A dor ainda não cabe nas palavras de Delfina de Nascimento. A filha dela, Bruna Danielle Nascimento de Araújo, de 28 anos, foi morta a facadas pelo namorado, Michel Wagner Rodrigues, de 36 anos, em Guaratuba, na frente da filha de 9 anos e da avó. O crime ocorreu na casa da avó da vítima, mãe de Delfina, no último sábado (28).

Em entrevista ao JB Litoral, a mãe contou que ainda não consegue acreditar no que aconteceu. “Quando vieram me chamar, não acreditei que era a Bruna. Achei que era na casa de uma vizinha. Ele matou ela na frente da minha mãe e da minha neta, que tentou impedir batendo nele com um chinelo e pedindo para que ele parasse”, relatou.
Segundo Delfina, o relacionamento era recente e o casal já estava separado havia cerca de um mês. “Ele matou a minha menina”, disse, emocionada.
Ao ser preso, Michel relatou à polícia que cometeu o crime porque a vítima queria terminar o relacionamento.
Mês da Mulher?
O crime ocorre em março, período marcado por debates sobre os direitos das mulheres e o enfrentamento à violência de gênero. Em meio ao luto, Delfina faz um apelo.
“Não vem escrito na testa o que a pessoa pode fazer com a outra, mas que as meninas tenham mais cuidado ao escolher um companheiro”, alertou.
Ato público cobra justiça
O caso repercutiu na cidade e deve marcar o ato do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), em Guaratuba. A mobilização é organizada pelo coletivo Juntas Guaratuba-PR, com concentração na Praia Central, às 14h.
Inicialmente programado para a data, o ato ganhou um tom de urgência após dois casos de violência de gênero registrados no município neste fim de semana: o feminicídio de Bruna, no bairro Cohapar, e a agressão contra uma mulher e o filho de 7 anos, no bairro Coroados.
Em nota, o coletivo destacou que crianças de 7 e 9 anos presenciaram os crimes dentro de suas casas e cobrou do poder público medidas específicas de proteção para essas infâncias. O grupo exige celeridade na responsabilização dos agressores e reivindica a implementação de políticas públicas preventivas, além do fortalecimento da rede de apoio e acolhimento às vítimas no município.
A programação tem início às 14h, junto ao letreiro turístico da Praia Central. Estão previstas roda de conversa com lanche coletivo, confecção de cartazes, panfletagem e, na sequência, uma caminhada unificada com outros movimentos sociais locais.
A organização reforça a importância de acionar a rede de proteção diante de qualquer situação de risco e orienta o uso dos canais oficiais e gratuitos para denúncias: o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 190, da Polícia Militar, para casos de emergência.