De aterro zero à troca de recicláveis, Semana do Meio Ambiente destaca ações sustentáveis em Paranaguá


Por Gabriela Perecin

Transformar resíduos em recursos é o tema central da 19ª Semana do Meio Ambiente, realizada entre os dias 8 e 11 de junho na Arena Albertina Salmon, em Paranaguá. O evento reúne mais de 50 instituições públicas e privadas para apresentar projetos, pesquisas e iniciativas relacionadas à preservação ambiental, à gestão de resíduos e ao desenvolvimento sustentável.

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Semana do Meio Ambiente em Paranaguá reuniu cerca de 50 instituições públicas e privadas. Foto: Prefeitura de Paranaguá

A programação começou na segunda-feira (8), com apresentação da Filarmônica de Antonina, e segue até quarta-feira (11), das 9h às 18h. Ao longo dos quatro dias, visitantes podem conhecer ações desenvolvidas por órgãos públicos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Rural e Pesca, Márcio Vega, a proposta é ampliar o debate sobre sustentabilidade e estimular a responsabilidade compartilhada.

“Quando falamos de transformar resíduos em recursos, falamos no futuro. Falamos do plantio de árvores, da separação correta dos resíduos, da preservação ambiental e da utilização dos materiais orgânicos por meio da compostagem. Tudo isso está diretamente ligado à nossa própria sobrevivência e à construção de uma sociedade mais consciente”, disse.

Conservação passa pelo tratamento de esgoto

Entre os estandes distribuídos na Arena Albertina Salmon, o público pode visualizar o trabalho desenvolvido pelas instituições quanto a conservação do meio ambiente.

No espaço da Paranaguá Saneamento, os visitantes podem conhecer uma maquete da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Segundo o coordenador de sustentabilidade da concessionária, Edenilson Reveno Machado, a iniciativa busca conscientizar a população sobre a necessidade de conectar os imóveis à rede coletora para garantir o tratamento adequado dos efluentes.

O coordenador de sustentabilidade da Paranaguá Saneamento, Edenilson Reveno Machado, apresentou as ações ambientais da concessionária. Foto: Aline Cardoso/JB Litoral

“Trouxemos uma maquete e falamos sobre a importância do tratamento do esgoto e das pessoas estarem conectadas às nossas redes, para que todo efluente que saia das casas e das indústrias passe pelo tratamento correto e seja destinado aos nossos rios de maneira ambientalmente correta”, explicou.

Além das orientações, a empresa promove um quiz interativo entre os visitantes. Quem participa pode girar uma roleta e concorrer a brindes, como copos de bambu e de fibra de arroz. Machado afirmou que a escolha dos materiais está relacionada às ações de limpeza ambiental realizadas no município.

“A gente participa de várias ações de limpeza de manguezais e rios e encontra muita garrafa PET e muito copo descartado. Por isso, trouxemos esses copos sustentáveis, porque eles são reutilizáveis, laváveis e têm uma durabilidade muito maior do que um copo descartável”, disse.

Empresa tem selo de aterro zero

A MBRF, empresa criada a partir da combinação dos negócios da Marfrig e da BRF, responsável por marcas como Sadia e Perdigão, também apresentou suas ações no evento. Segundo a engenheira de produção na MBRF, Andressa Cunha, a empresa conquistou neste ano o selo de aterro zero.

A engenheira de produção na MBRF, Andressa Cunha, explicou como a empresa conquistou neste ano o selo de aterro zero. Foto: Aline Cardoso/JB Litoral

“Nada que a gente produz de lixo lá é levado para aterro. Tudo é separado e levado para uma empresa onde faz o processamento e vira algum produto”, afirmou. Desta forma, os resíduos podem ser transformados em adubo, novos materiais plásticos e outros itens.

A empresa também destacou que todas as suas embalagens são recicláveis e que potes de margarina, por exemplo, podem ser reutilizados pelos consumidores. “Hoje, 100% das nossas embalagens são recicláveis”, disse Andressa.

Além das ações ambientais, a MBRF desenvolve projetos sociais e de educação ambiental por meio do Instituto MBRF. Entre as iniciativas estão revitalizações de espaços escolares, implantação de hortas e atividades de compostagem realizadas por equipes de voluntários.

