Implante contraceptivo gratuito chega a Paranaguá pelo SUS e amplia acesso das mulheres à saúde


Por Gabriela Perecin

Paranaguá foi a primeira cidade do Litoral do Paraná a receber o implante contraceptivo gratuito Implanon, que passou a integrar o rol do Sistema Único de Saúde (SUS), em setembro do ano passado. Na quarta-feira (15), a primeira paciente recebeu o implante no município, na Unidade Básica de Saúde (UBS) “Maria Vargas Batista”, no bairro Porto Seguro.

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Maria Heloisa Ferreira, de 20 anos, foi a primeira a receber o implante contraceptivo em Paranaguá. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

O valor do contraceptivo tem custo médio de R$ 2 mil e começa a ser ofertado de forma gratuita para a população. O implante subdérmico é aplicado no braço, trata-se de um método contraceptivo de longa duração de alta eficácia, que pode permanecer por até três anos na paciente. Entre os contraceptivos atualmente oferecidos no SUS, apenas o DIU de cobre, até então, era classificado como “reversível de longa duração”.

Critérios de prioridade

“Nós iniciamos esse método da contracepção inicialmente com mulheres em situação de vulnerabilidade. No ponto de vista de gestão pública, nós diminuímos também a gravidez de risco e de despesas. Esses implantes garantem a eficácia do método contraceptivo sem a necessidade de tomar a pílula todos os dias”, declarou o secretário municipal de Saúde de Paranaguá, Daniel Fangueiro.

Paranaguá já recebeu 512 métodos contraceptivos Implanon. No entanto, os implantes serão ofertados, inicialmente, para mulheres em vulnerabilidade, em situação de rua e em outros públicos prioritários.

“Nós enxergamos as mulheres em situação de vulnerabilidade como um grupo especial, nós temos situações de moradoras de rua. Por exemplo, tem uma mulher que está na sua nona gravidez. Todas essas considerações são feitas, além de pacientes especiais com distúrbios neurológicos, que precisam de uma atenção especial no que diz respeito ao ciclo menstrual. Levamos tudo isso em consideração”, destacou Fangueiro.

Secretário municipal de Saúde de Paranaguá explicou sobre os critérios de prioridade para as mulheres. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

As pacientes serão chamadas de acordo com a prioridade estabelecida. Para o secretário, o método é inovador e abre possibilidades de controle de natalidade, controle de gravidez indesejada e dá segurança às mulheres em vulnerabilidade.

“Penso que é um primeiro passo, atendendo primeiro esse público, mas com certeza trabalhando para que a gente possa estender também essa política às demais mulheres”, acrescentou Fangueiro.

Mãe de um bebê de 9 meses, Maria Heloisa Ferreira, de 20 anos, moradora no bairro Porto Seguro, parou de estudar para cuidar do filho. Ela foi a primeira paciente a receber o implante contraceptivo em Paranaguá.

“Perguntaram na unidade se eu queria colocar e eu vim. Foi rápido, não senti dor nem para a anestesia e nem para aplicar, não estava sentindo nada. Escolhi esse método porque acredito ser o mais eficaz”, disse Maria Heloisa.

Profissionais passaram por capacitação

A diretora médica da Secretaria Municipal de Saúde de Paranaguá, Olivia Permegiani Vilarinho, afirmou que os profissionais passaram por uma capacitação que foi replicada. “Todos os médicos e todas as UBSs receberam essa capacitação, os enfermeiros também e eles estão aptos a fazer a aplicação do Implanon”, disse Olívia.

Equipe das UBS’s foram capacitadas, como informou a médica Olivia Vilarinho. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

As mulheres que têm interesse de colocar devem procurar a Unidade de Saúde mais perto de casa para fazer uma avaliação médica para analisar se o implante é indicado.

Olívia ainda salientou que o SUS oferece outros métodos contraceptivos e que a paciente que receber o Implanon precisa se prevenir das doenças sexualmente transmissíveis.

“Hoje, só engravida quem quer mesmo. O SUS disponibiliza comprimidos, injeção intramuscular mensal, a trimestral, o DIU, que é disponível na rede, a laqueadura, camisinhas masculina e feminina e, agora, o Implanon”, ressaltou a médica.

Aplicação é rápida e indolor

O médico da estratégia de Saúde da Família, Carlos Alberto do Amaral, explicou que o anticoncepcional subdérmico vem com um aplicador e todo o procedimento é realizado de forma rápida e sem dor.

O médico Carlos Alberto do Amaral explicou que o procedimento é rápido e indolor. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

“O que a paciente vai sentir é somente a picadinha da agulha para a anestesia. Demora no máximo 5 minutos. Fazemos antes um teste de gravidez. Depois de colocar, é bem simples, não precisa tomar remédio, só o curativo que é retirado depois de 24h, não precisa dar ponto”, disse Carlos.

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