilo no entorno do crime já mostram indícios suficientes para que ele seja processado e seguramente condenado pelo cometimento deste crime”, completou o advogado.

A perícia feita pelo Instituto de Criminalística ainda não tem os laudos concluídos. O resultado das análises será anexado ao processo quando ficar pronto. Na casa onde o casal morava foram encontrados vestígios que podem ser de sangue da vítima. Buscas foram feitas na área de entorno da residência, até com o auxílio de cães farejadores, mas o corpo ainda não foi localizado.

Área do entorno da casa onde Sandra morava é cercada por mata; local também foi alvo de buscas por três vezes. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Aleandro de Barros está preso desde o dia 19 de fevereiro.

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