O terceiro dia de Carnaval, em Antonina, é sinônimo de muito suor e trabalho. É o momento em que os carnavalescos, das tradicionais escolas de samba, mostram – por meio da produção das fantasias e carros alegóricos – os seus mais variados talentos. E foi isso que o público pôde acompanhar no domingo (2), além de se encantar com as interpretações que representavam temas voltados à espiritualidade, cultura, apostas e ao povo oriental.
A Avenida do Samba, rotineiramente lotada nas noites de folia, abriu alas para quatro agremiações. A primeira delas a desfilar foi a Escola de Samba Leões de Ouro. A caçulinha do Carnaval, que possui as cores preta, amarela e azul, foi criada no bairro Caixa d’água, em 1991. Neste ano, o Grêmio Recreativo se apresentou com samba-enredo “Nova Terra Nascendo: cura e ascensão na humanidade”.

“A luz se expandiu, iluminando a escuridão. Nascia a vida planetária em transcendental evolução. Viajando pelo tempo, forças do bem, seres de luz, eis a nova consciência, fio da criação que nos conduz”, cantavam os intérpretes, levantando a multidão espalhada pelas vielas, escadarias e camarotes.
Na sequência, a Unidos do Portinho – com 46 anos de existência – chegou para homenagear a cantora, atriz e dançarina, Carmen Miranda. A escola, a qual tem como mascote o siri, destacou que o tema do enredo é uma maneira de relembrar a visita da artista ao Theatro Municipal de Antonina, em 1933. Além disso, a associação recreativa, durante o desfile, evidenciou ciclo da erva-mate.
“Como falar de Antonina sem exaltar uma das suas maiores riquezas? O ciclo da erva-mate, que impulsionou a economia local e fez da nossa terra um dos grandes produtores dessa preciosidade, também será representado com toda grandiosidade que merece”, salientou a Unidos do Portinho, a qual foi criada por Benedito Ferreira Deres, Belmiro Alves e Roberto Oliveira.
CASSINO E COMUNIDADE JAPONESA
A penúltima escola a se apresentar foi a Batel, a mais antiga do município capelista.
Aos 78 anos, ela, que carrega como símbolo o cavalo-marinho, resolveu entrar na avenida com o samba-enredo “Cassino Batel: a sorte está lançada, afinal, a vida é um jogo”. Os responsáveis por dar vida à tricolor antoninense foram Caetano Candido Machado, Anizio França e Antônio Mesquita.
“O cassino invade a avenida, falência e riqueza estão no ar. O amor é apostado numa mesa, nesse carnaval eu vou ganhar. Não é black jack, não é poker, não, é truco, o jogo da população”, destacou a escola, por meio do segundo refrão.
Além disso, a primeira Colônia de Japoneses do Paraná, instalada no bairro Cacatu, em Antonina, foi homenageada pela Escola de Samba Filhos da Capela.A azul e branco, como é conhecida, exaltou o legado desses imigrantes, mostrando as suas tradições, como o judô, sumô e a flor de cerejeira.
A Filhos da Capela, que teve origem em 1948, fez o público vibrar com o enredo escolhido para este ano. “A beleza desse manto, eu vou cantar. “O lindo sol nascente a me iluminar. A flor da cerejeira tão bela, ‘Di’ azul e branco, sou filhos da capela. Eu vim de longe, no navio da esperança, com a coragem dos antigos samurais”, evidenciou um dos trechos do samba.
IMPACTO ECONÔMICO E CULTURAL
O Carnaval não reuniu somente foliões. As autoridades locais também marcaram presença no evento. Do camarote, a prefeita de Antonina, Rozane Osaki, destacou a importância da festa para a cultura local e para a geração de emprego e renda. A prefeita frisou, ainda, que o apoio do Governo do Estado foi crucial para o sucesso dessa edição carnavalesca.
“Conseguimos patrocínio do Governo do Estado e estamos muito felizes, pois o Carnaval superou as nossas expectativas. Além disso, ele gera emprego e renda, o que é fundamental para a nossa cidade. Trabalhamos muito para proporcionar o melhor para todos, com economia e apoio de vários patrocínios que conseguimos para Antonina”, afirmou a prefeita.
Já o secretário de Turismo, Thiago Afonso de Souza, ressaltou a importância do evento para a cidade, não só pela tradição cultural, mas também pelos impactos econômicos que traz. Segundo ele, o Carnaval de Antonina é um evento que envolve toda a comunidade local.
“O Carnaval de Antonina é fantástico, cinco dias de evento, cultura, turismo e muito movimento. A nossa comunidade abraça o carnaval, e os turistas aproveitam a cidade, fazendo passeios, visitando restaurantes e se hospedando nas pousadas. Isso movimenta o comércio, e a cidade está cheia. O apoio do Governo do Estado é fundamental, e o resultado é uma festa tradicional de muita alegria e cultura”, comentou o secretário.
Vale destacar que mais de mil pessoas desfilaram nas quatro escolas de samba. As apresentações, que começaram após às 21h, estenderam-se até às 3h30. Em Antonina, não há concurso para eleger a melhor agremiação.
Confira a entrevista com a prefeita e secretário de Antonina