Justiça para Kameron: acusado pela morte da enteada de 11 anos é condenado a 51 anos e 9 meses de prisão


Por Flávia Barros e Diogo Monteiro
Givanildo Rodrigues Maria foi condenado a 51 anos e 9 meses de prisão pelo estupro e assassinato da enteada Kameron Osolinski, de 11 anos, em Guaraqueçaba. Sentença foi anunciada no fim da tarde desta quinta-feira (10).
Givanildo Rodrigues Maria foi condenado a 51 anos e 9 meses de prisão. Foto: Arquivo/JB Litoral.

No final da tarde desta quinta-feira (10), encerrando o segundo dia de julgamento, veio o desfecho do caso que Guaraqueçaba e todo o Litoral esperavam: Givanildo Rodrigues Maria, 35 anos, foi condenado a 51 anos e 9 meses de prisão por estuprar, matar e esconder o corpo de Kameron Odila Gouvêa Osolinski, enteada dele, de apenas 11 anos.

O crime aconteceu em 26 de abril de 2023 e a sentença foi divulgada em primeira mão pelo JB Litoral, que fez uma transmissão ao vivo e registrou o momento em que Givanildo saiu do Fórum Luís Silva e Albuquerque, em Antonina, para ser levado de volta ao sistema penitenciário, onde começa a cumprir a pena em regime fechado.

Mesmo sendo réu confesso e condenado pelos três crimes, ele negou tudo, ao sair do fórum.

Muito abalada, família ficou satisfeita com a sentença

A pena que ultrapassa meio século veio como um alento para a família de Kameron faltando 16 dias para completar dois anos que o crime aconteceu.

Fui muito julgada pelas pessoas, mas ninguém estava na minha pele. Ela era a nossa princesa, nossa estrela, eu não estava em casa porque eu precisava trabalhar, eu tinha que sustentar minha família. Se eu pudesse voltar, eu voltaria no tempo, mas não posso. Eu só peço a Deus que ela esteja bem, em um bom lugar, para que um dia a gente possa se encontrar”, disse Mayrah Merilin Dorigon Gouvêa, mãe de Kameron, ao JB Litoral.

Eu sinto muita falta dela, ela era a minha vida, minha companheira, quando ela nasceu eu tinha 19 anos e quando ele a matou, morremos todos juntos. Nesses dois anos, a minha vida foi tomar remédios e viver dopada. Mas agora ele vai pagar“, completou a mãe da vítima, que é professora e deixava a filha com o então marido, no período da tarde.

Também bastante emocionada, a avó de Kameron, Alair Gouvêa, saiu do Fórum com um balão em formato de coração em uma das mãos e a foto da neta na outra.

É um capítulo que se encerra, mas hoje posso dizer a vocês que foi feita justiça. Quero agradecer ao juiz e às advogadas. Não posso dizer a vocês que eu vou voltar a conseguir dormir, porque a dor que eu sinto vai continuar, sei que minha neta não vai voltar. Mas ele vai apodrecer na cadeia e mostramos pra ele que a Justiça existe“, desabafou.

Exemplo de justiça

Para a advogada que representa a família, Nadinne Van Der Broocke, todo o processo foi doloroso, mas justo.

Após dois longos dias de julgamento, nós saímos satisfeitas com a condenação que ele teve pelos três crimes: estupro de vulnerável, homicídio e ocultação de cadáver, com as suas qualificadoras. Foi bastante pesado, pois foi um crime que comoveu a todos, mas foi um julgamento muito respeitoso de ambos os lados e foi assegurada a ampla defesa. Serviu para mostrar à população que a Justiça está aqui”, destacou uma das assistentes de acusação.

Da esquerda para a direita: Mayrah Gouvêa (mãe de Kameron), NadinneVan Der Boocke (advogada), Alair Gouvêa (avó de Kameron) e Ana Paula Folgate (advogada). Foto: JB Litoral.

Após ouvir 18 testemunhas, o réu e as sustentações da defesa e da acusação, o Conselho de Sentença acolheu as teses sustentadas em denúncia pela Promotoria de Justiça de Antonina, sede da comarca, reconhecendo como qualificadoras do homicídio o meio cruel (asfixia), o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, o fato de o crime ter sido cometido para assegurar a ocultação e impunidade do estupro, o feminicídio (crime praticado contra mulher por razões da condição de sexo feminino em contexto de violência doméstica) e o fato de ser a vítima menor de 14 anos.

Já a defesa de Givanildo afirmou que todos esperavam uma resposta do Poder Judiciário.

Nós estávamos aqui preparados justamente para isso. Essa resposta veio por meio do Conselho de Sentença, após analisar todo o conjunto probatório e, agora, diante do que temos, vamos analisar e ver qual o caminho a seguir”, disse o advogado Cristiano Dias Souza, sem revelar se vai contestar algum ponto da sentença, através de recursos judiciais.

Givanildo Rodrigues se entregou à polícia dois dias após o corpo de Kameron ser encontrado, em 29 de abril de 2023. Foto: Arquivo Pessoal

O caso

Kameron desapareceu no dia 26 de abril de 2023, depois de sair de casa, supostamente, para estudar na casa de uma amiga, mas ela nunca chegou lá. O corpo da menina foi encontrado no dia seguinte, após intensa comoção na cidade, em uma área de mata, próxima ao Mirante de Ipanema, parcialmente encoberto por folhas. Ela estava vestindo apenas uma calcinha, sem sinais de ter tentado fugir — o que reforçou a suspeita de que ela havia sido morta em outro local e levada até ali.

Givanildo chegou a ser preso, mas negava o crime. Na ocasião, sem provas que pudessem mantê-lo na prisão, foi solto. Mas, dois dias depois se entregou à polícia e confessou com detalhes como matou Kameron. Desde então, nesses quase dois anos, foi mantido em cárcere.

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