Crianças indígenas participam de oficina de história em quadrinhos, em aldeia de Pontal do Paraná


Por Flávia Barros

Elas fazem parte da vida da maioria das pessoas, geralmente são responsáveis pela iniciação e o gosto pela leitura.  As histórias em quadrinhos no formato empregado até hoje surgiram no final do século 19.  A primeira delas, de autoria do americano Richard Outcault, foi publicada nos Estados Unidos em 1894, em uma revista chamada Truth. Alguns meses depois, o jornal New York World começou a publicá-la oficialmente.

Fato é que as histórias em quadrinhos conquistaram adeptos ao redor do mundo, que resistem ao tempo e à “digitalização” de tudo, sendo uma das formas de expressar traços característicos de cada cultura onde são editadas. E é com esse encanto que os pequenos pontalenses frequentam as oficinas de histórias em quadrinhos, que é uma das oficinas culturais promovidas pela secretaria de Esportes, Cultura, Lazer e Juventude da cidade.

AS AULAS

As oficinas ocorrem na Biblioteca Pública Municipal Abílio João Vizzoto, do balneário Ipanema, na aldeia indígena Guaviraty, no balneário Shangri-lá, e são ministradas pelo cartunista Roberto Correa, que possui 22 anos de experiência. As aulas acontecem há um ano e são frequentadas, atualmente, por 28 alunos, sendo 12 na biblioteca e 16 na aldeia. Segundo o cartunista, a recepção das crianças foi ainda melhor do que o esperado.

A maioria das crianças já desenha e tem suas preferências de estilo de desenho e personagens, mas algumas chegam para aprender do início. Nas primeiras semanas já é possível aprender a desenhar alguns personagens. Uso a técnica de Brainstorm (tempestade de ideias) com eles para criar personagens e roteiros usando a linguagem dos quadrinhos. Isso instiga muito a imaginação deles. Já temos três histórias em quadrinhos em andamento”, disse Roberto Correa.

REPRESENTATIVIDADE

De acordo com a prefeitura, na aldeia também há outros professores, inclusive um de Tupi-Guarani, a língua oficial daquela etnia. Ele e os demais docentes que ensinam as disciplinas curriculares, como português e matemática, trabalham em conjunto com as oficinas de quadrinhos. “Os pequenos indígenas se divertem muito com os desenhos. Fazem muitos sobre plantas, peixes, animais e tudo mais que faz parte do dia-a-dia deles. Temos exemplo de criança que até cola os desenhos ao redor da casa”, reportou a assessoria de comunicação de Pontal. Para o cacique Mariano Acosta Pereira, as quartas-feiras, dia em que acontecem as oficinas, são dos dias mais esperados pelas crianças indígenas. “As crianças amam as aulas de desenho e quadrinhos. Os pequenos ficam esperando a semana inteira por elas”, contou.

Na última terça-feira (25) as oficinas de Pontal receberam uma doação de gibis para começar o acervo da futura gibiteca. Segundo a Prefeitura, a estrutura ficará no balneário Ipanema.

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