Troca solidária

Já o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) apresentou durante a Semana do Meio Ambiente um de seus principais projetos socioambientais, o Troca Solidária, que completa 10 anos em 2026. Segundo a coordenadora de meio ambiente da empresa, Eliane de Oliveira, a iniciativa atende moradores das ilhas no entorno do terminal por meio de um mercado flutuante.

A coordenadora de meio ambiente do TCP, Eliane de Oliveira, contou que cerca de 125 famílias participam de projeto para destinação correta dos resíduos. Foto: Aline Cardoso/JB Litoral

“Por meio de uma embarcação, a gente percorre as ilhas do entorno da TCP recolhendo resíduos. A população faz a troca desses materiais por uma moeda social e pode adquirir produtos de higiene, limpeza e alimentação”, explicou.

De acordo com Eliane, além de incentivar a destinação correta dos resíduos, o projeto contribui para a segurança alimentar das famílias participantes. “A troca solidária trabalha em torno de 30% do preço normal de supermercado, então eles podem adquirir alimentos e produtos de limpeza por um valor inferior ao do mercado tradicional”, afirmou.

Atualmente, cerca de 125 famílias participam da iniciativa. Segundo a coordenadora, o projeto registrou, em 2025, um recorde na coleta de resíduos. “Além da educação ambiental e da conscientização sobre a destinação correta dos resíduos, o projeto ajuda a complementar a renda dessas famílias e garante acesso a itens de necessidade básica”, destacou.

Unespar destaca ações de monitoramento ambiental

A professora colaboradora da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Michelle Silva, destacou os projetos desenvolvidos pelo curso de Ciências Biológicas voltados ao monitoramento e à conservação ambiental no litoral paranaense. Segundo ela, a universidade mantém iniciativas ligadas a conservação dos manguezais, projeto do couro de peixe e monitoramento de espécies invasoras.

Unespar mantém iniciativas ligadas a conservação dos manguezais, projeto do couro de peixe e monitoramento de espécies invasoras. Foto: Prefeitura de Paranaguá

“A gente age em uma interface entre a ocupação humana e o meio ambiente, fazendo toda essa parte de interação, listagem e monitoramento ambiental”, explicou.

Michelle ressaltou que parte das ações conta com a participação da comunidade. No projeto voltado aos manguezais, por exemplo, moradores podem colaborar em mutirões de limpeza e em atividades de prevenção à contaminação desses ambientes.

Já no projeto Fauna Vizinha, a população pode informar sobre as ocorrências envolvendo animais silvestres. “A população pode, baixando o aplicativo, se comunicar com os pesquisadores, comunicando se viu algum animal silvestre, se interagiu com algum deles ou se houve atropelamento”, afirmou. Segundo ela, as informações ajudam no acompanhamento e monitoramento da fauna da região.

Reuso de água e reciclagem

A analista ambiental da Coamo, Neirielli Galdino Ramos, disse que a cooperativa mantém uma série de iniciativas voltadas à redução de impactos ambientais e ao fortalecimento de ações sociais.

Neirielli Galdino Ramos, analista ambiental da Coamo, contou sobre a ação para reaproveitamento da água. Foto: Aline Cardoso/JB Litoral

Entre as medidas adotadas está o reaproveitamento da água utilizada nos processos industriais. “A gente reutiliza água de processo excedente para lavagem de pátio. Então, dentro da planta, ela acaba não indo para a galeria e para o meio ambiente”, explicou.

A empresa também destina todo o material reciclável para a Associação da Vila Nova Esperança, no bairro Emboguaçu, além de manter parcerias para logística reversa de resíduos específicos. Materiais eletroeletrônicos são encaminhados para uma empresa especializada, enquanto vidros e frascos de laboratório que tiveram contato com produtos químicos retornam aos próprios fornecedores para reaproveitamento.

A analista destacou ainda a realização de treinamentos periódicos com as equipes e a manutenção de kits de emergência ambiental para atendimento de eventuais ocorrências dentro da planta industrial.

Outra mudança destacada por Neirielli foi a substituição do óleo BPF pelo uso de biomassa nas caldeiras da unidade. Segundo ela, a alteração reduziu significativamente os impactos relacionados às emissões e aos odores gerados pelo sistema utilizado anteriormente. Além disso, a cooperativa está em processo de implantação de uma nova planta de biodiesel no município.

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