O Movimento de Empresários do Setor Portuário de Paranaguá (MESPP) buscou a adesão de 21 empresas para doação de valores destinados à revisão do projeto de recuperação da Avenida Senador Atílio Fontana e para a construção da Estrada do Ribeirão. Com a conclusão dos projetos, os documentos serão levados ao Governo do Estado, que já se comprometeu a financiar as obras.

As empresas chamadas para contribuir com o projeto foram selecionadas por exercerem atividades diretamente ou indiretamente afetadas pelas condições da avenida. São elas: AEC33 Armazéns Gerais, Alfa Armazéns Gerais /GHS Armazéns Gerais, BRFertil/Delta Fertilizantes, Coonagro (Cooperativa Nacional Agroindustrial), Copadubo Transportes, Granelmar Logística, Harbor Operações Portuárias/Fertipar, Mactrans Logística, Multitrans Transportes e Armazéns Gerais, Empresa Paiaguás de Armazenagem, Portcon Transportes, Posto O Cupim, Rocha Terminais Portuários e Logística, Rodonery Transportes, Simas Armazenagem e Transportes, Sudmar Transportes, Sulmare Serviços Marítimos/Transmarine Contract Logistic, Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), Tlog Transportes, Global Log Logística e Transportes e Zivianni Armazéns Gerais.
Em entrevista ao JB Litoral, o empresário Leandro Klaus, um dos articuladores do MESPP, afirmou que até a tarde da última sexta-feira (15), todas as empresas já haviam assinado o contrato. As intervenções prometem melhorar o tráfego pesado de caminhões e resolver problemas antigos de mobilidade urbana que afetam a região.
O grupo vai financiar a revisão do projeto da Avenida Atílio Fontana, que contempla os 6,2 km restantes, uma vez que menos de 3 km foram feitos nos projetos anteriores executados em 2023 e início de 2024. As obras foram interrompidas devido à falta de orçamento para a contratação de todos os serviços, como explicou o JB Litoral, após acesso a relatório elaborado pela Secretaria Municipal de Obras Públicas.
Com a adesão dos empresários, também será realizado o projeto da Estrada do Ribeirão, um trecho com cerca de 900 metros que liga a Atílio Fontana à BR-277.
“Com isso, nós tiramos um pouco do fluxo do meio da Atílio Fontana, pois hoje não temos essa opção, todos os caminhões são obrigados a entrarem pela Atílio Fontana e, do Posto O Cupim em diante, trava tudo. Tendo essa válvula de escape pela BR-277, conseguiremos dar fluidez naquela região”, disse Leandro.
Adesão dentro do prazo para o pagamento
De acordo com o MESPP, foi fundamental a adesão das empresas até sexta-feira, uma vez que elas devem realizar o pagamento para viabilizar os projetos até esta segunda-feira (18). Somados, os dois projetos custarão cerca de R$ 972 mil e serão contratados pela Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap).
Todo esse processo envolve uma terceira obra, a de reconstrução da Ponte do Ribeirão. Para esta, a Prefeitura de Paranaguá já possui o projeto, doado pela empresa TCP, e não serão necessárias adequações.
Os três projetos devem ser entregues ao Governo do Estado, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seil), que ficará responsável pela licitação e encaminhamento das obras.
Leandro Klauss explicou os motivos que levaram as empresas a se unirem para financiar os documentos.
“Para o motorista de caminhão, o maior problema é não saber que horas vai conseguir descarregar o contêiner ou a carga dele. Se chega atrasado, há um custo. Temos uma condição péssima, não há banheiros próximos, condições de refeição, há risco, perigo. E nós vamos pagar o projeto porque sabemos que existe na lei de licitação um tempo para contratar essa obra. Eu acredito que um projeto desse não sairia antes de 2027”, destacou.
MESPP quer atender outras demandas
O empresário ainda detalhou que, no total, 43 empresas fazem parte do MESPP e essas obras são apenas algumas das pautas levantadas pelos representantes.
“Temos uma pauta muito maior, esse é um dos itens que estamos tratando. Em janeiro, ouvindo as demandas do grupo, levamos a questão do TAP (Termo de Anuência Prévia) para o prefeito Adriano Ramos, que extinguiu a exigência”, disse Klauss.
O TAP foi um adendo no Código Ambiental de Paranaguá, que já existia por meio da Lei Complementar nº 140/2011 e foi atualizado em 2022. O objetivo era avaliar tecnicamente os empreendimentos antes da análise pelo órgão ambiental estadual. Além disso, ele unificou dois documentos que já eram exigidos: a Consulta Ambiental Prévia (CAP) e a Anuência Ambiental Municipal (AAM).
Outra demanda dos empresários do MESPP é em relação à fiscalização de Vigilância Sanitária no Município. “Um dos parceiros do grupo fez um levantamento e verificou que, entre seis cidades paranaenses de porte semelhante ao de Paranaguá, Londrina é a que tem a maior taxa de fiscalização. Ainda assim, o valor em Paranaguá é tão alto que chega a custar quase cinco vezes mais do que o de Londrina”, explicou o empresário.
O grupo também busca mais facilidades para empresas que possuem o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), para não precisarem recorrer à Prefeitura para dar baixa na taxa de lixo que vem junto ao IPTU.
“São valores altos. Se já fazemos investimentos para destinar o resíduo, não é justo que tenhamos que ficar todo ano mostrando para a Prefeitura. Existe um programa dentro das empresas que trata disso”, afirmou Klauss.
Essas medidas, de acordo com Leandro, inibem mais empresas de se instalarem em Paranaguá. Segundo ele, uma das principais dificuldades está ligada ao licenciamento ambiental, tema que está sendo abordado no novo Plano Diretor, e também às condições precárias das vias de acesso. Com a solução desses entraves, a cidade pode se desenvolver mais. “A tendência é ter mais empresas naquela região da Avenida Atílio Fontana. Tem várias áreas que estão subutilizadas, tem muito para crescer”, concluiu Klauss.