A implantação do curso de Enfermagem no campus da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) de Paranaguá segue em análise pelo Governo Estadual, mas voltou a ganhar destaque. No mês passado, durante a inauguração do hub de inovação Casa Dacheux, lideranças locais retomaram o debate sobre a necessidade da graduação na região.

O assunto já havia sido debatido em junho de 2021, quando a direção da universidade se reuniu com representantes da Administração Municipal em busca de apoio para a implantação do curso na cidade, diante da demanda por profissionais de saúde durante a pandemia da Covid-19.
Em 2024, o tema voltou a ser discutido entre as partes, com o anúncio de que a graduação poderia ser iniciada já no ano letivo seguinte (2025). Isso, porém, não ocorreu, embora a Prefeitura de Paranaguá tenha iniciado as tratativas para a cessão de um terreno à universidade.
Conforme apurado pelo JB Litoral, a gestão municipal passada chegou a cogitar a Escola Municipal Presidente Costa e Silva, no bairro Rocio, como espaço para a instalação do curso de Enfermagem da Unespar.
Segundo a Universidade, o campus de Paranaguá já opera com a capacidade máxima de ocupação das salas de aula. Os espaços são utilizados por estudantes nos três turnos e, parte deles, também é cedida ao Instituto Estadual de Educação Dr. Caetano Munhoz da Rocha, situação que já ocorria antes mesmo do incêndio que atingiu a instituição.
Como funciona a análise do Estado
Em nota, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI) atualizou o andamento do pedido para a implantação do curso. De acordo com a pasta, a Unespar apresentou um estudo para a abertura da graduação em Enfermagem no campus de Paranaguá. A Lei Geral das Universidades (LGU – Lei Estadual nº 20.933/2021) do Paraná condiciona a criação a exigências de viabilidade e impacto regional.
“Para expandir a oferta, as instituições devem cumprir critérios estritos antes da aprovação do Governo Estadual. O pedido está sendo analisado. Ainda não temos previsão para a conclusão do processo”, afirmou a SETI.
A partir da implantação da LGU, todos os pedidos passaram por adequações. A legislação estabelece, ainda, que a criação depende de comprovação de viabilidade orçamentária, especialmente quando houver necessidade de contratação de servidores.
Antes da autorização, a proposta deve ser avaliada pelas Secretarias de Estado da Administração e Previdência e da Fazenda.
O curso autorizado mais recentemente para a Unespar é o de Medicina, no campus de Apucarana, no centro-norte do Estado. O anúncio foi feito no mês de maio pelo Governo do Paraná, com investimento inicial de R$ 23,1 milhões, segundo projeção da SETI.
Área da saúde ainda é lacuna no campus
Embora o Litoral possua um hospital de referência para os sete municípios — o Hospital Regional do Litoral (HRL) — e o Governo do Estado tenha anunciado a construção do Hospital Regional Maria José Piana, em Matinhos, e uma nova unidade hospitalar em Guaratuba, a ausência de cursos na área da saúde em universidades públicas continua sendo uma das principais lacunas da região.
O campus da Unespar em Paranaguá oferece 10 graduações: Administração, Ciências Biológicas (bacharelado), Ciências Biológicas (licenciatura), Ciências Contábeis, Engenharia de Produção, História, Letras Inglês, Letras Português e Matemática, além de cerca de 10 opções de pós-graduação, entre especializações e mestrado.
No entanto, não há opções na área da saúde. “Temos ensino de qualidade em toda a Unespar. Para o Campus de Paranaguá existem muitos projetos, mas precisamos das aprovações governamentais para que tudo se concretize, assim como esse novo curso. Por enquanto, o processo está nas instâncias governamentais”, disse o diretor do campus, Moacir Dalla Palma.
Atualmente, o bacharelado em Enfermagem é ofertado apenas no campus da Unespar de Paranavaí, no noroeste do Estado.
No Litoral, a Universidade Federal do Paraná (UFPR Litoral), em Matinhos, possui bacharelado em Saúde Coletiva, que forma profissionais conhecidos como sanitaristas, para atuar nas comunidades.
Formação técnica
Os profissionais de Enfermagem com nível superior podem atuar em hospitais, clínicas, Unidades Básicas de Saúde (UBSs), atendimento domiciliar e empresas, entre outros segmentos.
Enquanto não está definida a aprovação do curso na Unespar de Paranaguá, o Litoral conta com a formação no nível técnico. Três colégios estaduais ofertam o curso técnico em Enfermagem, um dos mais procurados da região, segundo a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED).
A pasta informou ao JB Litoral o número de estudantes matriculados e os locais onde a formação é ofertada na região. São 188 alunos matriculados atualmente, sendo 63 no Colégio Estadual Gabriel de Lara (Matinhos); 62 no Colégio Estadual Alberto Gomes Veiga (Paranaguá) e 63 no Centro Estadual de Educação Profissional Dr. Brasílio Machado (Antonina).
Em Paranaguá e Matinhos a oferta do curso ocorre na modalidade subsequente noturno (para alunos maiores de 18 anos que já concluíram o Ensino Médio). Já Antonina começou a ofertar, este ano, tanto o curso na modalidade subsequente quanto o integrado ao Ensino Médio, para alunos a partir dos 15 anos que concluíram o Ensino Fundamental.
Os estudantes são matriculados após teste seletivo, devido à alta demanda por vagas, que inclui entrevista, análise de currículo e de disponibilidade para realização dos estágios obrigatórios. “Há bastante procura e são turmas que sempre têm seleção de estudantes e um alto direcionamento para o mercado de trabalho”, declarou o chefe do Núcleo Regional de Educação de Paranaguá (NRE), Paulo Penteado. Cada instituição inicia uma turma por semestre (exceto o integrado ao Ensino Médio, de Antonina, cujas turmas são anuais), com pelo menos 40 vagas disponíveis, como informou o NRE. No ano passado, sete jovens recém-formados no Colégio Estadual Gabriel de Lara foram aprovados em concurso público.