Com o “beijo da ponte” cada vez mais próximo, o que antes era alvo de críticas — pelas filas, pelo tempo “perdido”, sobretudo na temporada, e pelos transtornos causados por quebra de embarcações e condições climáticas adversas — agora começa a dar lugar à nostalgia. Isso porque a travessia da baía de Guaratuba, feita por ferry-boat, será descontinuada quando a ponte for liberada ao tráfego, em abril.

Para dar fluidez ao trânsito dentro da cidade e facilitar o acesso à ponte, vias estão sendo duplicadas e um binário também será executado, conforme noticiou o JB Litoral. A previsão do Governo do Estado é de que as obras de melhorias no trajeto, desde a saída da ponte até a PR-412, com destino a Garuva (SC), estejam bem adiantadas até o próximo verão.
PARA ONDE VÃO OS TRABALHADORES?
Com a proximidade do fim dos serviços prestados pela Internacional Marítima Guaratuba empresa responsável pela travessia desde fevereiro de 2022, quando substituiu a BR Travessias, via contrato emergencial, para operar até a conclusão da ponte, o JB Litoral conversou com a engenheira naval e gerente geral da filial de Guaratuba, Marilene Gamboa Braga.
Segundo ela, com o fim da prestação do serviço regular de travessia da baía por ferry-boats, os funcionários poderão ser realocados para outras oportunidades fora de Guaratuba.
“A Internacional é uma empresa que tem, aproximadamente, 3.500 funcionários em todo o Brasil, em várias unidades de negócios. E tem muita oportunidade para quem está aqui. Sempre colocamos que o mais importante é que o funcionário trabalhe de forma correta, porque ele está sendo observado, pode ter oportunidades em outras demandas no mesmo ramo de travessia, pois fazemos travessias em vários locais do país”, explicou Marilene.
“Então, quem tem a possibilidade de sair de Guaratuba, de buscar outros caminhos, de querer melhorias para sua vida, tem outras oportunidades na empresa”, completou a gerente.
Um dos 186 funcionários da Internacional Marítima que atuam em Guaratuba é o supervisor de operações, Edson Saporetti. Ele deixou Curitiba há quatro anos para morar no Litoral e vive a expectativa de ser realocado.
“Ficamos meio apreensivos em relação ao futuro, que é incerto, porque a obra da ponte vai acabar e virá o término da travessia. Porém, sabemos que a empresa é grande, que tem outros segmentos, várias filiais, então eu espero uma oportunidade dentro da empresa mesmo. Por enquanto a gente segue aqui até o apagar das luzes, tentando manter todos motivados até o final”, contou Edson ao JB Litoral.
HISTÓRIA DA TRAVESSIA
A travessia de ferry-boat na baía de Guaratuba é realizada desde 1960. Implantado pelo, então, governador Moisés Lupion, o sistema foi criado para facilitar o acesso entre as cidades de Guaratuba e Matinhos (Caiobá), substituindo o acesso precário terrestre que exigia a volta por Garuva, em Santa Catarina.
Mas, há 66 anos, as embarcações não eram como as atuais. A primeira balsa era de madeira. Com o passar dos anos, balsas maiores, como a Iguassu (1966) e Guaraguaçu (1981), trouxeram mais segurança e aumentaram a capacidade do transporte de veículos, consolidando a ligação entre os dois pontos da baía.
Após a entrega da ponte, a travessia que leva 30 minutos e chega a durar horas, em alta temporada, com quilômetros de filas, poderá ser feita em menos de 5 minutos. O Governo do Estado ainda não divulgou em que dia de abril será feita a entrega da obra.