De meninas a mães: casos de gravidez na adolescência crescem no Litoral do Paraná


Por Gabriela Perecin

Em 2012, Sthefany dos Santos Pedrotti Brustring levava uma vida comum como qualquer adolescente de 14 anos, indo à escola e seguindo a rotina típica da idade — até se deparar com uma gravidez. Ela e o namorado, nove anos mais velho e hoje seu marido, Arthur Leonardo Brustring Cruz, enfrentaram os desafios que a situação impôs e formaram uma família. Mas nem sempre a história tem um final feliz.

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Casos aumentaram no Litoral do Paraná e exigem atenção da sociedade. Foto: Arquivo pessoal

A gestação precoce acontece mais do que se imagina no Litoral do Paraná. Eles não são os únicos. Apesar da redução nos dados em nível estadual, os casos aumentaram na região e exigem atenção da sociedade.

A gravidez na adolescência é considerada um problema de saúde pública e pode causar complicações para a saúde da mãe e do bebê, além de impactos psicológicos e socioeconômicos, incluindo a evasão escolar.

Sthefany e Arthur são pais de Allyce dos Santos Brustring Cruz (nascida em 2012) e de Sther dos Santos Brustring Cruz (em 2025). “Estava namorando há um ano e meio, estudava, morava com minha mãe, meu padrasto e meu irmão de meses. Quando descobri a gravidez não continuei os estudos. Fiquei um ano sem estudar. Voltei no ano seguinte quando ela estava com seis meses”, contou a mãe.

Sthefany engravidou aos 14 anos e teve sua primeira filha aos 15; na foto, com o marido Arthur e as filhas Allyce e Sther. Foto: Arquivo pessoal

Sua família duvidou da gestação em uma viagem. “Minha família descobriu quando viajamos no final de ano e eu passei muito mal na ida e na volta. Assim que chegamos, minha mãe me mandou fazer o teste. Foi um choque para todos. Apesar disso, tive apoio de todos desde o primeiro minuto. Agradeço a Deus pela família que me amparou em todos os quesitos, emocional e financeiro”, recorda Sthefany.

Olhando para trás, ela relata que teve que passar por muitos desafios. A descoberta da gravidez, segundo ela, não foi fácil, devido às renúncias que teve que fazer em função da criança.

“Minha filha é minha vida, mas hoje, se pudesse mudar algo, esperaria mais um pouco para tê-la. Pois não é fácil você ter que renunciar seus gostos, suas vontades, e principalmente o auge da adolescência para cuidar de um outro ser que depende totalmente de você. Mas, mesmo com tudo, sou muito grata principalmente a Deus, pois hoje sou uma pessoa melhor”, contou Sthefany.

Sthefany relatou ao JB Litoral sua experiência com a gestação precoce. Foto: Arquivo pessoal

O sonho de se casar também foi adiado, pois sua mãe não permitiu. O casal se manteve unido até que puderam se casar quando ela completou 18 anos. A segunda gravidez também foi de surpresa, mas diferente da primeira. “Na primeira foi tranquila, já na segunda gravidez tive princípio de pressão alta e pré-diabetes”, afirmou Sthefany.

Ela contou que, em 2012, não tinha conhecimento sobre os métodos contraceptivos e que o assunto não era abordado abertamente na família e nem na escola. “Conhecia de ouvir os outros falarem, mas não entendia muito. Eu até tinha ido na ginecologista com uma tia, onde me passaram o anticoncepcional comprimido, mas não sabia a forma correta de tomar e acabava esquecendo”, disse Sthefany.

Hoje, Sthefany é dona de casa e cuida das duas filhas, mas chegou a se formar em Gestão Financeira e também trabalhou como balanceira.

Casos aumentaram no Litoral

A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) divulgou que o Paraná tem tido resultados positivos na redução da gravidez na adolescência, alcançando uma queda de 20,73% entre 2024 e 2025. No entanto, a questão ainda requer atenção das autoridades.

Os sete municípios do Litoral do Paraná registraram 403 gestações em adolescentes de 10 a 19 anos em 2024; e 447 em 2025, segundo a Sesa. Ou seja, os números aumentaram na região. “Destacamos que a Sesa mantém capacitações constantes aos gestores e profissionais que atuam no Litoral para orientação da população”, informou a Secretaria.

Como medida de prevenção, a Sesa ainda ressaltou que, de forma inédita, os 399 municípios do Paraná aderiram ao Programa Saúde na Escola (PSE), que realiza ações sobre saúde sexual e reprodutiva, fortalecendo o autocuidado e a prevenção para os estudantes.

A principal estratégia adotada para atender as gestantes adolescentes e também as demais é a Linha de Cuidado Materno Infantil (LCMI), que organiza a atenção à saúde de forma regionalizada no Estado. “Isso assegura um acompanhamento completo no SUS, desde o planejamento reprodutivo na Atenção Primária, passando pelo pré-natal qualificado, até o parto e os cuidados no puerpério”, divulgou a Sesa, em nota.

Paraná registra queda na gravidez na adolescência, mas números aumentam no Litoral; região contabilizou 447 gestações em 2025, segundo a Sesa. Foto: Ari Dias/AEN

Riscos às mães e aos bebês

A gravidez na adolescência não envolve apenas problemas de ordem socioeconômica ou aumento da evasão escolar, mas também riscos à saúde dessas meninas. Segundo o Ministério da Saúde, o Hospital Pequeno Príncipe informou que toda a gravidez na adolescência tem o risco aumentado, mas para as menores de 15 anos, o risco de mortalidade materna aumenta em cinco vezes.

O Hospital Pequeno Príncipe listou alguns dos problemas que a gravidez na adolescência acarreta para as mães e para os bebês. “As adolescentes também podem ter dificuldades no trabalho de parto, eclampsia (consequência da pré-eclampsia, doença que acontece devido à elevação da pressão arterial), anemia e infecção durante a gestação. Já para os bebês, há maior probabilidade de serem prematuros, terem baixo peso ou malformações ao nascer e complicações que podem levá-los ao óbito”, informou o Hospital.

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