A doação de sangue segue sendo um gesto essencial para salvar vidas em todo o Litoral do Paraná. Cada bolsa coletada pode beneficiar mais de um paciente, graças ao processo de fracionamento do sangue em diferentes componentes.

De acordo com a assistente social Nádia Cristina Tadra, responsável pela captação de doadores no Hemepar Paranaguá, o sangue coletado passa por um processo rigoroso antes de ser utilizado.
“A coleta é rápida, leva cerca de cinco minutos, e resulta em uma bolsa de sangue total com aproximadamente 450 a 480 ml. Esse material é encaminhado ao hemocentro coordenador, em Curitiba, onde é preparado, examinado e depois retorna para uso nas transfusões”, explica ao JB Litoral.
Uma doação, múltiplas possibilidades
Segundo Nádia, uma única bolsa pode ser dividida em até quatro componentes: concentrado de hemácias, plasma, plaquetas e crioprecipitado. Cada um deles é utilizado em tratamentos específicos.
Pacientes em tratamento contra doenças como leucemia, por exemplo, podem precisar de várias bolsas de plaquetas. Já em casos de hemorragias, o concentrado de hemácias é o mais indicado. “Dependendo da patologia, um único paciente pode precisar da doação de quatro ou cinco pessoas”, destaca.
Além disso, com a proximidade de feriados, como o de Tiradentes, no dia 21 de abril, a preocupação com os estoques aumenta. Isso porque situações inesperadas, como acidentes, podem elevar rapidamente a demanda por transfusões.
“Após o feriado, é fundamental que os doadores retornem para ajudar a repor os estoques. Todos os tipos sanguíneos são bem-vindos, mas há uma atenção especial para o tipo O, principalmente o O negativo, que só pode receber dele mesmo”, alerta Nádia.
A prática da doação também é reforçada por quem já passou pela experiência. O doador Darlan Thiago Mendes, que realizou recentemente a sua segunda doação, relatou ao JB Litoral a tranquilidade durante o processo.
“É tranquilo, não tem problema nenhum, não senti dor nenhuma”, afirmou. Ele ainda incentiva outras pessoas a participarem: “Quem quiser doar, venha, é bom né? O pessoal vindo, ajuda bastante quem precisa”, salientou.
Quem pode doar e quais os cuidados
A doação é permitida para pessoas a partir de 16 anos, com autorização dos responsáveis, e pode ser feita até os 69 anos, desde que a primeira doação ocorra antes dos 60.
Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário estar em jejum, pelo contrário. “A pessoa precisa estar bem alimentada e hidratada. Se estiver mais de três horas sem comer, já é considerado jejum e não pode doar”, orienta.
Outro ponto importante é evitar atividades físicas intensas no dia da doação. “Não é recomendado ir à academia antes ou depois, pois isso pode causar mal-estar”, afirma a responsável pela captação de doadores. O uso de suplementos também deve ser avaliado durante a triagem, embora vitaminas, em geral, não impeçam a doação.
Atendimento regional e importância do agendamento
O Hemepar Paranaguá é responsável por abastecer hospitais e unidades de saúde de todo o Litoral, incluindo cidades como Antonina, Morretes, Matinhos e Guaratuba.
Por ser uma unidade de menor porte, o agendamento prévio é essencial para garantir o atendimento. “Às vezes, a pessoa vem de outra cidade e não há coleta naquele momento, porque precisamos garantir toda a estrutura, com médico e equipe disponíveis”, explica.
Para Nádia, doar sangue é mais do que um ato de saúde pública, é um gesto de empatia. “É uma atitude de amor ao próximo. A gente nunca sabe quando vai precisar, mas sabe que alguém está precisando agora. Por isso, o sangue precisa estar sempre disponível”, conclui.
Os interessados devem entrar em contato pelo WhatsApp (41) 3420-6663, onde é disponibilizado o link da Secretaria de Estado da Saúde para a marcação. A equipe realiza a confirmação um dia antes e orienta o doador sobre os procedimentos.