Família acusa Hospital Regional do Litoral de descaso no atendimento de idoso; ele corre risco de morte


Por Redação

Uma família alega negligência do Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá, após o idoso José Juarez Gomes, de 77 anos, passar por cirurgia e permanecer internado por 20 dias na instituição. O filho, Mauro Gonçalves Gomes, presidente de bairro do Labra, em Paranaguá, relatou que o pai sofreu um atropelamento, em Pontal do Paraná, em abril deste ano, por uma condutora que estaria embriagada. Juarez se recuperou da primeira etapa dos ferimentos, mas precisou ser internado novamente, no último dia 10 de dezembro, quando passou por cirurgia no abdômen.

CASO MAURO - HOSPITAL REGIONAL
José Juarez passou por uma cirurgia no abdômen.

O idoso mora no balneário Ipanema, em Pontal do Paraná, é aposentado e trabalha como ambulante para complementar a renda. “Depois do atropelamento, ele saiu do hospital com uma bolsa [de colostomia] e teve que voltar para os procedimentos de retirada e acabou se complicando. Abriram toda a barriga dele para fazer a cirurgia e ele ficou 20 dias hospitalizado. Pegou infecção e a barriga começou a inchar, a estourar os pontos. Nós, como estávamos de acompanhante, vendo toda aquela situação, até conversamos com o médico, e ele falou que era normal”, relatou Mauro, ao JB Litoral.

Inconformada com o quadro de saúde do idoso, que só apresentava pioras, a família voltou a questionar os médicos, além de recorrer à direção e à ouvidoria do Hospital. “A ouvidoria estava em recesso, não tinha ninguém, era para ter pelo menos um plantonista ali para ouvir a família. Procurei a assistência social, falei com as duas [assistentes sociais] de plantões diferentes sobre a situação, e pediram para a gente conversar com o médico”, disse o filho.

Idoso foi transferido em estado grave

Ainda segundo Mauro, o caso começou a ganhar repercussão após a família se manifestar nas redes sociais. Depois disso, com Seu Juarez em estado crítico, o corte da cirurgia praticamente exposto, no comprimento de todo o abdômen (desde o tórax até a região pélvica), o médico apareceu e informou que o idoso ficaria internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Só podíamos entrar em horário de visita na UTI. Eles estavam escondendo a situação durante esses 20 dias em que meu pai ficou ali. Chegaram a marcar duas vezes uma nova cirurgia, colocando meu pai em jejum, mas desmarcaram sem nem nos explicar os motivos. Eles viram que não tinha recurso e tiraram a responsabilidade, encaminharam para o Hospital do Rocio, em Campo Largo”, contou Mauro. A transferência foi realizada na segunda-feira (29).

No Hospital do Rocio, a família recebeu a notícia de que a situação era grave e a infecção já havia atingido o rim e o fígado.

“Está complicada a situação do seu pai. Se fizer cirurgia, ele não aguenta, e se não fizer também não vai aguentar. Então o médico falou: ‘vou ser bem realista, é rara a chance do teu pai sair com vida daqui, pela situação que ele chegou’. Meu pai está entubado. Se desligar os aparelhos, ele morre. Pela negligência de médico que se diz profissional no Hospital Regional”, concluiu Mauro.

O que diz o HRL

Procurada pelo JB Litoral, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), responsável pelo Hospital Regional do Litoral, informou que “o paciente citado foi internado em 10 de dezembro para cirurgia de correção de colostomia, realizada conforme indicação clínica. Durante a internação, o paciente apresentou complicações associadas a comorbidades pré-existentes, sendo acompanhado de forma contínua por equipes multiprofissionais e por diferentes especialidades médicas, conforme protocolos técnicos e científicos“, disse a pasta, por meio de nota.

Ainda segundo a Sesa, “após controle do processo infeccioso e diante da evolução do quadro clínico, foi indicada a transferência para unidade hospitalar de maior complexidade, efetivada no dia 29 de dezembro, para continuidade do tratamento especializado. A família foi informada sobre a evolução clínica e as condutas adotadas ao longo do atendimento“, informou.

Na primeira semana do Verão Maior, entre 15 e 25 de dezembro, o HRL realizou 1.078 atendimentos no Pronto Atendimento, número 9,7% superior ao do mesmo período do ano passado, além de 248 procedimentos cirúrgicos e 156 atendimentos em ortopedia e traumatologia.

Cirurgias eletivas

A reportagem também obteve a informação de que, nessa terça-feira (30), apenas uma autoclave do HRL (máquina usada para esterilizar instrumentos cirúrgicos) estaria em funcionamento e as cirurgias realizadas seriam apenas as de emergência, tal qual ocorreu nas primeiras semanas de dezembro. A secretaria negou.

Na última semana, após denúncias publicadas no JB Litoral, a Sesa havia informado que as máquinas de autoclave da unidade estariam operando “com a máxima capacidade”.

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