Isolamento aumentou quatro vezes os casos de miopia entre crianças


Por Redação JB Litoral

Por Lucas Sarzi

Como está a visão do seu filho? Tente reparar e fique atento, pois um estudo realizado na China mostrou que os casos de miopia entre crianças de 6 anos aumentaram 400% nos cinco primeiros meses de 2020, por causa da pandemia. Aquela preocupação antiga de “sentiu dor de cabeça pode ser indício de dificuldade para enxergar” é válida. Com a volta às aulas, este é o momento certo para perceber as dificuldades das crianças.

Segundo esse estudo, que analisou mais de 120 mil crianças e foi publicado na JAMA Ophthalmology, revista científica com grande repercussão dentro do campo da oftalmologia, o impacto da pandemia também afetou outras crianças. Entre os participantes com 7 anos, o aumento foi de 200% nos casos de miopia e os de 8 anos a alta foi de 40%.

O oftalmologista Sérgio Miziara Borges, que atua na clínica PróVisão, explicou ao JB Litoral que a miopia é preocupante, o que reforça o alerta neste momento. “O estudo feito na China é importante, pois nos países orientais as pessoas acabam usando ainda mais tecnologia. Isso faz com que muito mais gente tenha miopia. Obviamente que esse problema se reflete em todo o mundo, por isso temos que alertar, realmente”.

Segundo o médico, o uso excessivo das telas, tanto de celular como dos tablets, é o principal vilão. “Essa miopia está diretamente ligada às atividades de perto, de leitura, principalmente celular e tablet. Sabe aquela coisa de trazermos muito perto dos olhos aquele objeto de leitura? Pois é, quanto mais perto, maior a chance de o globo ocular aumentar e, consequentemente, a miopia também”, alertou.

No isolamento provocado pela pandemia do novo coronavírus, nós praticamente fomos obrigados a deixar de lado as atividades que fazem bem aos nossos olhos, como caminhar num parque, por exemplo. No caso das crianças, o problema pode ter sido ainda mais significativo, pois ainda estão em fase de desenvolvimento, portanto os olhos ainda estão vulneráveis às mudanças.

Como usar as telas da forma correta?

O médico orientou que o certo é sempre restringir ao máximo o uso das telas. Apesar disso, atualmente, temos usado cada vez mais as tecnologias, então, a dica é adaptar. “O que sugerimos é que, quando for ler ou usar um celular, por exemplo, deixar o objeto o mais distante possível. É bom ter sempre luz ambiente, evitar usar celular e tablet no escuro. Se for utilizar mais que duas horas, faça intervalos, exercite seu olho para enxergar paisagens, mesmo que seja na janela de casa”.

Segundo Sérgio Miziara, os estudos mostram que as pessoas que praticam atividades ao ar livre têm menos chances desse crescimento do globo ocular e isso interfere diretamente no aumento da miopia.

 “Portanto, a dica é sempre fazer atividades ao ar livre, ter contato com a luz solar, porque o Sol ajuda a ter liberação de mediadores no organismo, como a dopamina, que inibe o crescimento do olho. Inibindo o crescimento, é menos chance de a miopia aumentar”.

Se a pessoa já usa óculos, a dica é nunca o abandonar. “Entender que, mesmo a dificuldade sendo para enxergar de longe, tem que manter o uso dos óculos para perto também. Fique com os óculos e deixe a tela mais distante porque sem óculos a pessoa tem que aproximar demais o objeto e isso pode trazer problemas”, alertou o oftalmologista.

Volta às aulas é um alerta!

Para os pais, a principal dica é fazer com que as crianças e adolescentes pratiquem atividades fora dos celulares e tablets. “Quanto menos usar, melhor. É preferível a criança jogar numa TV o videogame, porque fica mais distante, do que trazer para perto esse equipamento. Não precisa impedir de usar, mas sim limitar o uso de tablet e celular, porque isso vai ser bom até mesmo para outros problemas que estão além da saúde do olho”.

O oftalmologista alertou aos pais algo que serve para todos nós: evite usar celular no escuro, como por exemplo, na cama, antes de dormir. “É ainda pior. Pode gerar aumento, principalmente para crianças e adolescentes, na miopia. Quanto mais pudermos postergar o aparecimento e, se aparecer, retardar o aumento, melhor”. 

No caso das aulas virtuais, a dica principal é deixar o equipamento o mais distante possível e fazer intervalos. “Olhar o horizonte, exercitar o olho a enxergar uma paisagem. Mas também buscar posicionar o equipamento de um jeito que dê um pouco de luminosidade para os olhos. De fatores genéticos não temos como fugir, mas do que nós provocamos nós temos sim como tentar evitar, porque não vai repercutir agora, às vezes demora anos”.

Com a volta às aulas, principalmente depois de um ano em que abusamos das telas presos em casa, este pode ser o momento certo para os pais observarem seus filhos. “Quando a criança aproxima muito o celular, o livro, fica muito perto da TV, às vezes pode ser uma dificuldade de enxergar para longe, basicamente, a miopia. Nesta volta às aulas, a tendência maior é não conseguir enxergar o quadro, o que pode sugerir que, por menor que seja, a criança esteja com algum problema na visão. Fique de olho também no desempenho na escola, porque às vezes pode afetar e ser um indício de dificuldade de enxergar”, concluiu.

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