Incêndio em instituto histórico mobilizou 45 bombeiros e governo promete acionar força-tarefa para reconstrução


Por Brayan Valêncio

O incêndio que atingiu o Instituto Estadual de Educação Doutor Caetano Munhoz da Rocha, em Paranaguá, neste sábado (4), mobilizou uma operação de grande porte com 45 bombeiros militares, brigadistas e equipes de diferentes órgãos públicos, além de acionar diretamente o núcleo político do governo estadual e da Assembleia Legislativa.

Lideranças políticas afirmam que reconstrução do Instituto de Educação será o mais breve possível. Foto: JB Litoral

O fogo começou por volta das 12h e atingiu um dos prédios mais simbólicos da educação paranaense, construído em 1927 e tombado como patrimônio histórico desde 1991. Apesar da gravidade, não houve registro de feridos.

A estrutura atende 1.635 alunos em 53 turmas, além de cerca de 300 profissionais. Com o incêndio, o impacto é imediato: aulas suspensas e necessidade de reorganização emergencial da rede.

Operação de combate e rescaldo

O combate às chamas mobilizou sete viaturas do Corpo de Bombeiros, além de três veículos de brigadas da Portos do Paraná e empresas da região. A prefeitura também enviou caminhões-pipa para reforçar o abastecimento de água.

Mesmo após o controle do fogo, o trabalho seguiu com o rescaldo, uma etapa essencial para evitar reignição.

O diretor de planejamento da Defesa Civil, Aparecido Galdino Alves, explicou, em entrevista ao JB Litoral, que a operação não termina com o fim das chamas. “Quando o incêndio se extingue visualmente, ainda há queima interna. Por isso é feito o resfriamento da área para garantir que o fogo não retorne”, afirmou.

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Segundo ele, a Defesa Civil atuou na retaguarda, garantindo segurança do entorno, que inclui empresas, outra unidade de ensino e circulação de pessoas. “Nós tivemos apenas danos materiais. Não houve vítimas”, disse.

Governo entra em campo e aciona força-tarefa

Diante da proporção do incêndio, o governador Ratinho Junior (PSD) entrou diretamente na gestão da crise ainda nos primeiros minutos.

É com grande tristeza que recebi a notícia de um incêndio no Instituto de Educação Dr. Caetano Munhoz da Rocha, em Paranaguá. Determinei ao nosso Corpo de Bombeiros Militar todo o esforço possível para o combate às chamas”, afirmou.

Na sequência, o governador ampliou a resposta para além do combate ao incêndio, acionando a área educacional. “Também determinei uma força-tarefa da Secretaria da Educação para avaliar a dimensão dos danos para que possamos investir o que for necessário, fazendo com que este grande símbolo da educação paranaense volte a atender os nossos alunos o mais rápido possível“, completou.

Ainda segundo o governador, a ordem é clara dentro do governo: diagnóstico rápido e início acelerado da reconstrução.

Engenharia do Estado já projeta reconstrução

Equipes da Secretaria de Estado da Educação (Seed) e do  Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) foram deslocadas ainda durante a ocorrência. O diretor técnico de engenharia do órgão, Marcello de Albuquerque, detalhou a mobilização.

Nos primeiros minutos, já recebi a ligação do governador, do secretário e da presidência do Fundepar. Nós viemos aqui para auxiliar toda a comunidade”, afirmou.

Ele indicou que o Estado já trabalha com um caminho técnico definido. “A gente entra com a parte de reconstrução. Vamos contratar os projetos de restauro e depois executar a obra para devolver esse prédio histórico para Paranaguá“.

1/3 Giovanni Stephanie, engenheiro da Defesa Civil. Foto: JB Litoral
2/3 Marcelo de Albuquerque, diretor técnico de engenharia do Fudenapr. Foto: JB Litoral
3/3 Paulo Penteado, chefe do Núcleo Regional de Educação de Paranaguá. Foto: JB Litoral

Albuquerque também revelou que o prédio já estava em processo de planejamento de restauro antes do incêndio. “Nós já vínhamos trabalhando com os projetos. Agora é dar continuidade e aplicar ainda mais força”, disse.

Defesa Civil assume próxima fase: laudo e estrutura

Com o controle das chamas, a operação entra agora em uma nova etapa, mais técnica. O engenheiro da Defesa Civil, Giovanni Stephanie, explicou que a entrada no prédio depende da liberação total da área.

Agora que o nosso trabalho vai começar. Após a liberação do Corpo de Bombeiros, vamos confeccionar um laudo de segurança e um laudo estrutural do que sobrou”, afirmou.

Segundo ele, só após essa análise será possível definir com precisão os danos e orientar o processo de recuperação.

Educação corre para evitar prejuízo a alunos

Enquanto a engenharia prepara o diagnóstico, a Secretaria de Educação atua em outra frente: manter o calendário escolar.

O secretário Roni Miranda afirmou que a prioridade é garantir continuidade imediata. “Vamos colocar todas as forças do Governo do Estado pra fazer o mais breve possível a restauração do prédio e também a realocação dos estudantes, que é nossa prioridade, para que não tenham nenhum prejuízo pedagógico”, disse.

Em outra frente, o chefe do Núcleo Regional de Educação de Paranaguá, Paulo Penteado, já articula soluções locais. “Estamos em contato com outras escolas e espaços da região para fazer a realocação o mais breve possível”, afirmou.

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Incêndio foi controlado por 45 bombeiros, além de brigadistas e outras equipes. Vídeo: JB Litoral

Ele também destacou o peso simbólico do incêndio. “Não é só um prédio. É uma história. Esse instituto tem ligação com toda a memória de Paranaguá e da educação do Paraná“, lamentou.

Assembleia entra na articulação política

A repercussão do caso também chegou rapidamente à Assembleia Legislativa. O presidente da Casa, Alexandre Curi (Republicanos), afirmou que já abriu diálogo direto com o governo estadual para acelerar a reconstrução.

Já conversei com o governador Ratinho Junior e com o secretário de Educação, Roni Miranda. Estamos alinhando as providências necessárias para que o processo de recuperação seja iniciado o mais rápido possível”, afirmou.

Ele também destacou o impacto social do incêndio. “Minha solidariedade a estudantes, professores e servidores que fazem do instituto um espaço de formação e convivência“.

Investigação e próximos passos

As causas do incêndio ainda são desconhecidas e serão investigadas pela Polícia Científica e pela Polícia Civil do Paraná.

A partir da liberação total da área, o Estado deve iniciar o levantamento detalhado dos danos, e é essa etapa que vai definir o cronograma e o modelo de reconstrução do prédio histórico.

Enquanto isso, a prioridade do governo se divide em duas frentes: garantir atendimento imediato aos alunos e acelerar a recuperação de um dos símbolos mais antigos da educação pública no Paraná, que se aproximava de completar um século de história.

Assista a transmissão ao vivo do momento do incêndio:

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