A temporada de captura do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) será reaberta na próxima segunda-feira (1º) em todo o Litoral do Paraná, com o fim do período de defeso da espécie. O período autorizado segue até 14 de março, quando a captura volta a ser proibida para garantir o ciclo reprodutivo natural.

O JB Litoral apurou que, neste início de temporada, a dúzia do crustáceo deve variar entre R$ 30 e R$ 45, dependendo da região.
Regras para a captura
Apesar da liberação, as regras ambientais continuam rígidas. A Portaria nº 180/2002, do Instituto Água e Terra (IAT), permite somente a captura de machos com mais de 7 centímetros de carapaça, medida superior à exigida da legislação federal, que estabelece mínimo de 6 centímetros.
A atividade deve ser realizada exclusivamente de forma artesanal, feita com as mãos. O uso de ferramentas cortantes — como facão, enxada, foice, cavadeira e cortadeira — além de produtos químicos, laços, redes e armadilhas que possam ferir os animais ou danificar o manguezal, permanece proibido.
Penalidades
Quem descumprir as regras pode ser enquadrado na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) e no Decreto Federal nº 6.514/2008. As multas variam de R$ 1,2 mil a R$ 50 mil, com acréscimo por quilo do animal apreendido.
Importância ecológica e econômica
O caranguejo-uçá tem papel fundamental para os ecossistemas de manguezal. A espécie transforma folhas em nutrientes que alimentam outros organismos da cadeia, além de ajudar na oxigenação do solo ao cavar suas tocas.
Segundo o coordenador do Setor de Fauna do IAT no Litoral, Rafael Galvão da Silva, o defeso é determinante para garantir a reprodução da espécie e sustentar a atividade econômica em período seguro. “Diversas comunidades dependem desse animal economicamente durante essa época do ano. O caranguejo manguezal é um elo econômico, cultural e ambiental do Litoral paranaense”, destacou.
Em 2024, a pesca do caranguejo movimentou cerca de R$ 9,8 milhões no Paraná, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral). Guaraqueçaba liderou a produção estadual, com 37,6%, seguida por Guaratuba (18,6%), Paranaguá (16,6%), Antonina (15,5%), Pontal do Paraná (11%) e Matinhos (0,5%).