Gerente de banco e ex-coordenadora da Educação são presas por suspeita de desviar R$ 3 milhões de clientes


Por Por Thais Skodowski, com colaboração do Portal da Cidade - Guaratuba
Sugestão de legenda: Mais de dez cliente podem ter sido lesados pelas investigadas. Foto: Redes Sociais

Mais de dez cliente podem ter sido lesados pelas investigadas. Foto: Redes Sociais

Rita Oro Costa, gerente da agência do Banco Bradesco em Guaratuba, e Flaviane Hupalo de Jesus Pacheco, ex-coordenadora da Secretaria de Educação do município, foram presas nesta quarta-feira (4), acusadas de estelionato. As denúncias apontam que ambas realizavam empréstimos sem o consentimento de clientes, desviando mais de R$ 3 milhões.

De acordo com o delegado Gabriel Rocha, da Polícia Civil do Paraná (PCPR), além das fraudes, as suspeitas tentaram intimidar as vítimas após o início dos inquéritos. Elas teriam enviado mensagens em redes sociais e comparecido, de forma insistente, nas residências ou locais de trabalho das pessoas lesadas, buscando coagi-las.

Assim sendo, após a ciência desses fatos por intermédio do advogado de uma das vítimas, representou-se pela prisão preventiva de ambas, sendo a ordem judicial expedida pela Vara Criminal de Matinhos e cumprida no dia de hoje”, disse o delegado.

O JB Litoral teve acesso a três boletins de ocorrência, mas a polícia investiga pelo menos dez casos similares.

Empréstimos sem autorização

Diego Pires, advogado de uma das vítimas, revelou que sua cliente descobriu os empréstimos irregulares após ser contatada pelo gerente geral da agência, que identificou movimentações suspeitas.

Elas abusaram da posição de confiança e do acesso às informações bancárias para realizar empréstimos fraudulentos. Os valores eram transferidos para as contas das acusadas ou sacados em espécie”, explicou Pires.

Uma das denúncias envolve uma idosa de 78 anos, com saúde debilitada. Segundo o filho da vítima, a gerente usou o aplicativo bancário para contratar empréstimos sem autorização. Entre dezembro de 2020 e agosto de 2024, foram firmados 12 contratos, somando R$ 1 milhão. Em um dos casos, R$ 28 mil foram transferidos para a mãe de Flaviane, e, no mesmo dia, R$ 14 mil foram sacados. A polícia apura ainda outras 14 movimentações irregulares na conta da idosa.

Intimidações e ameaças

Em outro caso, uma mulher registrou um boletim de ocorrência em setembro, relatando entre vários episódios, ter sido coagida a autorizar um empréstimo em benefício de Flaviane. Após essa situação, a gerente teria realizado outros contratos sem o conhecimento da vítima, aproveitando a alta capacidade de crédito dela.

A defesa desta vítima, a advogada Bruna Letícia, explicou que os empréstimos eram feitos via aplicativo bancário, mesmo sem a lesada ter acesso à ferramenta. Além disso, foram identificadas transferências via Pix para as contas de Flaviane e de sua mãe. No total, esses empréstimos somaram mais de R$ 600 mil.

Ainda conforme o relato, após a vítima solicitar extratos bancários ao banco, as suspeitas passaram a pressioná-la para que não registrasse denúncia, chegando a ir até a escola, onde trabalha, para intimidá-la. Segundo a vítima, uma das investigadas ameaçou tirar a própria vida caso fosse denunciada, enquanto a outra utilizava chantagens emocionais.

Mais uma vítima

Um terceiro caso envolve uma cliente que foi contatada pelo novo gerente da agência em novembro, devido a movimentações suspeitas. Segundo a vítima, que tinha uma relação de confiança com a gerente Rita, a conta bancária foi utilizada para contratar empréstimos sem autorização.

A cliente relatou ainda que Rita tentou dissuadi-la, alegando que as investigações do gerente geral tinham o objetivo de prejudicá-la. Em outra ocasião, após recusar as ligações de Rita, Flaviane ligou diretamente para o local de trabalho da vítima.

Outro lado

O advogado das investigadas, Décio Nogueira, negou as acusações. “A prisão é completamente desnecessária. Ambas sempre estiveram à disposição das autoridades, são conhecidas na cidade e possuem documentos que desmentem as acusações. Infelizmente, a situação ganhou as manchetes de forma equivocada”, argumentou. A defesa já protocolou pedido de soltura.

Em nota, o Banco Bradesco afirmou que aguarda o desfecho das investigações conduzidas pela polícia.

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